22 de fev. de 2013

Sacrificar o Medo

por Gilberto Silos
"O perfeito amor elimina o medo." (Max Heindel)

Ref.: Mateus, Cap, 6,8 e 9

Todo aquele que aspira avançar no Caminho espiritual deve dispor-se ao auto-sacrifício e ao serviço amoroso. Sacrifício dos interesses pessoais, dos desejos, planos, de tempo, comodidade, saúde, paixões. Pela cabeça de pouca gente passa a idéia de sacrificar o medo.

O medo é um dos maiores obstáculos que o aspirante deve vencer para converter-se em auxiliar invisível consciente. É mister convencer-se de que no Mundo do Desejo nem o fogo, nem algum objeto ou entidade pode atingi-lo de alguma forma. Esse destemor deve ser cultivado aqui no plano físico na condição de auxiliar visível.

Vários tipos de medo podem assaltar o aspirante. Para cada um há uma resposta nos Evangelhos. Essa resposta é sempre a fé, a confiança na ação das leis cósmicas. Os temores mais comuns dizem respeito à pobreza ou necessidade material, às enfermidades, à morte ou acidentes de um modo geral.

1) Medo da necessidade material: Mateus, capítulo 6: "Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura não valei vós mais do que as aves?"

2) Medo da morte, de acidentes ou de situações perigosas: Mateus, capítulo 8: "Então, entrando ele no barco seus discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia. Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos, pereceremos. Acudiu-lhes Jesus: 'Por que sois tímidos, homens de pouca fé? E, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e fez-se grande bonança.

3) Medo da enfermidade: Mateus, capítulo 9:" Eis que uma mulher que durante 12 anos vinha padecendo de uma hemorragia veio por trás dele e lhe tocou a orla da veste, porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada. E Jesus, voltando-se e vendo-a disse: Tem bom ânimo filha, a tua fé te salvou. E desde aquele instante a mulher ficou sã".

Há entretanto, outra espécie de medo, sutil, nem sempre considerado como tal: é a timidez. É o receio de expor-se, o temor da auto-afirmação em público, que leva alguém a ser observado, analisado e criticado.

Para fugir a essa situação, o tímido procurará justificar-se, dizendo que não se exporá publicamente por discrição, por ser retraído. Muita gente capaz e talentosa não permite que sua luz brilhe devido à timidez. Esse sentimento representa falta de confiança em si mesmo, o que é a negação do Deus Interno. A timidez é uma forma de orgulho, de egocentrismo. O tímido, ao invés de concentrar-se no que poderia fazer em benefício dos demais, concentra-se em si mesmo, temendo ser observado e criticado. Omite o bem para preservar-se. Não é amoroso. É medroso.

Uma sugestão para os tímidos é cultivar o amor, o desprendimento. Max Heindel afirmou que só o perfeito amor elimina o medo.

9 de fev. de 2013

O Sacrifício Humano

(por Osvado Madureira)
(uma gravura e um texto para reflexão)
 
Ref.: Hebreus, cap.9
Já na Antiga Aliança era ensinado à humanidade que ela deveria sacrificar o melhor espécime de seu rebanho a Jeová, o Espírito de Raça.
A humanidade comum dessa época identificava a sua "natureza inferior" com o reino animal e sacrificar o melhor do seu rebanho era como sacrificar a sua própria Natureza Superior. Era um sacrifício sem eficácia para aperfeiçoar a consciência de quem se prestava ao culto. O Tabernáculo no Deserto erigido nessa época, servia de ligação do homem com Deus. E aos vanguardeiros da humanidade ali era dada a Iniciação.
Versículo 23: "Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem..."
 
A Nova Aliança inaugurada por Cristo vem resgatar a humanidade que, cristalizada pelo egoísmo corria o perigo de ter a sua evolução frustrada. Cristo o mais alto Iniciado do Período Solar, vem através de Seu AUTO SACRIFÍCIO resgatar os pecados do Mundo, purificando os corpos vital, de desejos e mental do planeta Terra ( vers.23 a 26).
Versículo 27: "E assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disso vem o juízo, assim também Cristo se ofereceu uma só vez para apagar os pecados de muitos..."
O sangue derramado por Jesus Cristo (em cinco pontos), O torna Regente da Terra, e assim permanecerá até que uma classe da humanidade cresça e atinja a Sua estatura, quando então receberá de Cristo, na Sua segunda volta, o legado de reger a Terra (vers. 27 e 28). 
(publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz-Sede Central do Brasil, março, 1997)

25 de jan. de 2013

A Unidade De Cada Um Com Todos

 por Gilberto Silos


















De todas as verdades que os Seres Superiores estão projetando sobre a Terra, nenhuma há mais importante e essencial para o progresso da raça humana, do que aquela que enuncia "a fundamental unidade de cada um com todos." Quanto mais rápida e completamente possam as pessoas do mundo inteiro aprender esta verdade fundamental, tanto mais brevemente transcenderão a guerra e os males, integrando-se no rumo ascensional da evolução.
A Filosofia Rosacruz nos ensina que o Universo e tudo o que nele se encontra funciona de acordo com um modelo divino, baseado em leis imutáveis. No início de nossa grande peregrinação setenária interna e ex­ternamente da matéria, nosso Deus Solar diferenciou dentro de si uma hoste de Espíritos Virginais, possuindo cada um deles a consciência total e dotado potencialmente de todos os poderes de seu Criador, que os enviou à materialidade.
Esses Espíritos, no curso de sua longa peregrinação, adquiriram veículos individuais de crescente densidade, que lhes deram a ilusão de separatividade. Além disso, a fim de ajudá-los a levar a carga humana; os Seres Superiores separaram-nos em raças e deram-lhes religiões peculiares adaptadas às suas necessidades. Contudo, o egoísmo neles sus­citado pelos Espíritos Lucíferos originou excessiva cristalização em seus corpos rácicos, de tal modo que, com o tempo, a maioria da humanidade estava a ponto de retroceder.
Com intuito de evitar um atraso desastroso na evolução da humanidade, Cristo, o poderoso Espírito Solar, uma emanação do Princípio do Cristo Cósmico e incorporação do poder do Amor-Sabedoria, voluntariamente veio a Terra e nela viveu pelo espaço de três anos e meio nos corpos denso e vital de um homem — Jesus — que era um alto iniciado de nossa onda evolutiva humana. Jesus foi especialmente preparado para desempenhar sua parte nesse importante drama cósmico. Na crucificação, o Espírito de Cristo deixou os corpos de Jesus e por meio de Seu sangue entrou na Terra, tornando-se o Espírito Interno de nosso planeta. Desde então irradia com intensidade crescente poderosíssimas vibrações através da Terra.
Cristo representa o princípio Unificante que se difunde no Universo - o Segundo Aspecto Macrocósmico do Deus de nosso sistema solar, bem como do microcósmico, no homem. A vinda desse Poder à Terra trouxe um ímpeto definido à humanidade, no sentido de livrá-la das cadeias da raça, do credo e do sexo. Deu-nos, outrossim, a possibilidade para compreender o princípio da unidade de cada um com todos, de modo a pô-lo em prática, na conquista de uma verdadeira fraternidade humana.

Realmente não podemos fugir à realidade de que todos os seres humanos quer no plano invisível, quer no visível, estão unidos por intangíveis e indissolúveis laços do espírito, tão reais como os que unem a Luz com o Sol de onde veio.
Desse modo, tudo o que nós, indivíduos, possamos pensar, sentir, dizer ou fazer afeta não somente a nós mesmos como também aos semelhantes, tanto os remotamente distantes como os que nos estão próximos.
Ainda que o tentássemos por todos meios, não podemos viver apenas como indivíduos, ou famílias, ou comunidades ou nações separadas, porque realmente vivemos todos num só mundo. Funcionando em nossos veículos físicos vivemos no Mundo Físico, e ao deixar esses veículos, pela morte, entraremos nos reinos suprafísicos, e lá continuaremos fazendo parte de nosso Criador e estaremos sob Sua guarda.
Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?
Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama,
eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extermidades do mar,
até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.
                                                                                                               (Salmos 139:7-10)
publicado na revista Serviço Rosacruz, julho, 1965

6 de jan. de 2013

Os Três Homens Sábios

por Corinne Heline
 Ref.: Mateus, 2: 1-2 e 7-11
O Evangelho de Mateus é denominado com muita propriedade de “Evangelho da Dedicação”, porque contém a relato da vinda dos três homens sábios desde o oriente.
Antigo comentário a respeito de Mateus diz que a Estrela na sua primeira aparição tinha a forma radiante de uma criança levando a cruz. Os três Iniciados ou Homens Sábios, contemplando a Estrela, levantaram-se e jubilosos iniciaram a longa e perigosa jornada através do deserto, rumo à Jerusalém. Ao chegarem, indagaram ansiosamente: “Onde está Aquele que nasceu Rei dos Judeus?”
Essa pergunta interessou a Herodes e a toda comunidade judaica. Perguntaram ao Superior dos Sacerdotes: “ Onde está o jovem Rei que acaba de nascer?” Os sacerdotes responderam: “Em Belém da Judéia”.
Seguindo a direção da Estrela atingiram a pequena cidade de Belém e lá encontraram não um princepezinho real nascido num palácio, rodeado por um corpo de servidores, mas apenas uma graciosa criança, deitada na humilde manjedoura, onde o gado e outros animais alimentavam-se.
A humildade, a fé e a reverência foram proclamadas realmente pelos Sábios Homens, os quais se prostraram diante da bela Criança, dedicando-se a si mesmos ao novo Rei do Mundo.
Os três Homens Sábios representam a dedicação integral do Espírito (ouro), da Alma (mirra) e do Corpo (incenso). Depois de o Cristo ter nascido internamente, o passo seguinte no processo de desenvolvimento espiritual deverá ser essa dedicação ao Mestre e ao Seu trabalho, para que o Cristo recém-nato deva crescer à estatura do adulto. O Espírito é simbolizado pelo ouro, que é portador do mais elevado poder vibratório entre todos os metais. O corpo, representado pelo incenso, é um símbolo bem adequado ao menos duradouro veículo do Espírito. A alma, representada pela mirra (planta natural da Arábia, difícil de ser encontrada, apresentando um gosto extremamente amargo, possuindo porém uma fragrância primorosa e incomum) simboliza o extrato anímico das experiências que o Espírito entesoura no corpo, e que constitui o propósito integral da vida no plano físico, sendo na verdade o sinônimo  do caminho do discipulado, porque de fato o corpo-alma de um santo emite uma fragrância delicada que tem dado origem a belíssimas lendas da Igreja.
A tradição afirma  que Gaspar era muito idoso, usava uma barba branca, era rei de Tarsus, a terra dos mercadores e sua dádiva à Criança foi ouro. Melchior, de meia idade, rei da Arábia deu incenso; ao passo que Baltazar, o rei negro e o mais moço, nascido em Seba ou Sheba, a terra das especiarias e da rezina, apresentou como dádiva a mirra.
O Caminho da Transmutação do neófito, algumas vezes é chamado de Transfiguração, e ocorre sempre na jornada dos Homens Sábios, pois por esse processo todos se tornam Homens Sábios.
 Na catedral de Colônia existe um altar onde estão três crânios com os nomes dos três Homens Sábios, nomes esses formados por rubis. O rubi designa-se como a pedra do Cristianismo, porque simboliza a purificação da natureza de desejos e a espiritualização da mente, o trabalho primordial da Dispensação Cristã.
Segundo a lenda, Maria entregou as faixas de linho que envolviam o puro corpo da sublime Criança aos Homens Sábios, os quais agradeceram com humildade e alegria, colocando a preciosa dádiva entre os seus maiores tesouros. Após regressarem às suas pátrias, imitaram a pobreza e humildade Daquele que reverenciaram em Belém, distribuindo seus bens entre os necessitados e pregando o novo ideal recém-inaugurado.
A lenda, ainda nos diz que os Homens Sábios, quando morreram, receberam a coroa da vida imortal, em troca dos bens terrenos que renunciaram. Seus despojos foram encontrados muito tempo depois pela Imperatriz Helena, mãe de Constantino, que os trasladou para Constantinopla, donde posteriormente foram levados para Milão e ulteriormente depositados na catedral de Colônia.
Retribuindo as dádivas que Lhes foram ofertadas, o Mestre outorgou-Lhes posses de valor transcendental a qualquer bem material: pela taça de ouro deu a caridade e os bens espirituais; pelo incenso, a fé perfeita; e pela mirra, a verdade e a brandura, qualidades que representam as virtudes indispensáveis para aqueles que aspiram à iniciação. Ele também poderá nos conceder essas dádivas, desde que nos dediquemos de corpo, de alma e de Espírito à missão de preparar a vinda futura de Seu Reino sobre a Terra.
Analisando-se profundamente os fatos mencionados, relatados através de várias lendas, evidencia-se que os Magos eram Iniciados. A palavra Mago significa aquele que se dedica à Magia, que possui a consciência da vida noturna ou de sonho. Foi durante esse período noturno que os Homens Sábios receberam esclarecimentos referentes a vinda do Salvador. O Santo nascimento foi saudado em muitos lugares com profundo regozijo, porquanto os Homens Sábios de todas as nações já vinham sendo preparados a muito tempo para esse extraordinário acontecimento, o que por sua vez incitou a animosidade de Herodes, advindo então o decreto alusivo à matança dos inocentes.
Os Homens Sábios viajavam tanto de dia como à noite sob a Luz da Estrela Misteriosa, guardados pelo glorioso Arcanjo, o Cristo. É dito que durante a jornada, os Homens Sábios observaram as maravilhas da Virgem e da Criança. Isto é, leram o sublime acontecimento na Memória da Natureza, e depois, ao entrarem no estábulo, obtiveram a confirmação material do fato, contemplando a beleza celestial da Divina Mãe e da Criança, rodeados por uma luz deslumbrante, de maneira idêntica aos que haviam observado nos Eternos Registros da Natureza.
publicado na revista Serviço Rosacruz, abril, 1967

9 de dez. de 2012

O Rito da Imaculada Concepção

por Corinne Heline
Ref.: Mateus, 1
O Evangelho de Mateus se inicia com a genealogia do homem Jesus. E uma forma de chamar nossa atenção para os ensinamentos do Cristianismo Esotérico onde se esclarece que Jesus, embora altamente espiritualizado, o Ego mais avançado que viveu sobre a Terra, com toda sua pureza e santidade, pertencia, no entanto, à onda de vida humana, terrena. Nesse renascimento ele veio à Terra com a finalidade de revelar a todos os seus irmãos humanos a possibilidade a todos oferecida e acessível, de se tornar um dia como ele e maior ainda.
O Evangelho de Mateus corrobora essa asserção:
"E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; e desde Davi até à deportação para a Babilônia, catorze; e desde a deportação para a Babilônia até Cristo, mais catorze gerações" (Mateus 1 :16-17).
Os significados internos também mantêm que José e Maria eram Iniciados da Ordem dos Essênios (os cristãos místicos daquele tempo) os quais, integralmente conscientes de suas missões, prepararam-se para se tornarem os castos e puros pais do Mestre Jesus.
Foi missão dos videntes e profetas do Velho Testamento prepararem a vida de Jesus e o grande trabalho redentor do Cristo. Não somente predisseram os eventos relacionados com esse acontecimento, como, por meio da profunda compreensão que possuíam, explicaram alguma coisa da natureza da missão, tanto de Jesus como do Cristo:
"Eis que a virgem conceberá a dará à luz um filho e chamá-lo-ão peio nome de EMANUEL, que, traduzido é: Deus conosco" (Mateus 1:23).
Após esse versículo há uma interpolação. Os textos originais guardavam o verdadeiro sentido esotérico. Depois a religião cristã se foi perdendo no dogma, no credo e no ritualismo. Ao procurar provar a verdade da Imaculada concepção pelo Espírito Santo, pessoas já desconhecedoras dos significados sagrados e das forças espirituais que podem operar na vida de cada grande iniciado, acrescentaram o seguinte enxerto:
"Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de ajuntarem achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria difamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um Anjo do Senhor, dizendo: José filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo" (Mateus 1: 18-20).
Jesus é mais que um exemplo inspirador: é o supremo Semeador de todos os homens. Como excelso membro de nossa humanidade, revelou as possibilidades de realização do cada homem. O que ele fez, todos poderão fazer. Pertencesse Jesus a uma outra ordem de seres e por certo não poder.a ter sido o exemplo que agora é, para nossa emulação.
Todavia, atente-se para isto: não devemos tomá-lo como retrato da um ideal abstrato de perfeição, somente possível para quem tenha atingido um estado super-humano de desenvolvimento. Não. O que Ele fez, representa, é, o destino de cada um, no presente estágio humano. Devidamente interpretada, a Bíblia está acorde com uma nova Era, em que estes princípios serão mais clara e largamente admitidos, em consonância com uma ciência espiritualizada. Ela virá reforçar a verdade de que todos se agruparão num mais íntimo relacionamento prático, com os elevados Iniciados, Jesus, Maria e José. Não só nos associaremos cada vez mais com eles, como nos tornaremos à sua semelhança, à medida que nossos atos se forem conformando à vontade de Deus. Um novo despertar dessas verdades e sua prática no diário viver irão processando o advento da Nova Era, cuja aurora será prenunciada pelo estabelecimento das condições que prepararão a volta futura do elevado e arcangélico espírito de Cristo.
Cada advento, na vida de Jesus Cristo, encontra um paralelo na vida daquele que aspira os dotes do Iniciado, tal como Jesus, Maria e José. Da mesma forma, em cada religião pré-cristã ou Escola iniciática, sem exceção, o caminho da realização é prenunciado nas vidas dos grandes mestres, tão claramente como foi mostrado aos cristãos pela vida de Jesus Cristo.
Nos movimentos pré-cristãos vemos sempre uma imaculada concepção, a realização de milagres, uma crucifixão e uma ressurreição. Assim é, porque o caminho da iniciação é similar para todos. Daí cada mestre ser figurado experimentando esses degraus anímicos em sua vida. Há, todavia, uma exceção: a lenda da Estrela a guiar os Magos está ligada apenas ao nascimento de Jesus. Essa estrela misteriosa era o Arcanjo Cristo, adejando no alto abençoando o nascimento de Jesus e induzindo o seu corpo santificado com os Seus poderes celestiais, a fim de torná-lo um veículo adatável ao Seu uso posterior durante os três anos de Seu Ministério na Terra.
 
Parte 8 (jan, 1966)da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974. Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz de janeiro, 1967.
 

25 de out. de 2012

As Evidências do Renascimento na Bíblia


por João Pereira Jr.
 
Não é sem razão que muitos estudiosos dos Evangelhos encontram dificuldades em compreendê-los, pois é necessário meditar longamente nas entrelinhas. Sem nos alongarmos demasiado, vamos examinar, segundo nos­sa capacidade, algumas citações de Mateus.

"Se, pois, trouxeres ao altar a tua oferta e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-se com ele; e então, voltando, faze tua oferta. Entra em acordo com o teu adversário enquanto estás com ele no caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali enquanto não pagares o último centavo". (Mat. 5:21 a 26).

O que é altar senão a nossa consciência, e oferta senão as preces e vi­brações que fazemos a todo o mundo? Reconciliarmo-nos com o adversário é um convite do Mestre ao exame noturno de consciência e à oração. E caminho, na citação, é um indicativo de nossa presente existência. Interessante é notar, também, que os Senhores do Destino estão figuradamente representados pelo juiz e o oficial de justiça, que nos sentenciam à prisão de novos corpos, pelo renascimento, até que tenhamos saldado a última parte da dívida, perante a lei de causa e efeito.

Mais adiante vemos enunciada uma disciplina preventiva de um renasci­mento triste: "Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti, pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno", e assim também com as mãos. Todos sabemos das causas remotas de um renascimento num corpo aleijado ou idiota, sem possibilidade de recuperação naquela vida, por efeito da lei "o que se­meares, isto mesmo colherás". Não é como estar num inferno? No entanto, é uma forma de prevenir que se caia em falta maior e se perca a própria alma.

Há passagens evangélicas que deixam perplexas as pessoas afeitas à sua meditação. Um exemplo é a do paralítico trazido num leito perante Cristo-Jesus. E este lhe disse: "Tem bom ânimo, filho- perdoados estão os teus pecados". Os escribas ficaram es­candalizados com estas palavras e ainda hoje pode-se julgar que o Mestra quisera exorbitar a lei de Causa e Efeito. Outro caso é o do cego a quem o Nazareno curou, misturando saliva com a terra e fazendo lama. Outro ainda, o do paralítico que aguardam há muito a possibilidade de alcançar a piscina, quando o Anjo lhe vinha agitar as águas. O Mestre curou-o simplesmente, fora, dizendo que seus pecados estavam perdoados. Pois bem, não há de que estranhar. O Cristo vira em tais casos a extinção das dividas de destino pendente.

Quando urna pessoa cai enferma é submetida pelo médico a rígida disci­plina e às vezes impõe a necessidade de uma intervenção cirúrgica, com amputação de um membro, para que se salve o restante do corpo. Mas isto não livra a vítima de futuras complicações, caso se dê a novos desuses. Semelhantemente o Mestre dava por findas as causas de destino e, como Médico divino proclamava a cura. Mas não deixava de advertir: "Vai e não peques mais, para que te não suceda coisa pior"', mostrando a cadeia ininterrupta de novas causas.

Aos ouvidos duros de entendimento. Cristo cita ainda, o caso de Elias, renascido como João Batista: "E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos de ouvir, ouça". (Mat. 11: 14, 15). Não é preciso dizer que ainda hoje há ouvidos que não querem ouvir, em virtude dos preconceitos, citações tão claras a respeito do renascimento.

Cristo compara também esta geração a crianças que brincam nas praças, gritando uns com os outros, sem cultivar os aspectos mais sérios da vida presente e futura, no além.

Vejamos agora Mateus 16:13 a 16: “Indo Jesus para as bandas de Cesaréia de Felipe, perguntou a seus discípulos: — Quem, dizem os homens, ser o Filho do Homem? — E eles responderam: uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou algum dos Profetas. Se para aquela gente Jesus seria, ou João (já decapitado, então), ou Elias (que o Antigo Testamento cita haver sido arrebatado ao céu num carro de fogo, etc., não re­vela isto a crença natural daquela gente no renascimento?

Muito mais poderíamos dizer, das outras partes do Novo Testamento e também do Velho Testamento, para corroborar a declaração de Max Heindel, de que o renascimento era ensinado antes de Cristo e mesmo por Êste, em secreto, a Seus discípulos.

Outros pontos de ocultismo podem ser igualmente esquadrinhados pela a mente inquiridora e lógica do estudante rosacruz, mercê das chaves que se lhe dão.

Publicado na revista Serviço Rosacruz, fevereiro, 1964
Nota: João Pereira Jr. foi redator da revista Serviço Rosacruz durante vários anos.

11 de out. de 2012

Falsos Deuses

por Gilberto Silos
 
“Então falou Deus todas estas palavras: Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim. Não farás para ti imagem de esculturas, nem semelhança alguma do que há em cima, nos céus, nem embaixo, na terra. Não as adorarás nem lhes darás culto porque eu sou o senhor teu Deus”. (Exodo:20)
O livro do Êxodo trata da fuga da limitação, de como libertarmo-nos de nossas limitações, indo além de nós mesmos. Uma das grandes limitações do ser humano é atribuir um poder incomensurável às coisas externas, tais como doenças, poder, riqueza, prestígio. Quando atribuímos poder a alguma coisa, curvamo-nos perante ela e admitimos que é maior e mais forte do que nós.
Os egípcios, gregos, romanos babilônios, faziam imagens gigantescas. Representavam forças que eles temiam, respeitavam e lhes davam segurança. Quando os hebreus, no deserto, erigiram o “bezerro de ouro”, evocavam algo que lembrava a falsa segurança que imaginavam desfrutar no Egito.
Se alguém admira ou teme demais alguma coisa efêmera, exterior, está elegendo outro deus ou ídolo, está lhe atribuindo poder. Alguns dos ídolos modernos são bem conhecidos, tais como o consumismo, o sexo, as drogas e o poder. Quando alguém adora coisas externas é porque tem receio do que lhe poderá acontecer se as perder. Porém, a salvação do homem é justamente perder sua crença nessas coisas.
A espiritualidade deve ocupar o primeiro lugar em nossas vidas. O espírito, a evolução, a nossa essência são prioridades. É fundamental que cada um permaneça vigilante olhando atentamente ao seu redor, para não transformar alguma coisa em ídolo, elegendo outros deuses.
Publicado na revista Serviço Rosacruz número desdonhecido