25 de out. de 2012

As Evidências do Renascimento na Bíblia


por João Pereira Jr.
 
Não é sem razão que muitos estudiosos dos Evangelhos encontram dificuldades em compreendê-los, pois é necessário meditar longamente nas entrelinhas. Sem nos alongarmos demasiado, vamos examinar, segundo nos­sa capacidade, algumas citações de Mateus.

"Se, pois, trouxeres ao altar a tua oferta e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-se com ele; e então, voltando, faze tua oferta. Entra em acordo com o teu adversário enquanto estás com ele no caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali enquanto não pagares o último centavo". (Mat. 5:21 a 26).

O que é altar senão a nossa consciência, e oferta senão as preces e vi­brações que fazemos a todo o mundo? Reconciliarmo-nos com o adversário é um convite do Mestre ao exame noturno de consciência e à oração. E caminho, na citação, é um indicativo de nossa presente existência. Interessante é notar, também, que os Senhores do Destino estão figuradamente representados pelo juiz e o oficial de justiça, que nos sentenciam à prisão de novos corpos, pelo renascimento, até que tenhamos saldado a última parte da dívida, perante a lei de causa e efeito.

Mais adiante vemos enunciada uma disciplina preventiva de um renasci­mento triste: "Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti, pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno", e assim também com as mãos. Todos sabemos das causas remotas de um renascimento num corpo aleijado ou idiota, sem possibilidade de recuperação naquela vida, por efeito da lei "o que se­meares, isto mesmo colherás". Não é como estar num inferno? No entanto, é uma forma de prevenir que se caia em falta maior e se perca a própria alma.

Há passagens evangélicas que deixam perplexas as pessoas afeitas à sua meditação. Um exemplo é a do paralítico trazido num leito perante Cristo-Jesus. E este lhe disse: "Tem bom ânimo, filho- perdoados estão os teus pecados". Os escribas ficaram es­candalizados com estas palavras e ainda hoje pode-se julgar que o Mestra quisera exorbitar a lei de Causa e Efeito. Outro caso é o do cego a quem o Nazareno curou, misturando saliva com a terra e fazendo lama. Outro ainda, o do paralítico que aguardam há muito a possibilidade de alcançar a piscina, quando o Anjo lhe vinha agitar as águas. O Mestre curou-o simplesmente, fora, dizendo que seus pecados estavam perdoados. Pois bem, não há de que estranhar. O Cristo vira em tais casos a extinção das dividas de destino pendente.

Quando urna pessoa cai enferma é submetida pelo médico a rígida disci­plina e às vezes impõe a necessidade de uma intervenção cirúrgica, com amputação de um membro, para que se salve o restante do corpo. Mas isto não livra a vítima de futuras complicações, caso se dê a novos desuses. Semelhantemente o Mestre dava por findas as causas de destino e, como Médico divino proclamava a cura. Mas não deixava de advertir: "Vai e não peques mais, para que te não suceda coisa pior"', mostrando a cadeia ininterrupta de novas causas.

Aos ouvidos duros de entendimento. Cristo cita ainda, o caso de Elias, renascido como João Batista: "E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos de ouvir, ouça". (Mat. 11: 14, 15). Não é preciso dizer que ainda hoje há ouvidos que não querem ouvir, em virtude dos preconceitos, citações tão claras a respeito do renascimento.

Cristo compara também esta geração a crianças que brincam nas praças, gritando uns com os outros, sem cultivar os aspectos mais sérios da vida presente e futura, no além.

Vejamos agora Mateus 16:13 a 16: “Indo Jesus para as bandas de Cesaréia de Felipe, perguntou a seus discípulos: — Quem, dizem os homens, ser o Filho do Homem? — E eles responderam: uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou algum dos Profetas. Se para aquela gente Jesus seria, ou João (já decapitado, então), ou Elias (que o Antigo Testamento cita haver sido arrebatado ao céu num carro de fogo, etc., não re­vela isto a crença natural daquela gente no renascimento?

Muito mais poderíamos dizer, das outras partes do Novo Testamento e também do Velho Testamento, para corroborar a declaração de Max Heindel, de que o renascimento era ensinado antes de Cristo e mesmo por Êste, em secreto, a Seus discípulos.

Outros pontos de ocultismo podem ser igualmente esquadrinhados pela a mente inquiridora e lógica do estudante rosacruz, mercê das chaves que se lhe dão.

Publicado na revista Serviço Rosacruz, fevereiro, 1964
Nota: João Pereira Jr. foi redator da revista Serviço Rosacruz durante vários anos.

11 de out. de 2012

Falsos Deuses

por Gilberto Silos
 
“Então falou Deus todas estas palavras: Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim. Não farás para ti imagem de esculturas, nem semelhança alguma do que há em cima, nos céus, nem embaixo, na terra. Não as adorarás nem lhes darás culto porque eu sou o senhor teu Deus”. (Exodo:20)
O livro do Êxodo trata da fuga da limitação, de como libertarmo-nos de nossas limitações, indo além de nós mesmos. Uma das grandes limitações do ser humano é atribuir um poder incomensurável às coisas externas, tais como doenças, poder, riqueza, prestígio. Quando atribuímos poder a alguma coisa, curvamo-nos perante ela e admitimos que é maior e mais forte do que nós.
Os egípcios, gregos, romanos babilônios, faziam imagens gigantescas. Representavam forças que eles temiam, respeitavam e lhes davam segurança. Quando os hebreus, no deserto, erigiram o “bezerro de ouro”, evocavam algo que lembrava a falsa segurança que imaginavam desfrutar no Egito.
Se alguém admira ou teme demais alguma coisa efêmera, exterior, está elegendo outro deus ou ídolo, está lhe atribuindo poder. Alguns dos ídolos modernos são bem conhecidos, tais como o consumismo, o sexo, as drogas e o poder. Quando alguém adora coisas externas é porque tem receio do que lhe poderá acontecer se as perder. Porém, a salvação do homem é justamente perder sua crença nessas coisas.
A espiritualidade deve ocupar o primeiro lugar em nossas vidas. O espírito, a evolução, a nossa essência são prioridades. É fundamental que cada um permaneça vigilante olhando atentamente ao seu redor, para não transformar alguma coisa em ídolo, elegendo outros deuses.
Publicado na revista Serviço Rosacruz número desdonhecido

25 de set. de 2012

Espiritualizando a Mente


Ref.: várias passagens bíblicas (vide gravura)
A harmonia perfeita do ensino da Bíblia com o do Conceito Rosacruz do Cosmos está bem exemplificada pelas declarações dadas em ambos, relativas à natureza e importância da mente, o veículo menos desenvolvido do homem. “A mente é o instrumento mais importante possuído pelo espírito, e seu instrumento especial no trabalho de criação”, é declarado no Conceito.

O trabalho que será feito aperfeiçoando os poderes mentais envolve um esquema completo de vidas corretas, como ensinado nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. O núcleo de material do qual nós estamos buscando para construir uma mente organizada agora foi irradiada em nós no Período Terrestre pelos Senhores da Mente, e do Mundo do Pensamento veio a substância mental adicionada desde aquele tempo.

A tendência separatista pertencente ao plano da razão que contrasta com o Mundo do Espírito de Vida, pois é contrária ao princípio unificante, é considerada “o mal” . Isto, adicionada ao fato que a mente está unida à natureza dos desejos e tem suas atividades instigadas pelos Lucíferos, traz ao homem o problema principal durante esta fase de sua evolução: a “renovação” de sua mente, ou a infusão constante dela com as vibrações espirituais mais altas até que fique na direção completa do Espírito.

Obter controle da mente requer concentração. Através do uso da concentração aprende-se a fazer a mente focada e dotada de poder suficiente para realizar o objeto para o qual é dirigida. Para a maioria das pessoas isso é difícil, pois o corpo mental é ainda um veículo indefinido, informe. Persistência paciente, porém, trará geralmente os resultados desejados.

Com isto a mente fica sob o controle do pensamento saturado com o Princípio de Amor-Sabedoria, de forma que não será usada egoisticamente. Essa “Cristificação” é a transmutação de todas as tendências egoístas que são absorvidas pela sublime natureza espiritual inerente no Espírito individual. Daí o “Véu que foi abolido por Cristo”. Assim seguimos o mandamento do “amarás o Senhor teu Deus .com toda a tua mente.”
sintetizado do artigo: Spiritually Minded publicado na Rays from the Rose Cross Magazine de julho, 1975, por Eduardo Melo e publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil de nov/dez, 2000

8 de set. de 2012

A Visão de Patmos


Ref.: Apocalípse, 1:9-16
Quando São João nos diz que “estava numa ilha chamada Patmos” nos dá a chave da natureza das suas visões porque a palavra Patmos significa iluminação. Nos tempos anteriores a Cristo a expressão “ilha de Patmos” era usada como referência à iniciação. Por meio do processo iniciatório o “amado Discípulo” estava apto para “em Espírito” ou no estado de consciência requerido, ver nos planos elevados e lá funcionar em corpos invisíveis.

Estudando o livro da Revelação vemos como um dos seus aspectos fundamentais que ele foi escrito dentro do místico número sete. Assim: João teve sete visões nas quais recebeu as mensagens para as sete igrejas. Existem sete anjos ante o trono, tendo sete lâmpadas de fogo e sete trombetas. Há sete castiçais, os sete selos do “livro” e os sete trovões. A significação do uso desse número está explicado nos ensinamentos da ciência oculta que diz que o homem é sétuplo, tendo um tríplice Espírito que possui um tríplice corpo ligado com a mente. No corpo do homem existem sete centros espirituais, os quais quando despertos e desenvolvidos expressam os poderes espirituais do Espírito interno.
Desde que o homem é sétuplo e uma vez que ele é o componente de um Todo neste campo particular da evolução -  para quem a mensagem de São João é particularmente dirigida, podemos supor que aquela mensagem que deve ser escrita no "livro" e enviada às sete igrejas contém informações a respeito do homem em si mesmo. Em outras palavras, as sete igrejas são uma forma simbólica de expressão que se refere aos sete centros no homem, os quais devem ser desenvolvidos através de um processo espiritual. Todo homem sendo um Deus em formação, eventualmente obterá o destino da Divindade.
Diagrama do Conceito Rosacruz do Cosmos
A descrição dada por aquele que fala à João com "uma grande voz como uma trombeta", sugere um Poderoso Ser da onda de vida arcangélica. A tremenda vibração emanada de tal Ser constituirá uma "veste que irá até aos pés", enquanto que o cabelo - "branco como a neve" - e os olhos "como a falma do fogo", indicam a pureza e o poder espiritual de tão exaltado Ser. A "afiada espada de dois fios" sugere o poder positivo-negativo do Espírito desenvolvidos a um alto grau.
                                              publicado na revista Serviço ROSACRUZ, dez.1964
Relacionados:

 

20 de ago. de 2012

Revelações de João, O Divino - Introdução

Na interpretação das Sagradas Escrituras e particularmente no Livro da Revelação, nós — antes de mais nada — devemos compreender que é indispensável investigar as verdades •ocultas sob a "veste", que se escondem internamente, como Max Heindel nos adverte:

"Deve ser levado em consideração que aqueles que escreveram a Bíblia não pretenderam tornar conhecida a verdade em forma tão crua para que qualquer pudesse lê-la; nem tampouco estava ausente de seus pensamentos escrever um "Livro Aberto de Deus". Os grandes videntes que escreveram o Zohar são enfáti­cos nesse ponto. Os segredos do Thorah (a lei) não são para serem com­preendidos por todos, como se vê na citação seguinte:

"Tribulação ao homem que vê no Thorah apenas simples recitativo e palavras comuns! Porque, se na verdade, ele contivesse apenas isso, nós seríamos hoje capazes de compor um Thorah muito mais admirável. Porém não é apenas isso. Cada palavra do Thorah contém um significado elevado e um sublime mistério. A recitação do Thorah são vestimentas do Thorah. Tribulação para aquele que toma a vestimenta pelo Thorah ou pelo Thorah em si mesmo !... Os simples notam as vestes e os recitativos do Thorah, não sabem outra cousa, não vêm o que se oculta sob a vestimenta. Os homens mais instruídos não atentam para a vestimenta, mas sim para o corpo que ela veste."

A Filosofia Oculta foi dada para os "homens mais instruídos", isto é, para os “iniciados” nos ensinamentos relacionados com a origem, a evolução e futuro desenvolvimento do homem e do universo. Aí temos a chave dos segredos íntimos da Bíblia. São João foi um daqueles grandes iniciados que tão zelosamente seguiram Aquele que disse: "Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vai ao Pai senão por Mim", isto é aqueles que estão aptos a lerem na Memória da Natureza (o Mundo do Pensamento e o Mundo do Espírito de Vida) e que adquiriram informações não existentes em nenhuma outra fonte. No Conceito Rosacruz do Cosmos é enunciado que o bem amado João simboliza a Iniciação de Vênus. Dessa forma a "Revelação" de João ou a "visão" das imagens — símbolos — são para aqueles que têm olhos para verem o registro sublime do passado, do presente e do futuro do homem, o microcosmos ou o Deus em formação, e o universo ou o macrocosmos. Essas condições englobam não somente as mudanças materiais nos corpos visíveis do homem e da terra, como também as metamorfoses menos perceptíveis nos íntimos recessos do ser humano, à medida que ele progride desde a argila a Deus. A vinda de Cristo como Espírito Planetário Interno de nossa terra abriu em toda a sua extensão as portas da iniciação para "todo aquele que quiser" e para todo aquele que ouve o perene chamamento". — "Venham a Mim" — estaremos entre aqueles "redimidos" a respeito dos quais São João profeticamente se refere. (João 5:9).

Essa é apenas uma pequena parte da Revelação de S. João. Seu total significado somente poderá ser conhecido (porque não pode ser transmitido) por aquele que se dispuser a viver uma vida cristã-rosacruz. Estas informações que damos aos Ir­mãos, são apenas informações, a direção para a consecução do grau de Verdadeiro, Real Cristão. Somente quando conhecermos o nosso Cristo Interno seremos realmente Cristãos.


NOTA: Revelações de João, O Divino e o título de uma série de interpretações de capítulos do Apocalipse de João, publicados na revista Rays from the Rose Cross, durante a década de 60 e futuramente no período de janeiro de 1988 a julho de 1990. Algumas traduções inseridas neste blog são dos anos 60 e foram traduzidas e publicadas pela Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil em sua revista Serviço Rosacruz; outras são traduções deste blog.
Se divulgar por favor mantenha os créditos.

8 de ago. de 2012

Os Salvos do Período de Tribulação

"E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatros cantos da Terra, que retinham os quatros ventos da Terra, para que nenhum vento soprasse sobre a Terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma. E vi outro anjo subir da banda do Sol nascente e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos a quem fora dado o poder de danificar a Terra e o mar, dizendo: Não danifiqueis a Terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos assinalado nas suas testas os servos de Deus. E ouvi o número dos assinalados e foram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel."
 "E um dos anciões respondeu, dizendo-me: estes que estão vestidos de vestidos brancos, quem são e donde vieram? E eu lhe disse: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: estes são os que vieram de grande tribulação e lava­ram os seus vestidos e os branquearam no sangue do cordeiro. Por isso estão dian­te do trono de Deus e O servem de dia e de noite no seu templo. E aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra. Não mais terão fome nem terão sede; nem sol, nem calor algum cairá sobre eles porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e lhes servirá de guia para as fontes vivas das águas e Deus a limpará de seus olhos toda a lágrima" 

Ref.: Apocalípse, 7: 1-4 e 13-17

A Lei do Renascimento, uma das leis básicas expostas pelos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, está sob a administração de Grandes Seres chamados os Anjos Arquivistas ou os Senhores do Destino. Eles cuidam de que todo o indivíduo tenha a chance em obter tanto de experiência quanto ele ou ela possa resistir. Se for necessário para uma pessoa permanecer mil anos nos mundos invisíveis entre dois nascimentos, ali permanecerá. Os que evoluírem mais depressa, precisarão ficar nos planos superiores apenas umas poucas centenas de anos, como sucedeu a Max Heindel, que ficou 300 anos. Os Anjos Arquivistas ou Senhores do Destino são os "quatro anjos", mencionados por S. João, quando conta a visão que teve.
Os "servos de Deus", a que João refere-se como sendo "assinalados" em sua testa num total de 144.000 são aqueles que viveram de acordo com as leis de Deus, de acordo com o que fizeram os "vestidos brancos", o "Traje Doirado de Bodas' ou "Corpo-Alma", (composto dos dois éteres superiores do corpo vital),que será essencial como condição de vida na seguinte grande época, a Nova Galiléia. Nove é o número da humanidade, (A soma de 144.000 dá esse número: 1+4+ 4). Indica-se então que uma porção da humanidade evolverá através de grande tribulação -— suficientemente para fazer a transição para a Sexta Época.

Na Nova Galiléia a humanidade terá um corpo muito mais eterizado do que agora. A Terra será transparente também. Como resultado, esses corpos serão muito mais sensíveis aos impactos espirituais da intuição. Tal corpo nunca se cansará porque não haverá noite. A Nova Galiléia será um lugar de paz (Jer-u-salém). A Fraternidade Universal unirá todos os seres da Terra através do amor. Não haverá morte porque a árvore da vida, a faculdade de gerar a força vital, tornar-se-á possível por meio do órgão etérico que existirá na cabeça dos que se tiverem desenvolvido, os quais serão os pioneiros da humanidade daquela época.

Da série da Rays from the Rose Cross - Revelações de João, O Divino, traduzido e publicado na Serviço ROSACRUZ de Nov.1965

15 de jul. de 2012

O Argueiro no Olho

por Gilberto Silos

É admirável a atualidade dos ensinamentos bíblicos. Cada preceito parece ter o objetivo de sensibilizar o homem da nossa época, como se tivesse sido escrito nos dias de hoje. E nesse final de milênio (*), em que as relações interpessoais são muito conflitantes, a atitude mais comum é a da crítica. Crítica, julgamento e condenação, como se fossem os donos da verdade.

Lemos em Lucas. Cap.6: “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e serei perdoados.” E ainda nesse mesmo capítulo lemos: “ Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?” .

O homem é extremamente maniqueísta em suas críticas e apreciações. Estabelece linhas divisórias muito rígidas entre aquilo que convencionou chamar de bem e de mal, de certo e errado, de superior e inferior, de feio e belo. É um comportamento temerário, porque o entendimento humano se fundamenta na hipótese de que as coisas são exatamente o que parecem ser. É uma grande precipitação sair por aí tudo rotulando. Bom ou mau, verdadeiro ou falso, útil ou inútil, podem ter um sentido relativo. Aqui no plano material o ser humano raciocina, aprecia, analisa e opina sobre o relativismo das coisas. O que ele conhece do mundo externo chegou à sua consciência através dos sentidos, canais ainda incipientes para lhe oferecer uma visão ainda mais ampla e exata da realidade. O aspecto externo das coisas é o produto de uma atividade interna não perceptível pelos sentidos físicos. Se essa atividade não for conhecida, como compreender o fenômeno externo? Não é o corpo físico que vê, ouve, tateia, respira e raciocina. É o ser interno invisível que o realiza por meio dos órgãos corporais. O homem vê como espelho. Observa a imagem refletida, imperfeita, destorcida. Confunde-a com a realidade, percebendo as coisas mãos pelo que imagina do que pelo que realmente são.

O ensinamento bíblico do “argueiro no olho” corresponde ao que hoje em dia denomina-se autocrítica. Antes de censurar o caráter alheio por que não fazer o mesmo com o nosso próprio? Por que não avaliamos nossa conduta e a maneira como reagimos diante dos multivariados episódios que constituem nosso cotidiano? Se o fizermos com honestidade provavelmente nos absteremos de criticar as pessoas, procurando entender as razões que as levam a agir dessa ou daquela maneira.
Publicado no informativo ECOS, maio, 1997-  da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil