Mostrando postagens com marcador Corinne Heline. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Corinne Heline. Mostrar todas as postagens

29 de abr. de 2017

A Visita de Maria

por Corinne Heline
REF. Lucas, cap. 1
Assim como a Virgem Maria, outra iniciada feminina da Ordem dos Essênios que avançou grandemente no caminho da realização anímica, foi Isabel, esposa do Sumo Sacerdote Zacarias, mãe de João Batista e prima da abençoada Virgem Maria. Tanto Zacarias como Isabel igualmente como José e Maria, eram Essênios e receberam a anunciação evangélica, sendo os agentes de uma imaculada concepção. Foram eles os instrumentos de expressão de um elevado Ego, descrito pelo Mestre como "o maior dos nascidos de mulher" que renasceu na pessoa de João, o Batista.

As duas, Maria e Isabel, conheciam seus filhos antes deles renascerem, quando ainda se encontravam entre os Anjos do céu. Foi o chamamento anímico desses dois grandes Mestres que despertou os poderes espirituais latentes daquelas mulheres excepcionais: destinadas a lhes servirem, honrosamente de mães na carne. A visita de Maria a Isabel, com as memoráveis semanas que permaneceram juntas em companhia dos Anjos na solene santidade das montanhas e dos campos, foi um superior sucesso do espírito destacado nos registros cósmicos para emulação de todas as demais mulheres do mundo que, em todos os tempos futuros, as desejarem seguir.

Lendo cuidadosamente o Evangelho de Lucas, notar-se-á que o Ego que tomou o nome de João, o Batista, já se encontrava trabalhando com sua mãe, na preparação de seu veículo físico. Ativo e consciente, no ventre de Isabel, como Espírito, percebeu a vinda de Maria e a saudou com alegria. Para esses exaltados Seres não existem barreiras, nem mesmo a da chamada "morte". Funcionam sempre no mais sublime estado de consciência, num contínuo ser e vir a ser.

Isabel e João foram igualmente beneficiados pela visita de Maria. A história da comunhão delas – essas santas mulheres – e os Egos-Mestres que viriam a ser seus filhos carnais, no silêncio das montanhas e dos campos, é uma das mais belas gemas bíblicas que servem de inspiração para as mães da nova era.

 Cada futura mãe é influenciada pelo Espírito que virá, por ela, reencarnar durante os meses de êxtase. A Santa Maria foi particularmente susceptível às tremendas vibrações espirituais do Sumo Mestre Jesus. Ela caminhava com nova beleza e graça. Suas palavras eram um contínuo fluir de Sabedoria que anteriormente não possuía em tamanha proporção e espontaneidade. A radiação da luz que a rodeava (aura) era deslumbrante à visão comum.

No momento em que Maria entrou no jardim de Isabel, esta se achava banhada pelo poder do espírito e saudou aquela como a mãe do Ungido celestial. Também Maria foi levada a uma exaltação de consciência quando percebeu o papel que Isabel iria assumir na vida de seu filho Jesus. Em exaltação e ação de graças, entoou ela estas belíssimas palavras: "Minha alma engrandece ao Senhor".

Durante a visita, Maria usou o aposento e o altar de Isabel e muitas foram as horas de êxtase de comunhão espiritual que as duas santas e futuras mães juntas passaram no adorável e silencioso jardim. Foi assim que elas viveram os três mais importantes meses da época pré-natal, nas montanhas, física e espiritualmente simbolizando a elevação do conhecimento espiritual.

E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?
Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.
Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas.
Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,  
Lucas 1:43-46

Zacharias viu, além disso, que seria um grande privilégio seu ajudar a prover um corpo físico para uso de tão grande Espírito, durante sua missão na Terra.

E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas.
E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir.
E o povo estava esperando a Zacarias, e maravilhava-se de que tanto se demorasse no templo.
E, saindo ele, não lhes podia falar; e entenderam que tinha tido uma visão no templo. E falava por acenos, e ficou mudo. Lucas 1:19-22

Essas experiências muito elevadas são impossíveis de serem descritas na linguagem humana. Por essa razão os segredos da iniciação devem permanecer velados para muitos. Só podem ser revelados àqueles que se acham aptos a recebê-los. Aqueles que os recebem devem permanecer silenciosos aos que os esperam foram do Lugar Santo, mesmo que eles percebam que ele tenha tido uma visão no Templo.

Tal experiência provoca sempre naquele que a recebe, uma transformação interior que o distingue da média dos homens. Ele passará a difundir uma estranha radiação de sua aura. Suas palavras quer faladas, quer escritas, comunicam uma vibração de vida, cuja descrição é bem difícil fazer-se adequadamente. Suas criações, sejam pela palavra escrita ou oral, sejam por meio de alguma forma artística, levarão sempre infundidos, íntimos significados, reconhecíveis apenas por aqueles que se acham trilhando o mesmo caminho de iluminação interna.

E completou-se para Isabel o tempo de dar à luz, e teve um filho.
E os seus vizinhos e parentes ouviram que tinha Deus usado para com ela de grande misericórdia, e alegraram-se com ela.
E aconteceu que, ao oitavo dia, vieram circuncidar o menino, e lhe chamavam Zacarias, o nome de seu pai.
E, respondendo sua mãe, disse: Não, porém será chamado João.
E disseram-lhe: Ninguém há na tua parentela que se chame por este nome.
E perguntaram por acenos ao pai como queria que lhe chamassem.
E, pedindo ele uma tabuinha de escrever, escreveu, dizendo: O seu nome é João. E todos se maravilharam.
E logo a boca se lhe abriu, e a língua se lhe soltou; e falava, louvando a Deus. 
Lucas 1:57-64

Esta “lenda mística” acrescenta que foi João abençoado com uma belíssima infância e que o espírito de Deus constantemente lhe iluminava a face e as palavras.

Quando Herodes emitiu o decreto que todas as crianças do sexo masculino, até a idade de dois anos, deveriam ser mortas, Isabel tomou seu filho Yohan (João) – o nome da vida, e com ele fugiu para o deserto onde nenhuma pessoa vivia. Os anjos acompanharam-nos nessa jornada e os protegeram. Quanto à Zacharias foi morto pelos soldados defronte ao santuário, depois de lhes haver informado que o menino se encontrava oculto e seguro no deserto.

O ponto essencial das forças do mal, mais ativas nesse tempo, se concentrava na corte de Herodes. Herodes tinha dupla razão para mandar chacinar os inocentes: primeiro porque desejava frustrar o trabalho que as grandes Hierarquias estavam realizando para que se consumasse a salvação do mundo por meio de Jesus. Em segundo lugar, essa matança era uma forma de se conseguir sangue, no qual sabia encontrar a força mágica, a essência vital para a realização de seus propósitos malvados, ainda que a custa de vítimas inocentes e puras.

Tanto os Irmãos da Grande Irmandade Branca como os da Negra tem um método de transferência da essência do sangue para “algo mais”. Essa verdade é escrita no estranho hieróglifo de Abraão, o judeu, descoberto pelo alquimista Flamel. Nele se explica como por meio do massacre de inocentes, foi gerada a força mais tarde empregada por Herodes e sua corte em práticas nefandas.

Sempre houve um íntimo laço anímico entre Maria e sua prima Isabel, bem como entre seus filhos Jesus e João, o Batista. Ao tempo da perseguição de Herodes foi Maria, que em corpo astral,  avisou Isabel para fugir com o menino para o deserto. Passando logo depois nas proximidades desse local, a Sagrada Família alegremente os saudou em espírito.

Quando João,o arauto de Cristo ,era ainda jovem, sua mãe Isabel passou para o “mais além “,ocasião em que o rapaz ficou sob os cuidados de um santo homem do deserto,um iluminado essênio incumbido de prepará-lo para essa missão.

Nem a morte, nem o tempo, nem o espaço físico jamais constituíram barreiras para os Iniciados. Por isso muitas vezes recebeu João a visita de seus pais e tios. E, ambos os meninos, Jesus e João, cresceram, portanto, juntos, em graça e sabedoria.


Esse belo relacionamento de espíritos tornou-se mais forte e vibrante com os anos. Durante sua prisão recebeu João, muitas vezes, a visita de Maria e Jesus. Avisado da aproximação de grande luz que seus olhos espirituais podiam vislumbrar e que, penetrando se difundia por toda a cela, caia João de joelhos, e adoração e reverência. E além dos dois iluminados visitantes estavam hostes de anjos.

Ao chegar o tempo de seu martírio, esse elevado espírito, João, partiu da escuridão para a Luz, num consciente sacrifício, de boa vontade, em nome de seu Senhor. 

Traduzido da Rays from the Rose Cross (década de 1965) publicado na revista Serviço Rosacruz, de setembro a novembro de 1966.

22 de jan. de 2015

O Sacramento da Purificação

                                                                                                           por Corinne Heline (*)
A Circuncisão tem um significado completamente diferente daquele associado com o Ritual. Trata-se de uma cerimonia simbolizando a integral subjugação do homem inferior, daí a designação de Ritual da Purificação, ou seja um passo preparatório para o grau superior do Batismo.

Segundo a Lei, toda criança do sexo masculino deve ser circuncidada depois de oito dias do nascimento. Na vida da Santa Criança esse ritual embora em sua forma exterior tivesse sido executado como os demais, processou-se sob a égide de mensageiros angélicos, que durante a cerimonia entoavam hosanas de louvores e exaltação Àquele que veio à Terra como o supremo modelo do homem e que derramava Seu sangue como prova de supremo sacrifício a que teria de submeter-se.

Outro e mais radiante arauto angélico trazia faixas de luz, nas quais encontravam-se escritas as seguintes palavras: "Jesus é o Seu nome,"
Maria que sempre se encontrava perfeitamente tonalizada com o seu abençoado filho, sentia juntamente com Ele toda a agonia física do Ritual e ao mesmo tempo alegrava-se com a homenagem prestada pelos Anjos.

A APRESENTAÇÃO

"E, cumprindo-se os dias da Purificação, segundo a Lei de Moisés. O levaram a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor." (Lucas – 2:22)

Há algo a considerar com referência ao significado esotérico do período de quarenta dias que, em verdade, compreende uma fase de preparação para um trabalho mais elevado e não literalmente um simples e determinado número de dias. A Santa Família levava avante o seu trabalho, assinalado pelos três eventos essenciais: a Circuncisão, a Purificação e a Visita dos Homens Sábios.

Quarenta dias após a Natividade. Maria e José apresentaram-se no Templo de Jerusalém para a cerimonia da Purificação conforme ordenava a Lei. Aqueles que assim o faziam, levavam ovelhas como oferendas para o sacrifício. Os pobres ofe­reciam pombas, cujo simbolismo era compreendido pelos mais esclarecidos. Os Iluminados de todas as idades ofereciam somente flores, frutas e grãos, porque sabiam que esses elementos eram as manifestações externas do Grande Espírito da Terra.

"E eis que havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, e esperava consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele."
"E fora-lhe divinamente revelado pelo Espirito Santo que êle não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor."
"E pelo Espírito foi ao Templo, e quando os pais introduziram o menino Jesus, para com êle precederem segundo o uso da Lei. ele então O tomou em seus braços, e louvou a Deus e disse:
"Agora, Senhor, despedes em paz o Teu servo, segundo a Tua palavra.Pois já os meus olhos viram a Tua salvação." (Lucas 2:25-30).

O nome Jesus foi dado à Santa Criança no Ritual da Circuncisão. Jesus em hebreu é sinônimo de Joshua, que significa "salvação'. Esse era o título usado pelos anciãos para designar o Sol, bem como entre os gregos o nome místico Jas serve para designar o Deus Sol, Dionisius. Jod é a mais importante letra do alfabeto hebreu, cujo símbolo constitui uma parte de cada uma das vinte e duas letras desse alfabeto. Representa o poder do Ego, o EU que eventualmente tornou-se o EU SOU.

"E Simeão os abençoou, o disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que será contradito;" "B uma espada transpassará também a tua própria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações." (Lucas 2:34-35).

Simeão, por meio da revelação espiritual viu a verdadeira finalidade da missão de Jesus, o instrumento para o Cristo, bem como o triunfo glorioso do verdadeiro Cristianismo. A manifestação profética de Simeão, aludindo-se a Maria, traduz um significado profundo e místico: "Uma espada transpassará também a tua própria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações."

Maria simboliza o elemento feminino no corpo do próprio homem. A sua redenção realiza-se por meio da dor, o único meio pelo qual a humanidade alcançará a salvação permanente. Como Cristo Jesus, Maria representa a consumação perfeita do trabalho interno que deverá realizar-se nos indivíduos de cada uma das raças. Esse progresso por meio do qual a espada da Verdade transpassará a alma, é delineado nas Sete Tribulações de Maria. Esta compreendeu que todos os grandiosos eventos, tanto de sua vida, como da vida de Jesus, marcariam graus definidos para a futura cristianização de todos os homens, daí a importância vital desses Rituais simbólicos.

* parte 9 (fev,1966) da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974.Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz, março de 1967.  Mais artigos dessa série aqui.

5 de jan. de 2014

Os Pastores Iniciados

por Corinne Heline (*)
Ref.: Lucas 2:15 a 17
“E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;”

Quem eram esses pastores que se mantinham vigilantes à noite?

Naqueles tempos a grande fonte da economia eram os carneiros, e, por esta razão centenas de pastores viviam pelas colinas da Judéia, sem que, entretanto, a maioria notasse algo de extraordinário naquela noite.

O estudante do Cristianismo Místico sabe, porém, que esses pastores a quem o Anjo do Senhor apareceu, eram os Iniciados da Religião Ariana (o Carneiro), e como homens de elevada espiritualidade que eram, puderam clarividentemente perceber o Anjo mensageiro e clariaudientemente ouviram os cantos celestiais, proclamando a Nova Época que se inaugurava naquela noite. Foi na verdade, uma Noite Santa para a humanidade; foi a abertura do novo caminho que espiritualmente livrará o homem da roda do nascimento e da morte, possibilitando a todos aqueles que desejarem, beber da Água da Vida.

O nome David significa “bem amado”; Belém, a “casa do pão” ou o “princípio do coração” ou ainda o feminino manifestando-se em todas as coisas, do átomo até Deus. O desejo natural deve ser purificado e esse amor ou “princípio coração” deve ser expandido antes de Cristo poder nascer dentro de nós, pois as passagens da Bíblia correlacionam-se intimamente com nossas próprias vidas. Assim embora José e Maria vivessem em Nazareth, a setenta milhas além, era necessário, de acordo com a lei, que eles se deslocassem para Belém na ocasião em que se deu o nascimento da Criança. Similarmente, o grande princípio redentor do amor não poderá nascer em nenhum outro lugar, a não ser em Belém, que é a representação da vida purificada.

Jesus nasceu numa manjedoura, os animais alimentavam-se. Esse lugar representa a natureza dos desejos inferiores, que deve ser regenerada antes que o poder do Cristo possa nascer na estalagem, a qual simboliza a cabeça.

Assim, cada neófito no caminho da Iniciação deve também deixar Nazareth – a vida material – e iniciar a jornada a Belém, a vida impessoal purificada. Cada um verificará a princípio que não há acomodações na estalagem e que o nascimento deve ter lugar numa manjedoura onde os animais alimentam-se. Esse é realmente o significado do Natal.

Pouco significa para Jesus que reverenciemos o Seu nascimento na Santa Noite, pois o importante é que possamos aprender a segui-Lo, encontrando o caminho que nos conduzirá à realização da nossa Noite Santa individual. Canta Angelus Silesius:


"Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
Em vão olharás a Cruz do Gólgota
A menos que dentro de ti, ela seja novamente erguida. "


(*) parte 9 (fev,1966) da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974. Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz de março, 1967.


29 de nov. de 2013

O Rito da Natividade

por Corinne Heline (*)
Ref.: Lucas,2:7-14
Jesus nasceu quando o Sol entrou, em Capricórnio, o signo do mestrado, o despertador da consciência do Cristo e o regente da santa estação, o Solstício de Inverno.(para o Hemisfério Norte). Lemos em Lucas:2:7-14,
"E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e depositou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem".
"Ora havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho";
"E eis que o Anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande terror".
"E o Anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos dou novas de grande alegria, que será para todo o povo":
"Que hoje, na cidade de David, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor".
"E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura"
"E, no mesmo instante apareceu com o Anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo":
"Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para os homens"

A Iniciação é um processo cósmico de iluminação e de liberação de poder. As experiências que a ela se relacionam são semelhantes para todos. Essa é a razão por que Buda, Krishna Agni, o deus do fogo, Osiris, Zeus, Mitras, Dionisius, Hermes e muitos outros foram considerados terem nascido de virgens mães por meio da imaculada concepção, nascimentos esses que tiveram lugar, como o de Jesus à meia noite, numa caverna, numa gruta ou num estábulo. Assim é como que uma constante, todo mensageiro que venha inaugurar uma grande religião mundial, deve ser imaculadamente concebido, vindo a nascer envolto pela íntima e mística beleza do significado que tal concepção.
Um Ego assim nascido é chamado "uma alma velha", alguém que já teve inúmeras vidas de preparação na Terra, durante as quais desenvolveu uma su­blime compaixão que o qualifica a viver uma vida de auto renúncia, indis­pensável para tornar-se Mestre de seu povo. Tal Ego é cuidadosamente vigia­do e amparado pelas Hierarquias Divinas que guardam a evolução humana. O seu nascimento é inolvidável evento que Anjos e Arcanjos aguardam, esperam e cantam hosanas quando suavemente essa alma é levada a nascer. A Kabala afirma que os Querubins e Serafins (os Senhores de Câncer e de Gêmeos) uniram-se ao coro angélico para anunciar o nascimento do Mestre Jesus, cantando "Paz na terra e boa vontade entre os homens", a mensagem cheia de profundo significado esotérico que acompanhou a Nova Dispensação foi introduzida no mundo, fazendo que em Nome de Cristo-Jesus todo joelho se dobre e todas as vozes proclamem Sua gloria transcendente como Senhor e Re­gente da Terra.
O nascimento do Salvador do Mundo foi um evento cósmico sem significado paralelo, não surpreendendo, portanto que ele se retrate nos céus ano após ano. Nas estrelas temos uma biografia dos Grandes Seres que vêm à terra cumprir missões mundiais. "Como é em cima assim é embaixo". Em letras flamejantes - para  aqueles que podem ler – está escrito na abóboda celeste, todos os anos na santa estação do Natal, o cósmico delinear do grande evento de Cristo.
Ao tempo do Solstício de Inverno, o Sol, a luz física do mundo material, atinge sua mais extrema declinação meridional. O hemisfério norte fica então parcialmente morto na medida em que a sua dadivosa e beneficente vida lhe diz respeito. Então se torna como que necessário o nascimento de um novo deus de luz para salvar a humanidade das trevas, do frio, da fome e de uma morte eventual.
Na noite de 21 de dezembro, o Sol começa lentamente a ascender em direção ao equador da terra. Dessa forma podemos dizer que uma nova criança Solar nasce no tempo do Natal. De 10:00 horas p. m. até a meia noite de 24 de dezembro em todas as latitudes norte, o Signo de Virgo, a Virgem, o Signo da Pureza, da Imaculada Concepção e o tipo deificado da maternidade é visto no horizonte oriental pairando sobre o santo nascimento, enquanto na faixa de Orion brilham as três estrelas chamadas os Três Magos ou Homens Sábios (mago, significa trabalhador maravilhoso) que anunciam esplêndida mensagem da Natividade. Ao tempo do Solstício de Inverno três estrelas estarão no céu ocidental em oposição à Virgem no horizonte oriental.
O decreto do Imperador Augustus mandando que todos se dirigissem a Belém para serem recenseados, levou grande multidão à vila. A estalagem estava cheia e assim José e Maria acomodaram-se num estábulo e o santo bebê nasceu numa manjedoura onde se alimentavam os animais.
Depois que José, com suave e amoroso cuidado, preparou a rude manjedoura como melhor podia, afastou-se a uma curta distância de joelhos observando a bem amada Virgem com profunda admiração. Estava ela ajoelhada orando tão absorvida em extasiantes visões que de tempo em tempo, de acordo com os registros legendários, ela ascendia acima do solo enlevada ante a visão gloriosa de luz que a rodeava estendendo-se como uma ponte dourada, ligando o céu e a terra. Abaixo desse raio estava uma multidão sonora de Anjos fazendo o ar vibrar com seus tremeluzentes movimentos é com a maravilha de seus cânticos triunfantes. À hora mística da meia noite a aura luminosa do Santo Infante tornou-se mais brilhante do que todas as luzes da Terra, enquanto a abençoada mãe, juntamente com José e as hostes de Anjos ajoelhavam-se extasiados ante a majestade de Sua presença.
As lendas místicas acrescentam, ainda, que durante o jubiloso parto de Maria todos os pássaros pararam seus voos; a ovelha junto à água não bebia; os gados, nos estábulos, caíram sobre joelhos, e toda a natureza ficou paralisada em êxtase durante aquele tempo. Foi um evento bendito e encantador. Isso é apenas um modo alegórico para dizer que na primeira Santa Noite, por meio do poder da misteriosa Estrela, que focou os seus raios sobre a Terra, toda a vibração do planeta se elevou e iluminou em preparação à vinda daquele glorioso Espírito, Cristo-Jesus. Existe uma razão esotérica assinalando o porque do nascimento de Jesus em Belém; essa razão é que há um centro magnético entre Jerusalém e Belém através do qual poderosas correntes espirituais passam em direção ao coração da terra. Por milhares de anos, antes da Era Cristã, homens sábios e mestres de todas as Escolas de Mistérios auxiliaram no preparo desse santo lugar para. o transcendente trabalho do Cristo. Convém lembrar que em seus centros mais íntimos todas as Escolas da Verdade eterna trabalham em unidade e harmonia para a ascensão e iluminação da humanidade. Somente quando o Espírito fica submergido pela letra e pela mera forma é que as diferenças, as distinções e os antagonismos surgem. Uma parte da missão das chamadas religiões pagos -- todas elevadas, belas e reais em seus inícios — destinavam-se a auxiliar o preparo da humanidade para .a vinda do Salvador do Mundo, o Cristo.
Esse trabalho de espiritualização na Terra Santa — assim bem chamada sob o ponto de vista esotérico -— ainda está sendo levado a efeito pelas Escolas de Mistérios dos planos etéricos, na preparação da segunda vinda do Cristo. Os. Mistérios dos Solstícios de Verão e de Inverno estão muito em relação com esse trabalho. A “região de Belém" é o centro de um grande poder espiritual e ao tempo do Nascimento estava guardado pelos Raim (os Pastores-Iniciados) .
O canto "Paz na Terra e boa vontade para os homens" cantado em uma tônica vibratória particular na Santa Noite pelas hostes angélicas e pelos Seres iluminados entre a humanidade está infundindo uma nova potência espiritual na Terra, tornando cada ano mais fácil para a humanidade realizar a fraternidade, o altruísmo e o companheirismo; ao passo que, ajuda também aos pioneiros a manifestar mais ativamente os poderes do Cristo nascente interno.
Repetimos, cada um está destinado a experimentar todos os graus delineados na vida de Cristo-Jesus, porque cada Ego é um Cristo em formação. A Concepção Imaculada e o Santo Nascimento tornar-se-ão dentro de algum tempo urna experiência demonstrável e vivente dentro da vida de cada um. A meditação sobre esses mistérios espirituais levará o aspirante cada vez mais próximo, internamente, da aura do grande Sagrado Coração de "Amor, que abraça tudo e a todos e cujo poder está em seu máximo durante a abençoada Santa Estação.

(*) parte 9 (fev,1966) da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974. Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz de fevereiro, 1967.

 

19 de mar. de 2013

Armadura Contra A Tentação

por Corinne Heline

A oração e a vontade espiritualizadas constituem a única armadura impenetrável contra as tentações que freqüentemente nos assediam. A admoestação de Paulo apóstolo é: "oremos sem cessar". Cada passo à frente, no Caminho, é acompanhado das provas correspondentes, que visam a avaliar nosso aproveitamento na Escola. A mais sutil delas relaciona-se, em cada nível, às nossas ambições e desejos fundamentais. Satanás (Saturno), dentro e fora de nós, sabe muito bem como tecer e colorir as tentações, se­gundo os temperamentos individuais, arquitetando armadilhas e chamarizes para despertar os que ainda não se encontrem na posse do discernimento espiritual e fortificados internamente. Cristo-Jesus deparou cada fase dessas tentações para conhecer as condições humanas e compassivamente ajudar-nos. Nelas demonstrou, para exemplo, a mais completa renúncia às solicitações mundanas, a par de total ren­dição à Vontade do Pai, no propósito de bem servir os homens. Suas pegadas, bem frescas sempre ao Aspirante sincero, conduzem à verdadeira finalidade da vida e à felicidade real.

As tentações nos vêm, vida após vida, até que o tesouro acumulado no banco celeste tenha sido testado e provado pelas experiências terrestres. Quando o Espírito de Cristo infundiu-se no corpo físico de Jesus, foi levado à Solidão, para provar sua fortaleza ou sua fraqueza. O mesmo cálice continua erguido e cheio, na proporção de cada alma para ser-lhe apresentado após cada experiência celestial, quer entre renascimentos, quer nos mais exaltados estados de consciência ,quando ainda encarnado. Devemos sempre contar com a volta à Terra, a fim de aprender a enfrentar a fornalha ardente da aflição.

A tentação marca o mais importante estágio nos primeiros tempos da vida do Aspirante. Foi uma experiência comum a todos os mestres do mundo. Num manual antigo lê-se: "Toda a mágica operação consiste em libertar-se da antiga serpente e colocar-Ihe sobre a cabeça os pés, pela ascendência da vontade do operador".

Diz o tentador: "Eu te darei todos os reinos da terra, se, prostrado, me adorares". A essa promessa o Iniciado tem apenas uma resposta: "Eu não me ajoelharei diante de ti. Tu, sim, deves prostrar-te diante de meus pés Nada podes dar-me, mas eu posso tirar de ti tudo o que desejar, porque sou teu Senhor e Mestre".

As tentações apresentam-se mais amiudamente nos primeiros estágios evolutivos, porque aludem à segunda iniciação menor. Os Evangelhos de Lucas e Mateus, que se referem aos primeiros passos no Caminho, dão mais ênfase a tentação no deserto. Marcos trata-o ligeiramente. João, cujo Evangelho se ocupa do mais elevado método de desenvolvimento, omite-o.

O Aspirante necessita das experiências do relacionamento com o mundo exterior, para evoluir. Atinge o tempo de provas logo entra na posse do amor, da riqueza, do poder e da fama. Por teste idêntico passa o neófito em outros planos, após cada exaltação de consciência. A tentação é proporcional ao grau de consciência. Quanto mais exaltado seu estado, tanto mais sutil ela surge ao que acaba de vencer mais uma fase e se guinda a uma iniciação ou iluminação superior. O propósito destes testes é sempre idêntico, em todos os graus: como uma sabatina escolar, visa a confirmar a segurança do Aspirante e avaliar como vai ele usar as faculdades e poderes recém adquiridos. O ponto comum da prova é o egoísmo: usará os talentos acrescidos como gratificação pessoal ou de forma impessoal e ampla? Será interesseiro, vaidoso, prepotente ou um servidor altruísta, humilde e amoroso? Em realidade, o egoísmo, em nós, gera o caos na esfera pessoal, social e mundial. Cada egoísta contribui para a desordem social, atraindo, em seu prejuízo, as conseqüências de seus próprios atos e dos outros a que serviu de incentivo e acréscimo vibratório. As guerras, as epidemias, são expressões gerais das convulsões internas e estados mórbidos, emocionais e mentais.

A vitória sobre a tentação é idêntica a uma grande e branca estrela, que permanece inspiradora e luminosa, acima do horizonte do mundo. "Sozinho, Ele foi tentado e ainda permaneceu sem pecado". Na solidão dos quarenta dias no Deserto, Cristo conquistou completamente aquilo que ainda restava da fragilidade e dubiedade humanas, em a santa natureza de Jesus, uma parte do trabalho empreendido naqueles quarenta dias foi empregada inteiramente na reforma dos corpúsculos vermelhos do sangue, porque, segundo sabemos, só ficará inteiramente individualizado o Ego que alcançar a capacidade de elaborar, ele próprio, seu sangue, além de submeter à sua vontade a transubstanciada energia marciana contida nele. Forma-se o sangue pela alimentação, mas sua transubstanciação depende do bom uso do pensamento. Esta alquimia, realizada no sangue de Jesus, por Cristo, carregava-o de tão tremendo poder que seus corpos mal o podiam suportar em coesão.

Somente após esse segundo passo iniciático pôde Cristo-Jesus iniciar Seu Grande Trabalho. De acordo com Mateus foi logo após esse evento que Ele escolheu Seus discípulos e pronunciou o Sermão da Montanha. Marcos relata a realização de inúmeras curas, seguindo ao mesmo acontecimento. Lucas relata a grande pesca, tão simbólica e de ricas analogias. Em cada citação temos pormenores completos do processo que se segue à conquista da Tentação, segundo a delineação do caminho de desenvolvimento.

Na medida que avançamos na Estrada da Realização Espiritual, as sutilezas da Tentação aumentam, explorando sempre nossos pontos fracos. Depois do Batismo vem a Tentação; em seguida à transfiguração.

Ultima Ceia e Lavapés, o teste de sofrimento no Getsêmani, a estigmatização do abandono e da renúncia. Antes da Ressurreição e Ascensão, a amarga experiência do calvário.

A Tentação é a barreira de passagem e um acelerador do crescimento anímico. Enfrentando-a corretamente, pelo devido preparo, como o da Rosacruz, cada prova se torna um degrau para mais alta realização e maiores conseguimentos. como ficou provado na vida do Mestre, exemplo de todos.

A Divina Senhora tonalizou-se de tal modo com Cristo desde o Batismo que, apesar da separação pela distância estava sempre apta a acompanhá-lo em seu ministério. Em espírito encontrava-se com Ele, em cada experiência da Tentação. Encerrada em seu pequeno santuário durante os quarenta dias e quarenta noites de Jejum, a grande Iniciada Maria desenvolveu um importante trabalho de cooperação com seu Senhor, de purificação e sublimidade vibratória do planeta, ilustrando um perfeito modelo a ser imitado por toda a raça humana, ou seja: ser tentada e permanecer pura.
traduzido da Rays from the Rose Cross, publicado na revista Serviço Rosacruz em abril de 1968

6 de jan. de 2013

Os Três Homens Sábios

por Corinne Heline
 Ref.: Mateus, 2: 1-2 e 7-11
O Evangelho de Mateus é denominado com muita propriedade de “Evangelho da Dedicação”, porque contém a relato da vinda dos três homens sábios desde o oriente.
Antigo comentário a respeito de Mateus diz que a Estrela na sua primeira aparição tinha a forma radiante de uma criança levando a cruz. Os três Iniciados ou Homens Sábios, contemplando a Estrela, levantaram-se e jubilosos iniciaram a longa e perigosa jornada através do deserto, rumo à Jerusalém. Ao chegarem, indagaram ansiosamente: “Onde está Aquele que nasceu Rei dos Judeus?”
Essa pergunta interessou a Herodes e a toda comunidade judaica. Perguntaram ao Superior dos Sacerdotes: “ Onde está o jovem Rei que acaba de nascer?” Os sacerdotes responderam: “Em Belém da Judéia”.
Seguindo a direção da Estrela atingiram a pequena cidade de Belém e lá encontraram não um princepezinho real nascido num palácio, rodeado por um corpo de servidores, mas apenas uma graciosa criança, deitada na humilde manjedoura, onde o gado e outros animais alimentavam-se.
A humildade, a fé e a reverência foram proclamadas realmente pelos Sábios Homens, os quais se prostraram diante da bela Criança, dedicando-se a si mesmos ao novo Rei do Mundo.
Os três Homens Sábios representam a dedicação integral do Espírito (ouro), da Alma (mirra) e do Corpo (incenso). Depois de o Cristo ter nascido internamente, o passo seguinte no processo de desenvolvimento espiritual deverá ser essa dedicação ao Mestre e ao Seu trabalho, para que o Cristo recém-nato deva crescer à estatura do adulto. O Espírito é simbolizado pelo ouro, que é portador do mais elevado poder vibratório entre todos os metais. O corpo, representado pelo incenso, é um símbolo bem adequado ao menos duradouro veículo do Espírito. A alma, representada pela mirra (planta natural da Arábia, difícil de ser encontrada, apresentando um gosto extremamente amargo, possuindo porém uma fragrância primorosa e incomum) simboliza o extrato anímico das experiências que o Espírito entesoura no corpo, e que constitui o propósito integral da vida no plano físico, sendo na verdade o sinônimo  do caminho do discipulado, porque de fato o corpo-alma de um santo emite uma fragrância delicada que tem dado origem a belíssimas lendas da Igreja.
A tradição afirma  que Gaspar era muito idoso, usava uma barba branca, era rei de Tarsus, a terra dos mercadores e sua dádiva à Criança foi ouro. Melchior, de meia idade, rei da Arábia deu incenso; ao passo que Baltazar, o rei negro e o mais moço, nascido em Seba ou Sheba, a terra das especiarias e da rezina, apresentou como dádiva a mirra.
O Caminho da Transmutação do neófito, algumas vezes é chamado de Transfiguração, e ocorre sempre na jornada dos Homens Sábios, pois por esse processo todos se tornam Homens Sábios.
 Na catedral de Colônia existe um altar onde estão três crânios com os nomes dos três Homens Sábios, nomes esses formados por rubis. O rubi designa-se como a pedra do Cristianismo, porque simboliza a purificação da natureza de desejos e a espiritualização da mente, o trabalho primordial da Dispensação Cristã.
Segundo a lenda, Maria entregou as faixas de linho que envolviam o puro corpo da sublime Criança aos Homens Sábios, os quais agradeceram com humildade e alegria, colocando a preciosa dádiva entre os seus maiores tesouros. Após regressarem às suas pátrias, imitaram a pobreza e humildade Daquele que reverenciaram em Belém, distribuindo seus bens entre os necessitados e pregando o novo ideal recém-inaugurado.
A lenda, ainda nos diz que os Homens Sábios, quando morreram, receberam a coroa da vida imortal, em troca dos bens terrenos que renunciaram. Seus despojos foram encontrados muito tempo depois pela Imperatriz Helena, mãe de Constantino, que os trasladou para Constantinopla, donde posteriormente foram levados para Milão e ulteriormente depositados na catedral de Colônia.
Retribuindo as dádivas que Lhes foram ofertadas, o Mestre outorgou-Lhes posses de valor transcendental a qualquer bem material: pela taça de ouro deu a caridade e os bens espirituais; pelo incenso, a fé perfeita; e pela mirra, a verdade e a brandura, qualidades que representam as virtudes indispensáveis para aqueles que aspiram à iniciação. Ele também poderá nos conceder essas dádivas, desde que nos dediquemos de corpo, de alma e de Espírito à missão de preparar a vinda futura de Seu Reino sobre a Terra.
Analisando-se profundamente os fatos mencionados, relatados através de várias lendas, evidencia-se que os Magos eram Iniciados. A palavra Mago significa aquele que se dedica à Magia, que possui a consciência da vida noturna ou de sonho. Foi durante esse período noturno que os Homens Sábios receberam esclarecimentos referentes a vinda do Salvador. O Santo nascimento foi saudado em muitos lugares com profundo regozijo, porquanto os Homens Sábios de todas as nações já vinham sendo preparados a muito tempo para esse extraordinário acontecimento, o que por sua vez incitou a animosidade de Herodes, advindo então o decreto alusivo à matança dos inocentes.
Os Homens Sábios viajavam tanto de dia como à noite sob a Luz da Estrela Misteriosa, guardados pelo glorioso Arcanjo, o Cristo. É dito que durante a jornada, os Homens Sábios observaram as maravilhas da Virgem e da Criança. Isto é, leram o sublime acontecimento na Memória da Natureza, e depois, ao entrarem no estábulo, obtiveram a confirmação material do fato, contemplando a beleza celestial da Divina Mãe e da Criança, rodeados por uma luz deslumbrante, de maneira idêntica aos que haviam observado nos Eternos Registros da Natureza.
publicado na revista Serviço Rosacruz, abril, 1967

9 de dez. de 2012

O Rito da Imaculada Concepção

por Corinne Heline
Ref.: Mateus, 1
O Evangelho de Mateus se inicia com a genealogia do homem Jesus. E uma forma de chamar nossa atenção para os ensinamentos do Cristianismo Esotérico onde se esclarece que Jesus, embora altamente espiritualizado, o Ego mais avançado que viveu sobre a Terra, com toda sua pureza e santidade, pertencia, no entanto, à onda de vida humana, terrena. Nesse renascimento ele veio à Terra com a finalidade de revelar a todos os seus irmãos humanos a possibilidade a todos oferecida e acessível, de se tornar um dia como ele e maior ainda.
O Evangelho de Mateus corrobora essa asserção:
"E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; e desde Davi até à deportação para a Babilônia, catorze; e desde a deportação para a Babilônia até Cristo, mais catorze gerações" (Mateus 1 :16-17).
Os significados internos também mantêm que José e Maria eram Iniciados da Ordem dos Essênios (os cristãos místicos daquele tempo) os quais, integralmente conscientes de suas missões, prepararam-se para se tornarem os castos e puros pais do Mestre Jesus.
Foi missão dos videntes e profetas do Velho Testamento prepararem a vida de Jesus e o grande trabalho redentor do Cristo. Não somente predisseram os eventos relacionados com esse acontecimento, como, por meio da profunda compreensão que possuíam, explicaram alguma coisa da natureza da missão, tanto de Jesus como do Cristo:
"Eis que a virgem conceberá a dará à luz um filho e chamá-lo-ão peio nome de EMANUEL, que, traduzido é: Deus conosco" (Mateus 1:23).
Após esse versículo há uma interpolação. Os textos originais guardavam o verdadeiro sentido esotérico. Depois a religião cristã se foi perdendo no dogma, no credo e no ritualismo. Ao procurar provar a verdade da Imaculada concepção pelo Espírito Santo, pessoas já desconhecedoras dos significados sagrados e das forças espirituais que podem operar na vida de cada grande iniciado, acrescentaram o seguinte enxerto:
"Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de ajuntarem achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria difamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um Anjo do Senhor, dizendo: José filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo" (Mateus 1: 18-20).
Jesus é mais que um exemplo inspirador: é o supremo Semeador de todos os homens. Como excelso membro de nossa humanidade, revelou as possibilidades de realização do cada homem. O que ele fez, todos poderão fazer. Pertencesse Jesus a uma outra ordem de seres e por certo não poder.a ter sido o exemplo que agora é, para nossa emulação.
Todavia, atente-se para isto: não devemos tomá-lo como retrato da um ideal abstrato de perfeição, somente possível para quem tenha atingido um estado super-humano de desenvolvimento. Não. O que Ele fez, representa, é, o destino de cada um, no presente estágio humano. Devidamente interpretada, a Bíblia está acorde com uma nova Era, em que estes princípios serão mais clara e largamente admitidos, em consonância com uma ciência espiritualizada. Ela virá reforçar a verdade de que todos se agruparão num mais íntimo relacionamento prático, com os elevados Iniciados, Jesus, Maria e José. Não só nos associaremos cada vez mais com eles, como nos tornaremos à sua semelhança, à medida que nossos atos se forem conformando à vontade de Deus. Um novo despertar dessas verdades e sua prática no diário viver irão processando o advento da Nova Era, cuja aurora será prenunciada pelo estabelecimento das condições que prepararão a volta futura do elevado e arcangélico espírito de Cristo.
Cada advento, na vida de Jesus Cristo, encontra um paralelo na vida daquele que aspira os dotes do Iniciado, tal como Jesus, Maria e José. Da mesma forma, em cada religião pré-cristã ou Escola iniciática, sem exceção, o caminho da realização é prenunciado nas vidas dos grandes mestres, tão claramente como foi mostrado aos cristãos pela vida de Jesus Cristo.
Nos movimentos pré-cristãos vemos sempre uma imaculada concepção, a realização de milagres, uma crucifixão e uma ressurreição. Assim é, porque o caminho da iniciação é similar para todos. Daí cada mestre ser figurado experimentando esses degraus anímicos em sua vida. Há, todavia, uma exceção: a lenda da Estrela a guiar os Magos está ligada apenas ao nascimento de Jesus. Essa estrela misteriosa era o Arcanjo Cristo, adejando no alto abençoando o nascimento de Jesus e induzindo o seu corpo santificado com os Seus poderes celestiais, a fim de torná-lo um veículo adatável ao Seu uso posterior durante os três anos de Seu Ministério na Terra.
 
Parte 8 (jan, 1966)da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974. Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz de janeiro, 1967.