14 de abr. de 2013

A Fonte Da Verdade





















 
Ref.: III João: 1-4

Nestes versículos o apóstolo do Amor realça a diferença entre o regime jeovistico e a Nova Dispensação Cristã. Contrastando com os meios externos de se encontrar a verdade, próprios da Dispensação Mosaica, hoje existe a "lei da liberdade",ou seja, a lei "inserida" no coração do homem por intermédio de Cristo. A voz da verdade (a intuição) ecoa desde o coração, proporcionalmente ao desenvolvimento do princípio do Amor-Sabedoria.

A Filosofia Oculta esclarece cientificamente o processo por meio do qual a inspiração intuitiva opera e como ela pode ser cultivada.

A intuição é uma faculdade espiritual — a faculdade do Espírito de Vida — inerente a todos os espíritos, mas expressando-se melhor quando o Corpo Vital é positivo.

O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, hora após hora, durante toda a vida, grava as recordações nos átomos-sementes, enquanto permanecem frescas. Prepara um arquivo fidelíssimo da vida que, depois na existência post-mortem se imprimirá indelevelmente na alma. O coração está permanentemente em estreito contato com o Espírito de Vida, o espírito do amor e da unidade, o que o torna o foco do amor altruísta. Depois das recordações passarem ao Mundo do Espírito de Vida, em que se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não voltam através dos lentos sentidos físicos mas diretamente através do quarto éter(*) contido no ar que respiramos. O Espírito de Vida pode ver muito mais claramente no seu Mundo do que nos mundos mais densos. No elevado plano que lhe é próprio, está em contato com a Sabedoria Cósmica e, em qualquer situação, sabendo imediatamente o que há de fazer, envia sua mensagem de guia e de ação ao coração. Este logo a re-transmite ao cérebro por meio do nervo pneumogástrico. Assim se formam as "primeiras impressões", os impulsos intuitivos, sempre bons porque emanam diretamente da fonte da Sabedoria e do Amor Cósmico.

A fonte da verdade que "está dentro de nós" é O PRINCIPIO DO ESPÍRITO DE AMOR-SABEDORIA. A manifestação dessa "voz interna" demanda pureza de vida e serviço amoroso prestado aos demais. Isto atrai o éter refletor do Corpo Vital por meio do qual a mensagem intuitiva é impressa, tornando a pessoa mais sensível à sua influência. Max Heindel afirma que o exercício noturno de retrospecção é de grande valia para o desenvolvimento da "voz intuitiva", porque nesse julgamento imparcial de si mesmo, noite apôs noite, o aspirante consegue discernir entre a verdade e o erro, o que não seria possível por outro meio.
(*) quarto éter= éter refletor

19 de mar. de 2013

Armadura Contra A Tentação

por Corinne Heline

A oração e a vontade espiritualizadas constituem a única armadura impenetrável contra as tentações que freqüentemente nos assediam. A admoestação de Paulo apóstolo é: "oremos sem cessar". Cada passo à frente, no Caminho, é acompanhado das provas correspondentes, que visam a avaliar nosso aproveitamento na Escola. A mais sutil delas relaciona-se, em cada nível, às nossas ambições e desejos fundamentais. Satanás (Saturno), dentro e fora de nós, sabe muito bem como tecer e colorir as tentações, se­gundo os temperamentos individuais, arquitetando armadilhas e chamarizes para despertar os que ainda não se encontrem na posse do discernimento espiritual e fortificados internamente. Cristo-Jesus deparou cada fase dessas tentações para conhecer as condições humanas e compassivamente ajudar-nos. Nelas demonstrou, para exemplo, a mais completa renúncia às solicitações mundanas, a par de total ren­dição à Vontade do Pai, no propósito de bem servir os homens. Suas pegadas, bem frescas sempre ao Aspirante sincero, conduzem à verdadeira finalidade da vida e à felicidade real.

As tentações nos vêm, vida após vida, até que o tesouro acumulado no banco celeste tenha sido testado e provado pelas experiências terrestres. Quando o Espírito de Cristo infundiu-se no corpo físico de Jesus, foi levado à Solidão, para provar sua fortaleza ou sua fraqueza. O mesmo cálice continua erguido e cheio, na proporção de cada alma para ser-lhe apresentado após cada experiência celestial, quer entre renascimentos, quer nos mais exaltados estados de consciência ,quando ainda encarnado. Devemos sempre contar com a volta à Terra, a fim de aprender a enfrentar a fornalha ardente da aflição.

A tentação marca o mais importante estágio nos primeiros tempos da vida do Aspirante. Foi uma experiência comum a todos os mestres do mundo. Num manual antigo lê-se: "Toda a mágica operação consiste em libertar-se da antiga serpente e colocar-Ihe sobre a cabeça os pés, pela ascendência da vontade do operador".

Diz o tentador: "Eu te darei todos os reinos da terra, se, prostrado, me adorares". A essa promessa o Iniciado tem apenas uma resposta: "Eu não me ajoelharei diante de ti. Tu, sim, deves prostrar-te diante de meus pés Nada podes dar-me, mas eu posso tirar de ti tudo o que desejar, porque sou teu Senhor e Mestre".

As tentações apresentam-se mais amiudamente nos primeiros estágios evolutivos, porque aludem à segunda iniciação menor. Os Evangelhos de Lucas e Mateus, que se referem aos primeiros passos no Caminho, dão mais ênfase a tentação no deserto. Marcos trata-o ligeiramente. João, cujo Evangelho se ocupa do mais elevado método de desenvolvimento, omite-o.

O Aspirante necessita das experiências do relacionamento com o mundo exterior, para evoluir. Atinge o tempo de provas logo entra na posse do amor, da riqueza, do poder e da fama. Por teste idêntico passa o neófito em outros planos, após cada exaltação de consciência. A tentação é proporcional ao grau de consciência. Quanto mais exaltado seu estado, tanto mais sutil ela surge ao que acaba de vencer mais uma fase e se guinda a uma iniciação ou iluminação superior. O propósito destes testes é sempre idêntico, em todos os graus: como uma sabatina escolar, visa a confirmar a segurança do Aspirante e avaliar como vai ele usar as faculdades e poderes recém adquiridos. O ponto comum da prova é o egoísmo: usará os talentos acrescidos como gratificação pessoal ou de forma impessoal e ampla? Será interesseiro, vaidoso, prepotente ou um servidor altruísta, humilde e amoroso? Em realidade, o egoísmo, em nós, gera o caos na esfera pessoal, social e mundial. Cada egoísta contribui para a desordem social, atraindo, em seu prejuízo, as conseqüências de seus próprios atos e dos outros a que serviu de incentivo e acréscimo vibratório. As guerras, as epidemias, são expressões gerais das convulsões internas e estados mórbidos, emocionais e mentais.

A vitória sobre a tentação é idêntica a uma grande e branca estrela, que permanece inspiradora e luminosa, acima do horizonte do mundo. "Sozinho, Ele foi tentado e ainda permaneceu sem pecado". Na solidão dos quarenta dias no Deserto, Cristo conquistou completamente aquilo que ainda restava da fragilidade e dubiedade humanas, em a santa natureza de Jesus, uma parte do trabalho empreendido naqueles quarenta dias foi empregada inteiramente na reforma dos corpúsculos vermelhos do sangue, porque, segundo sabemos, só ficará inteiramente individualizado o Ego que alcançar a capacidade de elaborar, ele próprio, seu sangue, além de submeter à sua vontade a transubstanciada energia marciana contida nele. Forma-se o sangue pela alimentação, mas sua transubstanciação depende do bom uso do pensamento. Esta alquimia, realizada no sangue de Jesus, por Cristo, carregava-o de tão tremendo poder que seus corpos mal o podiam suportar em coesão.

Somente após esse segundo passo iniciático pôde Cristo-Jesus iniciar Seu Grande Trabalho. De acordo com Mateus foi logo após esse evento que Ele escolheu Seus discípulos e pronunciou o Sermão da Montanha. Marcos relata a realização de inúmeras curas, seguindo ao mesmo acontecimento. Lucas relata a grande pesca, tão simbólica e de ricas analogias. Em cada citação temos pormenores completos do processo que se segue à conquista da Tentação, segundo a delineação do caminho de desenvolvimento.

Na medida que avançamos na Estrada da Realização Espiritual, as sutilezas da Tentação aumentam, explorando sempre nossos pontos fracos. Depois do Batismo vem a Tentação; em seguida à transfiguração.

Ultima Ceia e Lavapés, o teste de sofrimento no Getsêmani, a estigmatização do abandono e da renúncia. Antes da Ressurreição e Ascensão, a amarga experiência do calvário.

A Tentação é a barreira de passagem e um acelerador do crescimento anímico. Enfrentando-a corretamente, pelo devido preparo, como o da Rosacruz, cada prova se torna um degrau para mais alta realização e maiores conseguimentos. como ficou provado na vida do Mestre, exemplo de todos.

A Divina Senhora tonalizou-se de tal modo com Cristo desde o Batismo que, apesar da separação pela distância estava sempre apta a acompanhá-lo em seu ministério. Em espírito encontrava-se com Ele, em cada experiência da Tentação. Encerrada em seu pequeno santuário durante os quarenta dias e quarenta noites de Jejum, a grande Iniciada Maria desenvolveu um importante trabalho de cooperação com seu Senhor, de purificação e sublimidade vibratória do planeta, ilustrando um perfeito modelo a ser imitado por toda a raça humana, ou seja: ser tentada e permanecer pura.
traduzido da Rays from the Rose Cross, publicado na revista Serviço Rosacruz em abril de 1968

3 de mar. de 2013

A Àrvore da Vida

 
Deus, o Arquiteto de nosso Sistema Solar, é Trino. Seus atributos são: Vontade-Poder; Amor-Sabedoria; Moção-Atividade. O aspecto de Amor-Sabedoria é o que expressa Cristo-Cósmico o mais alto iniciado do Período Solar. Um raio do Cristo Cósmico penetrou na Terra, tornando-se desde então seu Espírito Interno e, daí para diante, tem infundido nos homens os sentimentos de altruísmo para aquisição de uma consciência idêntica à sua. Comumente Cristo usa o Espírito de Vida como veículo de expressão mais inferior de sua natureza. Funcionando conscientemente no Mundo do Espírito de Vida, o primeiro dos Mundos Universais, Ele se reflete no corpo vital dos homens, assim como aquele mundo (o seu) se reflete na Região Etérica de nosso globo. Foi ao Reino de Cristo e à Sua Consciência que São João se referiu, ao falar do "rio puro da água da vida". Igualmente, pela boca de João Evangelista o Cristo exprimiu a mesma idéia, ao dizer: "Mas aquele que beber da água que Eu lhe der, nunca terá sede, porque a água de que eu lhe der se fará nele uma fonte que salte para a vida eterna"; e mais ainda, quando disse em João, cap. 7, vers. 37: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba".
A árvore da vida é a "faculdade de regeneração da força vital", possível por meio da nova taça de vinho mencionada como o ideal a ser atingido na futura Época,a Nova Galiléia - um órgão etérico na parte in­terna da cabeça e da laringe, construído pela força sexual libertada e sublimada, o qual, à vista espiritual aparece como o caule de uma flor que ascende da parte inferior do tronco. Esse cálix ou a taça da semente é o verdadeiro órgão criador, capaz de pronunciar a palavra de vida e de poder.
"A palavra atual é gerada, produzida, pelos movimentos imperfeitos dos músculos os quais regulam a laringe, a língua e os lábios para que o ar que vem dos pulmões torne possível determinados sons. Porém o ar é um meio denso difícil de manipular, em comparação com as mais refinadas forças da natureza, tais como a eletricidade, que se movi­menta no éter. Quando esse novo órgão tiver sido desenvolvido, tornar-se-á possível falar a palavra de vida e infundir vitalidade em substâncias que atualmente são inertes. “Presentemente, aqueles que beberem da taça da abnegação, e que podem usar sua força no serviço aos demais, estão construindo esse órgão, juntamente com o corpo-alma, que é o manto nupcial. Estão aprendendo a usar esse órgão de um modo incipiente como Auxiliares Invisíveis quando se encontram fora de seus corpos à noite, que é quando são ensinados a pronunciar a palavra do poder que remove doenças e constrói tecidos saudáveis” (Max Heindel, O Corpo Vital – Cap. IV).
Na Nova Galiléia a humanidade viverá no ar, em seus corpos luminosos, numa Terra feita de éter. O Amor e a Fraternidade prevalecerão e o Cristo (que terá vindo pela segunda vez) reinará como Melquizedeque (Rei e Sacerdote).
publicado na revista Serviço Rosacruz, setembro, 1965

22 de fev. de 2013

Sacrificar o Medo

por Gilberto Silos
"O perfeito amor elimina o medo." (Max Heindel)

Ref.: Mateus, Cap, 6,8 e 9

Todo aquele que aspira avançar no Caminho espiritual deve dispor-se ao auto-sacrifício e ao serviço amoroso. Sacrifício dos interesses pessoais, dos desejos, planos, de tempo, comodidade, saúde, paixões. Pela cabeça de pouca gente passa a idéia de sacrificar o medo.

O medo é um dos maiores obstáculos que o aspirante deve vencer para converter-se em auxiliar invisível consciente. É mister convencer-se de que no Mundo do Desejo nem o fogo, nem algum objeto ou entidade pode atingi-lo de alguma forma. Esse destemor deve ser cultivado aqui no plano físico na condição de auxiliar visível.

Vários tipos de medo podem assaltar o aspirante. Para cada um há uma resposta nos Evangelhos. Essa resposta é sempre a fé, a confiança na ação das leis cósmicas. Os temores mais comuns dizem respeito à pobreza ou necessidade material, às enfermidades, à morte ou acidentes de um modo geral.

1) Medo da necessidade material: Mateus, capítulo 6: "Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura não valei vós mais do que as aves?"

2) Medo da morte, de acidentes ou de situações perigosas: Mateus, capítulo 8: "Então, entrando ele no barco seus discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia. Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos, pereceremos. Acudiu-lhes Jesus: 'Por que sois tímidos, homens de pouca fé? E, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e fez-se grande bonança.

3) Medo da enfermidade: Mateus, capítulo 9:" Eis que uma mulher que durante 12 anos vinha padecendo de uma hemorragia veio por trás dele e lhe tocou a orla da veste, porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada. E Jesus, voltando-se e vendo-a disse: Tem bom ânimo filha, a tua fé te salvou. E desde aquele instante a mulher ficou sã".

Há entretanto, outra espécie de medo, sutil, nem sempre considerado como tal: é a timidez. É o receio de expor-se, o temor da auto-afirmação em público, que leva alguém a ser observado, analisado e criticado.

Para fugir a essa situação, o tímido procurará justificar-se, dizendo que não se exporá publicamente por discrição, por ser retraído. Muita gente capaz e talentosa não permite que sua luz brilhe devido à timidez. Esse sentimento representa falta de confiança em si mesmo, o que é a negação do Deus Interno. A timidez é uma forma de orgulho, de egocentrismo. O tímido, ao invés de concentrar-se no que poderia fazer em benefício dos demais, concentra-se em si mesmo, temendo ser observado e criticado. Omite o bem para preservar-se. Não é amoroso. É medroso.

Uma sugestão para os tímidos é cultivar o amor, o desprendimento. Max Heindel afirmou que só o perfeito amor elimina o medo.

9 de fev. de 2013

O Sacrifício Humano

(por Osvado Madureira)
(uma gravura e um texto para reflexão)
 
Ref.: Hebreus, cap.9
Já na Antiga Aliança era ensinado à humanidade que ela deveria sacrificar o melhor espécime de seu rebanho a Jeová, o Espírito de Raça.
A humanidade comum dessa época identificava a sua "natureza inferior" com o reino animal e sacrificar o melhor do seu rebanho era como sacrificar a sua própria Natureza Superior. Era um sacrifício sem eficácia para aperfeiçoar a consciência de quem se prestava ao culto. O Tabernáculo no Deserto erigido nessa época, servia de ligação do homem com Deus. E aos vanguardeiros da humanidade ali era dada a Iniciação.
Versículo 23: "Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem..."
 
A Nova Aliança inaugurada por Cristo vem resgatar a humanidade que, cristalizada pelo egoísmo corria o perigo de ter a sua evolução frustrada. Cristo o mais alto Iniciado do Período Solar, vem através de Seu AUTO SACRIFÍCIO resgatar os pecados do Mundo, purificando os corpos vital, de desejos e mental do planeta Terra ( vers.23 a 26).
Versículo 27: "E assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disso vem o juízo, assim também Cristo se ofereceu uma só vez para apagar os pecados de muitos..."
O sangue derramado por Jesus Cristo (em cinco pontos), O torna Regente da Terra, e assim permanecerá até que uma classe da humanidade cresça e atinja a Sua estatura, quando então receberá de Cristo, na Sua segunda volta, o legado de reger a Terra (vers. 27 e 28). 
(publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz-Sede Central do Brasil, março, 1997)

25 de jan. de 2013

A Unidade De Cada Um Com Todos

 por Gilberto Silos


















De todas as verdades que os Seres Superiores estão projetando sobre a Terra, nenhuma há mais importante e essencial para o progresso da raça humana, do que aquela que enuncia "a fundamental unidade de cada um com todos." Quanto mais rápida e completamente possam as pessoas do mundo inteiro aprender esta verdade fundamental, tanto mais brevemente transcenderão a guerra e os males, integrando-se no rumo ascensional da evolução.
A Filosofia Rosacruz nos ensina que o Universo e tudo o que nele se encontra funciona de acordo com um modelo divino, baseado em leis imutáveis. No início de nossa grande peregrinação setenária interna e ex­ternamente da matéria, nosso Deus Solar diferenciou dentro de si uma hoste de Espíritos Virginais, possuindo cada um deles a consciência total e dotado potencialmente de todos os poderes de seu Criador, que os enviou à materialidade.
Esses Espíritos, no curso de sua longa peregrinação, adquiriram veículos individuais de crescente densidade, que lhes deram a ilusão de separatividade. Além disso, a fim de ajudá-los a levar a carga humana; os Seres Superiores separaram-nos em raças e deram-lhes religiões peculiares adaptadas às suas necessidades. Contudo, o egoísmo neles sus­citado pelos Espíritos Lucíferos originou excessiva cristalização em seus corpos rácicos, de tal modo que, com o tempo, a maioria da humanidade estava a ponto de retroceder.
Com intuito de evitar um atraso desastroso na evolução da humanidade, Cristo, o poderoso Espírito Solar, uma emanação do Princípio do Cristo Cósmico e incorporação do poder do Amor-Sabedoria, voluntariamente veio a Terra e nela viveu pelo espaço de três anos e meio nos corpos denso e vital de um homem — Jesus — que era um alto iniciado de nossa onda evolutiva humana. Jesus foi especialmente preparado para desempenhar sua parte nesse importante drama cósmico. Na crucificação, o Espírito de Cristo deixou os corpos de Jesus e por meio de Seu sangue entrou na Terra, tornando-se o Espírito Interno de nosso planeta. Desde então irradia com intensidade crescente poderosíssimas vibrações através da Terra.
Cristo representa o princípio Unificante que se difunde no Universo - o Segundo Aspecto Macrocósmico do Deus de nosso sistema solar, bem como do microcósmico, no homem. A vinda desse Poder à Terra trouxe um ímpeto definido à humanidade, no sentido de livrá-la das cadeias da raça, do credo e do sexo. Deu-nos, outrossim, a possibilidade para compreender o princípio da unidade de cada um com todos, de modo a pô-lo em prática, na conquista de uma verdadeira fraternidade humana.

Realmente não podemos fugir à realidade de que todos os seres humanos quer no plano invisível, quer no visível, estão unidos por intangíveis e indissolúveis laços do espírito, tão reais como os que unem a Luz com o Sol de onde veio.
Desse modo, tudo o que nós, indivíduos, possamos pensar, sentir, dizer ou fazer afeta não somente a nós mesmos como também aos semelhantes, tanto os remotamente distantes como os que nos estão próximos.
Ainda que o tentássemos por todos meios, não podemos viver apenas como indivíduos, ou famílias, ou comunidades ou nações separadas, porque realmente vivemos todos num só mundo. Funcionando em nossos veículos físicos vivemos no Mundo Físico, e ao deixar esses veículos, pela morte, entraremos nos reinos suprafísicos, e lá continuaremos fazendo parte de nosso Criador e estaremos sob Sua guarda.
Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?
Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama,
eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extermidades do mar,
até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.
                                                                                                               (Salmos 139:7-10)
publicado na revista Serviço Rosacruz, julho, 1965

6 de jan. de 2013

Os Três Homens Sábios

por Corinne Heline
 Ref.: Mateus, 2: 1-2 e 7-11
O Evangelho de Mateus é denominado com muita propriedade de “Evangelho da Dedicação”, porque contém a relato da vinda dos três homens sábios desde o oriente.
Antigo comentário a respeito de Mateus diz que a Estrela na sua primeira aparição tinha a forma radiante de uma criança levando a cruz. Os três Iniciados ou Homens Sábios, contemplando a Estrela, levantaram-se e jubilosos iniciaram a longa e perigosa jornada através do deserto, rumo à Jerusalém. Ao chegarem, indagaram ansiosamente: “Onde está Aquele que nasceu Rei dos Judeus?”
Essa pergunta interessou a Herodes e a toda comunidade judaica. Perguntaram ao Superior dos Sacerdotes: “ Onde está o jovem Rei que acaba de nascer?” Os sacerdotes responderam: “Em Belém da Judéia”.
Seguindo a direção da Estrela atingiram a pequena cidade de Belém e lá encontraram não um princepezinho real nascido num palácio, rodeado por um corpo de servidores, mas apenas uma graciosa criança, deitada na humilde manjedoura, onde o gado e outros animais alimentavam-se.
A humildade, a fé e a reverência foram proclamadas realmente pelos Sábios Homens, os quais se prostraram diante da bela Criança, dedicando-se a si mesmos ao novo Rei do Mundo.
Os três Homens Sábios representam a dedicação integral do Espírito (ouro), da Alma (mirra) e do Corpo (incenso). Depois de o Cristo ter nascido internamente, o passo seguinte no processo de desenvolvimento espiritual deverá ser essa dedicação ao Mestre e ao Seu trabalho, para que o Cristo recém-nato deva crescer à estatura do adulto. O Espírito é simbolizado pelo ouro, que é portador do mais elevado poder vibratório entre todos os metais. O corpo, representado pelo incenso, é um símbolo bem adequado ao menos duradouro veículo do Espírito. A alma, representada pela mirra (planta natural da Arábia, difícil de ser encontrada, apresentando um gosto extremamente amargo, possuindo porém uma fragrância primorosa e incomum) simboliza o extrato anímico das experiências que o Espírito entesoura no corpo, e que constitui o propósito integral da vida no plano físico, sendo na verdade o sinônimo  do caminho do discipulado, porque de fato o corpo-alma de um santo emite uma fragrância delicada que tem dado origem a belíssimas lendas da Igreja.
A tradição afirma  que Gaspar era muito idoso, usava uma barba branca, era rei de Tarsus, a terra dos mercadores e sua dádiva à Criança foi ouro. Melchior, de meia idade, rei da Arábia deu incenso; ao passo que Baltazar, o rei negro e o mais moço, nascido em Seba ou Sheba, a terra das especiarias e da rezina, apresentou como dádiva a mirra.
O Caminho da Transmutação do neófito, algumas vezes é chamado de Transfiguração, e ocorre sempre na jornada dos Homens Sábios, pois por esse processo todos se tornam Homens Sábios.
 Na catedral de Colônia existe um altar onde estão três crânios com os nomes dos três Homens Sábios, nomes esses formados por rubis. O rubi designa-se como a pedra do Cristianismo, porque simboliza a purificação da natureza de desejos e a espiritualização da mente, o trabalho primordial da Dispensação Cristã.
Segundo a lenda, Maria entregou as faixas de linho que envolviam o puro corpo da sublime Criança aos Homens Sábios, os quais agradeceram com humildade e alegria, colocando a preciosa dádiva entre os seus maiores tesouros. Após regressarem às suas pátrias, imitaram a pobreza e humildade Daquele que reverenciaram em Belém, distribuindo seus bens entre os necessitados e pregando o novo ideal recém-inaugurado.
A lenda, ainda nos diz que os Homens Sábios, quando morreram, receberam a coroa da vida imortal, em troca dos bens terrenos que renunciaram. Seus despojos foram encontrados muito tempo depois pela Imperatriz Helena, mãe de Constantino, que os trasladou para Constantinopla, donde posteriormente foram levados para Milão e ulteriormente depositados na catedral de Colônia.
Retribuindo as dádivas que Lhes foram ofertadas, o Mestre outorgou-Lhes posses de valor transcendental a qualquer bem material: pela taça de ouro deu a caridade e os bens espirituais; pelo incenso, a fé perfeita; e pela mirra, a verdade e a brandura, qualidades que representam as virtudes indispensáveis para aqueles que aspiram à iniciação. Ele também poderá nos conceder essas dádivas, desde que nos dediquemos de corpo, de alma e de Espírito à missão de preparar a vinda futura de Seu Reino sobre a Terra.
Analisando-se profundamente os fatos mencionados, relatados através de várias lendas, evidencia-se que os Magos eram Iniciados. A palavra Mago significa aquele que se dedica à Magia, que possui a consciência da vida noturna ou de sonho. Foi durante esse período noturno que os Homens Sábios receberam esclarecimentos referentes a vinda do Salvador. O Santo nascimento foi saudado em muitos lugares com profundo regozijo, porquanto os Homens Sábios de todas as nações já vinham sendo preparados a muito tempo para esse extraordinário acontecimento, o que por sua vez incitou a animosidade de Herodes, advindo então o decreto alusivo à matança dos inocentes.
Os Homens Sábios viajavam tanto de dia como à noite sob a Luz da Estrela Misteriosa, guardados pelo glorioso Arcanjo, o Cristo. É dito que durante a jornada, os Homens Sábios observaram as maravilhas da Virgem e da Criança. Isto é, leram o sublime acontecimento na Memória da Natureza, e depois, ao entrarem no estábulo, obtiveram a confirmação material do fato, contemplando a beleza celestial da Divina Mãe e da Criança, rodeados por uma luz deslumbrante, de maneira idêntica aos que haviam observado nos Eternos Registros da Natureza.
publicado na revista Serviço Rosacruz, abril, 1967