24 de set. de 2026

Evangelho, segundo Tomé


Em 1945, num velho cemitério de Nag Hammadi, no Egito, lavradores encontraram alguns potes de barro com manuscritos em caracteres coptas, ao ⁸escavarem ali. Parte desses papiros foi vendida e veio parar no museu copta do Cairo. Só depois de 11 anos alguns peritos examinaram cientificamente esses documentos e verificaram que, além de outros manuscritos, esses papiros continham cópias do original do Evangelho de Tomé, que remontam ao século II da Era Crista. Não se trata, como nos outros EvangeIhos, de uma narrativa da vida histórica de Jesus, mas de 114 fragmentos ou aforismos de "Jesus, o Vivo". 

O apóstolo Tomé é quase ignorado. O Cristianismo o conhece quase somente pela incredulidade com que ele enfrentou os outros dez apóstolos, quando lhe falavam de Jesus redivivo, exigindo e obtendo uma prova empírica da ressurreição física do Mestre. O proverbial "ver para crer" é sinônimo de Tomé.

Segundo antiga tradição cristā, Tomé demandou o oriente, após a ascensão. O túmulo de Tomé se encontra na catedral do mesmo nome, em Madras, no sul da India, igreja fundada pelos portugueses que, no século XV, foram à fndia com Vasco da Gama.

Dos 114 aforismos, parte é idêntica a passos dos outros Evangelhos; parte é inteiramente original e desafia o entendimento, por seu teor esotérico. O original de Tomé foi, provavelmente, escrito em aramaico. Os interessados podem encontrar à venda uma tradução brasileira desses trechos, sob o  título: "O QUINTO EVANGELHO - A mensagem do Cristo segundo Tomé" com tradução e notas de Huberto Rohden.
(Nota da edição: atualmente facilmente encontrada na internet)

Nesses trechos, Tomé visa ao despertamento do poder espiritual no homem; enfatiza a autoredenção do homem, pela conscientização do Deus imanente.

Tomé, outrora o descrente no meio de crentes, revela-se com profundidade esotérica aos aspirantes de experiência própria sobre o mistério de Deus no homem.

publicado na revista Serviço ROSACRUZ de fevereiro de 1976 

GETSÊMANI: Nossos degraus evolutivos

Por Jonas Taucci

A Páscoa aproxima-se e na condição de aspirantes pelos caminho dos Ensinamentos Rosacruzes, seria oportuno abordarmos certos estágios que teremos de percorrer objetivando o nascimento de nosso Cristo Interno.

Em nossas vidas na Terra, vivenciamos determinados (e diferentes individualmente) Getsêmanis.

Ainda que eles não possam comparar-se ao que Cristo suportou, por vezes nossos profundos desesperos parecem ser gigantescos (e por vezes o são) e nestes momentos deveríamos refletir sobre dois fatores:

1 - Seja qual for o sofrimento, quem ou o que parecer ser o artífice desta situação, nós somos os responsáveis: algo que fizemos ou deixamos de fazer no passado, colocou em movimento estes Getsêmanis.

2 - Tanto mais amarga forem estas experiências, se reagirmos de uma ótica de que estamos recebendo lições para nosso desenvolvimento espiritual e as assimilarmos, sabedores de que seus propósitos são de nos ensinar Leis Divinas, seguramente estaremos recebendo bençãos que irão seguir-se a estes “cálices amargos”.

Há quem possa revoltar-se e odiar períodos de íngremes e duras situações. Elmam Bacher (Estudos em Astrologia – Volume I – capítulo III – Planetas são Seres) nos fala que “ódio é amor ao contrário ou amor na contramão... Cristo nos recomendou: Amai uns aos outros e fazei o bem a quem te persegue, pois Ele sabia que reação de ódio ou de vingança cria um vínculo entre o que recebe e o que perpetra uma má ação, e que somente quando a reação é neutralizada pelo bem, poderá o vínculo ser dissolvido”. Aqui, podemos também aplicar o princípio de que odiar nossos Getsêmanis, nos fará atrasarmos no Caminho Evolutivo.

Getsêmanis constituem-se de fontes em potencial de forte energia e deles podemos obter virtudes que necessitamos para o nosso desenvolvimento espiritual e também auxiliar Cristo a carregar seus fardos que, no devido tempo, irá liberá-lo de seu Sacrifício Anual à Terra.


Algumas virtudes que devemos extrair de nossos Getsêmanis:

FORTALEZA – Se nos sobrepomos às nossas duras experiências e não permitimos que elas vençam nossa zelosa aspiração espiritual, encontraremos na próxima áspera situação que nos chegue, uma facilidade para dominá-la e com o passar do tempo, seremos capazes de enfrentá-la firme, valorosamente e não de uma forma tíbia.

COMPAIXÃO – Ela expressa-se como Serviço e Cura. Com a compreensão, assimilação e maturação de nossas amargas situações vividas, estaremos mais bem capacitados para entender Getsêmanis de nossos irmãos e prestar serviço a eles com amor e altruísmo.

JUSTIÇA – Nos tornaremos mais preenchidos de um sentimento correto de que “aparentes injustiças ”nos tenham sido infligidas". Ainda que a entendamos de uma forma intelectual, a Lei de Causa e Efeito não comete nenhuma injustiça. Devemos sublimar nossa natureza emocional que por vezes nos fala sermos “vítimas inocentes” de determinados Getsêmanis.

EQUILÍBRIO – Virtude indispensável para o crescimento anímico. Com o lema Rosacruz (mente pura, coração nobre e corpo são) devidamente desenvolvido, estaremos fortalecendo o equilíbrio e nos encontrando menos vulneráveis a “cálices amargos” que nos apresentam em determinados momentos da vida.

Em Mateus (26: 36 a 46), Cristo solicitou – no Getsêmani – a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu para aguardarem enquanto Ele iria orar e por três vezes, ao retornar, os encontrou dormindo, “porque os seus olhos estavam pesados”.

Eis aí um ponto de reflexão para todos nós: em nossos Getsêmanis, estamos conscientes (acordados) de sua essência ou dormindo?

Em vez de lamentos por nossas aflições e queixas de determinadas situações de nossas vidas quando o desespero parece ser nossa “marca registrada”, oremos e tenhamos a certeza - alicerçada na fé - de que Deus nos outorgou uma suprema benção:

- Considerou-nos dignos e merecedores de participar, ainda que diminutamente, das experiências de seu FILHO.


No Getsêmani vivenciado por Cristo, Ele sentiu todas as dores do mundo, por toda a humanidade e de forma única: conheceu, e conhece até os dias de hoje,o verdadeiro significado do sacrifício, compadecendo-se de toda Onda de Vida dos Espíritos Virginais.

A vivência de nossos Getsêmanis, creiamos, não são “castigos” de Deus, nem pântanos desesperançosos e intermináveis, mas degraus evolutivos. Saibamos que em nenhum outro momento, a Divindade nos permeia com maior intensidade como nestes períodos.

Jamais estamos sós, ainda que sintamos isto baseados em companhias físicas, a infinita misericórdia de Cristo nos apoia e nos dá sustentáculo nas horas amargas: elas objetivam nosso progresso espiritual, os quais nos farão compreender com maior superlatividade os Getsêmanis de nossos irmãos e desta forma saberemos com maior clareza auxiliá-los: estaremos mais capacitados para isto.


Assim como constitui-se em impossibilidade uma pedra flutuar na superfície da água, não há cursos, palestras, artigos ou conhecimentos e informações sobre a Filosofia Rosacruz, astrologia etc. que nos fará ascender espiritualmente, sem o acompanhamento da assimilação de nossos Getsêmanis revertida em auxiliar nossos irmãos, amando-os.

Quando alcançarmos o estágio acima, haverá uma tremenda transformação em nosso interior: teremos a sabedoria de que nossas dores e sofrimentos advindos de Getsêmanis converteu-se, não num vale de sofrimentos, mas sim em um sacrifício vivente, elevando-se a si mesmo prestando ajuda aos demais.


Por orientação da The Rosicrucian Fellowship, o Ritual Rosacruz do Equinócio de março, será oficiado dia 19, quinta-feira. Ele, além de ser realizado pelos Centros Rosacruz pelo mundo todo, pode ser feito nos lares, na companhi
a de amigos e familiares.