1 de jun. de 2014

A Mulher Vestida de Sol


Ref.: Apocalípse, 12: 1- 6

O Espírito Humano é uma chispa do Infinito, abrangendo todas as possibilidades. O homem não é apenas uma unidade, uma entidade separada, embora venha situar-se como tal, desde que o observemos como membro de uma família, de uma comunidade, de uma nação, como habitante da Terra, etc.. Mesmo assim, liga-se a outros mundos e, conseqüentemente, com os seus habitantes.

Notamos a relação existente entre o Sol, a Lua e outros planetas em cada uma das diferentes religiões, inclusive a Cristã.

Em 21 de junho, isto é, no Solstício de Inverno (para o Hemisfério Sul) o Sol deixa o seu trono, passando através do signo de Leão – o Leão de Judá. Em 15 de agosto a Igreja Católica festeja a Assunção. Daí, em direção ao nodo ocidental, o Sol entra em Virgem, mais ou menos a 22 de agosto. A Virgem nasce do Sol, por assim dizer. Tal fato relaciona-se com a passagem do apocalipse acima transcrita: “E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés”. Observando desde a Terra, temos a impressão de que em setembro o Sol cobre ou veste completamente o signo de Virgem, e como a Lua ai afrouxando a sua conjunção com o Sol, ela parece situar-se sob os pés da Virgem.

A vida de todos os Salvadores da Humanidade se desenvolve sincronicamente com a passagem do Sol ao redor do círculo zodiacal, o qual retrata as provas e os triunfos dos Iniciados. Tal fato vem dado margem à interpretações errôneas, entre outros a de que esses Salvadores nunca existiram e que os relatos sobre as suas existências são meramente mitos solares. Isto é um erro. Como ensina a Sabedoria Ocidental, todos os Mestres Divinos enviados para auxiliarem o homem, são individualidades cósmicas que ordenam suas existências de conformidade com as órbitas solares, que contêm antecipadamente, por assim dizer, uma biografia de suas vidas. Cada um deles vem com o conhecimento e a luz divina espiritual indispensáveis para ajudar o homem a encontrar a Deus. Há portanto, uma sincronização natural entre os eventos de suas vidas com os eventos do nosso “dador de Luz” – o Sol – em sua peregrinação de trezentos e sessenta e cinco dias ou um ano.


Os salvadores nascem de uma Virgem Imaculada ao tempo em que a obscuridade é maior entre os homens. Sincronicamente, o Sol do ano vindouro nasce ou inicia a sua jornada na mais longa noite do ano, quando o Signo da Virgem permanece no horizonte oriental em todas as latitudes, entre 10 e 12 P.M. Ela permanece tão imaculada como sempre, mesmo depois de ter dado nascimento ao seu infante solar. 

Relacionados:

Ritual do Solstício de Junho ( Inverno no Hemisfério Sul)

5 de jan. de 2014

Os Pastores Iniciados

por Corinne Heline (*)
Ref.: Lucas 2:15 a 17
“E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;”

Quem eram esses pastores que se mantinham vigilantes à noite?

Naqueles tempos a grande fonte da economia eram os carneiros, e, por esta razão centenas de pastores viviam pelas colinas da Judéia, sem que, entretanto, a maioria notasse algo de extraordinário naquela noite.

O estudante do Cristianismo Místico sabe, porém, que esses pastores a quem o Anjo do Senhor apareceu, eram os Iniciados da Religião Ariana (o Carneiro), e como homens de elevada espiritualidade que eram, puderam clarividentemente perceber o Anjo mensageiro e clariaudientemente ouviram os cantos celestiais, proclamando a Nova Época que se inaugurava naquela noite. Foi na verdade, uma Noite Santa para a humanidade; foi a abertura do novo caminho que espiritualmente livrará o homem da roda do nascimento e da morte, possibilitando a todos aqueles que desejarem, beber da Água da Vida.

O nome David significa “bem amado”; Belém, a “casa do pão” ou o “princípio do coração” ou ainda o feminino manifestando-se em todas as coisas, do átomo até Deus. O desejo natural deve ser purificado e esse amor ou “princípio coração” deve ser expandido antes de Cristo poder nascer dentro de nós, pois as passagens da Bíblia correlacionam-se intimamente com nossas próprias vidas. Assim embora José e Maria vivessem em Nazareth, a setenta milhas além, era necessário, de acordo com a lei, que eles se deslocassem para Belém na ocasião em que se deu o nascimento da Criança. Similarmente, o grande princípio redentor do amor não poderá nascer em nenhum outro lugar, a não ser em Belém, que é a representação da vida purificada.

Jesus nasceu numa manjedoura, os animais alimentavam-se. Esse lugar representa a natureza dos desejos inferiores, que deve ser regenerada antes que o poder do Cristo possa nascer na estalagem, a qual simboliza a cabeça.

Assim, cada neófito no caminho da Iniciação deve também deixar Nazareth – a vida material – e iniciar a jornada a Belém, a vida impessoal purificada. Cada um verificará a princípio que não há acomodações na estalagem e que o nascimento deve ter lugar numa manjedoura onde os animais alimentam-se. Esse é realmente o significado do Natal.

Pouco significa para Jesus que reverenciemos o Seu nascimento na Santa Noite, pois o importante é que possamos aprender a segui-Lo, encontrando o caminho que nos conduzirá à realização da nossa Noite Santa individual. Canta Angelus Silesius:


"Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
Em vão olharás a Cruz do Gólgota
A menos que dentro de ti, ela seja novamente erguida. "


(*) parte 9 (fev,1966) da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974. Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz de março, 1967.


29 de nov. de 2013

O Rito da Natividade

por Corinne Heline (*)
Ref.: Lucas,2:7-14
Jesus nasceu quando o Sol entrou, em Capricórnio, o signo do mestrado, o despertador da consciência do Cristo e o regente da santa estação, o Solstício de Inverno.(para o Hemisfério Norte). Lemos em Lucas:2:7-14,
"E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e depositou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem".
"Ora havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho";
"E eis que o Anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande terror".
"E o Anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos dou novas de grande alegria, que será para todo o povo":
"Que hoje, na cidade de David, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor".
"E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura"
"E, no mesmo instante apareceu com o Anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo":
"Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para os homens"

A Iniciação é um processo cósmico de iluminação e de liberação de poder. As experiências que a ela se relacionam são semelhantes para todos. Essa é a razão por que Buda, Krishna Agni, o deus do fogo, Osiris, Zeus, Mitras, Dionisius, Hermes e muitos outros foram considerados terem nascido de virgens mães por meio da imaculada concepção, nascimentos esses que tiveram lugar, como o de Jesus à meia noite, numa caverna, numa gruta ou num estábulo. Assim é como que uma constante, todo mensageiro que venha inaugurar uma grande religião mundial, deve ser imaculadamente concebido, vindo a nascer envolto pela íntima e mística beleza do significado que tal concepção.
Um Ego assim nascido é chamado "uma alma velha", alguém que já teve inúmeras vidas de preparação na Terra, durante as quais desenvolveu uma su­blime compaixão que o qualifica a viver uma vida de auto renúncia, indis­pensável para tornar-se Mestre de seu povo. Tal Ego é cuidadosamente vigia­do e amparado pelas Hierarquias Divinas que guardam a evolução humana. O seu nascimento é inolvidável evento que Anjos e Arcanjos aguardam, esperam e cantam hosanas quando suavemente essa alma é levada a nascer. A Kabala afirma que os Querubins e Serafins (os Senhores de Câncer e de Gêmeos) uniram-se ao coro angélico para anunciar o nascimento do Mestre Jesus, cantando "Paz na terra e boa vontade entre os homens", a mensagem cheia de profundo significado esotérico que acompanhou a Nova Dispensação foi introduzida no mundo, fazendo que em Nome de Cristo-Jesus todo joelho se dobre e todas as vozes proclamem Sua gloria transcendente como Senhor e Re­gente da Terra.
O nascimento do Salvador do Mundo foi um evento cósmico sem significado paralelo, não surpreendendo, portanto que ele se retrate nos céus ano após ano. Nas estrelas temos uma biografia dos Grandes Seres que vêm à terra cumprir missões mundiais. "Como é em cima assim é embaixo". Em letras flamejantes - para  aqueles que podem ler – está escrito na abóboda celeste, todos os anos na santa estação do Natal, o cósmico delinear do grande evento de Cristo.
Ao tempo do Solstício de Inverno, o Sol, a luz física do mundo material, atinge sua mais extrema declinação meridional. O hemisfério norte fica então parcialmente morto na medida em que a sua dadivosa e beneficente vida lhe diz respeito. Então se torna como que necessário o nascimento de um novo deus de luz para salvar a humanidade das trevas, do frio, da fome e de uma morte eventual.
Na noite de 21 de dezembro, o Sol começa lentamente a ascender em direção ao equador da terra. Dessa forma podemos dizer que uma nova criança Solar nasce no tempo do Natal. De 10:00 horas p. m. até a meia noite de 24 de dezembro em todas as latitudes norte, o Signo de Virgo, a Virgem, o Signo da Pureza, da Imaculada Concepção e o tipo deificado da maternidade é visto no horizonte oriental pairando sobre o santo nascimento, enquanto na faixa de Orion brilham as três estrelas chamadas os Três Magos ou Homens Sábios (mago, significa trabalhador maravilhoso) que anunciam esplêndida mensagem da Natividade. Ao tempo do Solstício de Inverno três estrelas estarão no céu ocidental em oposição à Virgem no horizonte oriental.
O decreto do Imperador Augustus mandando que todos se dirigissem a Belém para serem recenseados, levou grande multidão à vila. A estalagem estava cheia e assim José e Maria acomodaram-se num estábulo e o santo bebê nasceu numa manjedoura onde se alimentavam os animais.
Depois que José, com suave e amoroso cuidado, preparou a rude manjedoura como melhor podia, afastou-se a uma curta distância de joelhos observando a bem amada Virgem com profunda admiração. Estava ela ajoelhada orando tão absorvida em extasiantes visões que de tempo em tempo, de acordo com os registros legendários, ela ascendia acima do solo enlevada ante a visão gloriosa de luz que a rodeava estendendo-se como uma ponte dourada, ligando o céu e a terra. Abaixo desse raio estava uma multidão sonora de Anjos fazendo o ar vibrar com seus tremeluzentes movimentos é com a maravilha de seus cânticos triunfantes. À hora mística da meia noite a aura luminosa do Santo Infante tornou-se mais brilhante do que todas as luzes da Terra, enquanto a abençoada mãe, juntamente com José e as hostes de Anjos ajoelhavam-se extasiados ante a majestade de Sua presença.
As lendas místicas acrescentam, ainda, que durante o jubiloso parto de Maria todos os pássaros pararam seus voos; a ovelha junto à água não bebia; os gados, nos estábulos, caíram sobre joelhos, e toda a natureza ficou paralisada em êxtase durante aquele tempo. Foi um evento bendito e encantador. Isso é apenas um modo alegórico para dizer que na primeira Santa Noite, por meio do poder da misteriosa Estrela, que focou os seus raios sobre a Terra, toda a vibração do planeta se elevou e iluminou em preparação à vinda daquele glorioso Espírito, Cristo-Jesus. Existe uma razão esotérica assinalando o porque do nascimento de Jesus em Belém; essa razão é que há um centro magnético entre Jerusalém e Belém através do qual poderosas correntes espirituais passam em direção ao coração da terra. Por milhares de anos, antes da Era Cristã, homens sábios e mestres de todas as Escolas de Mistérios auxiliaram no preparo desse santo lugar para. o transcendente trabalho do Cristo. Convém lembrar que em seus centros mais íntimos todas as Escolas da Verdade eterna trabalham em unidade e harmonia para a ascensão e iluminação da humanidade. Somente quando o Espírito fica submergido pela letra e pela mera forma é que as diferenças, as distinções e os antagonismos surgem. Uma parte da missão das chamadas religiões pagos -- todas elevadas, belas e reais em seus inícios — destinavam-se a auxiliar o preparo da humanidade para .a vinda do Salvador do Mundo, o Cristo.
Esse trabalho de espiritualização na Terra Santa — assim bem chamada sob o ponto de vista esotérico -— ainda está sendo levado a efeito pelas Escolas de Mistérios dos planos etéricos, na preparação da segunda vinda do Cristo. Os. Mistérios dos Solstícios de Verão e de Inverno estão muito em relação com esse trabalho. A “região de Belém" é o centro de um grande poder espiritual e ao tempo do Nascimento estava guardado pelos Raim (os Pastores-Iniciados) .
O canto "Paz na Terra e boa vontade para os homens" cantado em uma tônica vibratória particular na Santa Noite pelas hostes angélicas e pelos Seres iluminados entre a humanidade está infundindo uma nova potência espiritual na Terra, tornando cada ano mais fácil para a humanidade realizar a fraternidade, o altruísmo e o companheirismo; ao passo que, ajuda também aos pioneiros a manifestar mais ativamente os poderes do Cristo nascente interno.
Repetimos, cada um está destinado a experimentar todos os graus delineados na vida de Cristo-Jesus, porque cada Ego é um Cristo em formação. A Concepção Imaculada e o Santo Nascimento tornar-se-ão dentro de algum tempo urna experiência demonstrável e vivente dentro da vida de cada um. A meditação sobre esses mistérios espirituais levará o aspirante cada vez mais próximo, internamente, da aura do grande Sagrado Coração de "Amor, que abraça tudo e a todos e cujo poder está em seu máximo durante a abençoada Santa Estação.

(*) parte 9 (fev,1966) da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974. Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz de fevereiro, 1967.

 

29 de out. de 2013

Paulo e a Persistência em Fazer o Bem

por Luiz Márcio da Silva
Ref.: I Corintios, 5:17
 
Um dos desafios mais importantes entre tantos na vida do aspirante espiritual à vida superior, é a de transformar o homem velho em homem novo. Neste particular, São Paulo é um exemplo vivo, pois antes de sua conversão na estrada de Damasco e o encontro com Ananias, ainda era Saulo, o homem velho.
Pertencia Às legiões romanas e acima de tudo, era cidadão romano, cumprindo rigorosamente a Lei, fazendo uso da força, da energia, sentenciava cristãos à morte. Defendia então a Lei.
Entretanto, a caminho de Damasco, Saulo fica cego, ouve a voz do Senhor,e da[i em diante torna-se um soldado de Cristo. Posteriormente passa a ser chamado de Paulo.
Quando São João nos diz que “estava numa ilha chamada Patmos” nos dá a chave da natureza das suas visões porque a palavra Patmos significa iluminação. Nos tempos anteriores a Cristo a expressão “ilha de Patmos” era usada como referência à iniciação. Por meio do processo iniciatório o “amado Discípulo” estava apto para “em Espírito” ou no estado de consciência requerido, ver nos planos elevados e lá funcionar em corpos invisíveis.
Estudando o livro da Revelação vemos como um dos seus aspectos fundamentais que ele foi escrito dentro do místico número sete. Assim: João teve sete visões nas quais recebeu as mensagens para as sete igrejas. Existem sete anjos ante o trono, tendo sete lâmpadas de fogo e sete trombetas. Há sete castiçais, os sete selos do “livro” e os sete trovões. A significação do uso desse número está explicada nos ensinamentos da ciência oculta que diz que o homem é sétuplo, tendo um tríplice Espírito que possui um tríplice corpo ligado com a mente. No corpo do homem existem sete centros espirituais, os quais quando despertos e desenvolvidos expressam os poderes espirituais do Espírito interno.
Desde que o homem é sétuplo e uma vez que ele é o componente de um Todo neste campo particular da evolução - para quem a mensagem de São João é particularmente dirigida, podemos supor que aquela mensagem que deve ser escrita no "livro" e enviada às sete igrejas contém informações a respeito do homem em si mesmo. Em outras palavras, as sete igrejas são uma forma simbólica de expressão que se refere aos sete centros no homem, os quais devem ser desenvolvidos através de um processo espiritual. Todo homem sendo um Deus em formação, eventualmente obterá o destino da Divindade.
A descrição dada por aquele que fala à João com "uma grande voz como uma trombeta", sugere um Poderoso Ser da onda de vida arcangélica. A tremenda vibração emanada de tal Ser constituirá uma "veste que irá até aos pés", enquanto que o cabelo - "branco como a neve" - e os olhos "como a flama do fogo", indicam a pureza e o poder espiritual de tão exaltado Ser. A "afiada espada de dois fios" sugere o poder positivo-negativo do Espírito desenvolvidos a um alto grau.
 publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil, setembro,1981
 
 Relacionados:
 

27 de set. de 2013

Revelações

por Gilberto Silos
 
Ref.: Mateus 16: 13-18 (citado na imagem)
 
O significado desse episódio é um ponto muito controvertido nos evangelhos. Os teólogos dos vários credos cristãos divergem entre si, às vezes até frontalmente, no que diz respeito à interpretação do capitulo 16 de Mateus. Inclusive, a tradição católica sempre viu na promessa feita a Pedro uma indicação da autoridade soberana conferida ao príncipe dos apóstolos (Pedro) e aos seus sucessores, arrogando-se a legitimidade de verdadeira representante de Cristo aqui na Terra. Para muitos católicos Pedro teria sido o primeiro Papa. Na verdade, Cristo em momento algum de seu ministério estabeleceu uma hierarquia eclesiástica, criou dogmas ou indicou algum ponto geográfico como sede do Cristianismo. A sede ou templo do Cristianismo é o coração do homem regenerado, onde cada um é o sacerdote de si mesmo, sem submissão a dogmas ou normas externas. O verdadeiro discípulo de Cristo age de acordo com os ditames do Eu Superior, inspirado no seu entendimento dos ensinamentos do Mestre.
Para os teólogos, outros ponto delicado nesse capítulo é o que alude à identificação de Cristo por parte do povo. As respostas oferecidas deixam claro que muita gente, naquela época, já aceitava a teoria do renascimento, pois de outra forma como poderia alguém imaginar que o Cristo fosse Jeremias, Elias ou qualquer outro profeta desencarnado séculos atrás?
Nesse capítulo, pela primeira vez a identidade do Cristo é revelada. Pedro foi intuído a esse respeito, divinamente inspirado. Não foi obra do intelecto ou de percepção por parte de qualquer sentido físico, pois de outra forma o Cristo não teria ressaltado que a revelação não proviera da "carne e sangue". Carne e sangue aqui representam as luzes da razão humana, falíveis por si só. O mais notável é a afirmação de que "sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". A palavra pedra tem um significado místico. Simboliza o conhecimento ou poder espiritual, princípio, sabedoria. A igreja que o Cristo edificou sobre a pedra, isto é sobre o princípio básico do amor, representa o templo interno, construído sem ruído de martelos. Inferno quer dizer "o mais inferior". Os valores mundanos (inferiores) não têm poder para derrubar o templo interno, solidamente edificado na rocha da verdade.
 
 

13 de ago. de 2013

João, O Precursor


Ref.: Mateus, 11
À João, dentre aqueles enviados à terra antes de Jesus coube a mais elevada missão espiritual. João Ba­tista formou a primeira das Escolas Internas dedicadas às profundas in­terpretações dos Mistérios Cristãos, preparando os pioneiros para a era de Pisces. Daí o significado das pala­vras de Cristo: "O reino dos céus é tomado à força e os que se esforçam são os que o conquistam.” Isto quer dizer que a Escola Interna Pisciana fundada por João Batista constituía um caminho àqueles desejosos de pe­netrar no reino dos céus através os portais da iniciação.
Como Jesus, João nasceu de pais Iniciados, houve uma anunciação an­gélica por meio de Gabriel, uma ima­culada concepção e um nascimento santificado.
Zacharias, pai de João, foi um sa­cerdote a serviço do templo em Je­rusalém. Os sacerdotes escolhidos por sorteio encarregavam-se de su­prir de incenso o altar situado no Lugar Santo. Essa tarefa Zacharias vinha desempenhando desde a sua juventude. Após cinquenta anos de serviço no templo, achando-se no Lugar Santo, o Anjo lhe apareceu anunciando a vinda de João.
A quietude e paz do lar durante os primeiros anos de vida de João Batista, a companhia de sua santa mãe, a majestade das montanhas e a magnificência do deserto, consti­tuíram um ambiente propício ao seu amadurecimento. A promessa angé­lica de que ele seria ''cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe", realizou-se.
Com a idade de doze anos fez sua primeira visita ao templo. Observou as maravilhosas colunas, as escadas, os altares do mais branco mármore, seus portais de bronze, o séquito dos sacerdotes com suas vestes pompo­sas. Entretanto, João, constatou, a despeito de toda aquela magnificên­cia exterior, uma ausência completa de calor espiritual.
Os romanos, dominadores da Pa­lestina, conferiam o ofício de sacer­dote àquele que mais lhes pagasse. Por esta razão, Annas, o mais opu­lento e poderoso dos saduceus mantinha-se nesse posto durante o mi­nistério de João e de Jesus. Trans­formou o templo num verdadeiro antro de vendilhões.
João, durante as viagens que realizava de Judá a Jerusalém, presenciava os atos de extrema crueldade dos soldados romanos e a afrontosa co­brança de impostos. Os serviços do Templo se revestiam de um caráter mundano e o povo vivia debaixo de execrável opressão. João indignou-se contra esse estado de coisas. Sua índole, totalmente avessa a tais injusti­ças, impeliu-o mais tarde a censurar acerbamente o Estado e a Igreja.
Desde a infância mostrava-se diferente dos de sua geração. As outras crianças olhavam-no como se ele pertencesse a outro mundo. O convívio com seus elevados pais, e as instruções que recebia tornavam-no apto a cumprir uma missão de destaque.
Embora tivesse passado pelas provas que o habilitavam ao noviciado no Templo, seu Espírito encontrava-se além. Não lhe estava destinada uma vida de mera rotina. Uma grande missão o esperava.
Depois da morte de seus pais. João defrontou-se com o problema comum a todos os aspirantes que procuram dedicar-se de corpo e alma à vida espiritual, isto é, manter-se equilibrado entre as coisas do Espírito e as do mundo. Como sacerdote teria pela frente uma vida relativamente tranquila. Seus deveres para com o Templo restringiam-se a umas poucas semanas durante o ano. Isto lhe desagradava profundamente. Jamais se conformaria em servir a uma religião formal, onde os ritos purificadores eram celebrados por homens devotos no "príncipe do mundo". Tudo ao seu redor lembrava os rogos das viúvas e os choros dos órfãos, enquanto Os publicanos ofereciam as suas infin­dáveis orações, sem quaisquer vestígios de espiritualidade.
João ponderou sobre essas coisas e acabou retirando-se para o deserto. Viveu durante quase vinte anos na solidão, a que já se habituara desde sua existência passada quando renas­ceu como o rude profeta Elias. Nesse Isolamento, encontrou todas as con­dições para preparar-se devidamente como o precursor da Nova Dispensação.
A Galiléia, no tempo de João, era a encruzilhada do mundo, povoada por uma mistura de raças de nature­za arrojada, movidas pelo espírito de aventura. Esse trecho do território palestiniano caracterizava-se pela sua grande densidade demográfica, e pela sua população cosmopolita. Fenícios, gregos, homens do extremo leste eram figuras familiares nas cidades da Ga­liléia. João, em contato com esses povos adquiriu um sentimento de liberalismo, desprendendo-se das con­venções tão naturais ao seu povo. Os galileus eram detestados de forma particular pelos saduceus a mais ortodoxa das castas sacerdotais. Pon­deravam sobre o atroz sofrimento em que viviam sob o jugo romano e alimentam sólidas esperanças quanto à vinda do Messias profetizado pelos livros ocultos. Ressalte-se que todos os apóstolos com exceção de Judas Iscariotes, eram originários da Galiléia.
Depois de longo período de provas no deserto, João iniciou a grande missão de arauto da Idade de Pisces. O íntimo contato travado com a natu­reza e com seres superiores facultou-lhe distinguir instantaneamente o fal­so do verdadeiro, o real do irreal. Sua voz desafiadora e vibrante marcou-o realmente como a "VOZ QUE CLAMA NO DESERTO". Organizou uma escola preparatória onde seus discípulos recebiam profunda orientação e ensi­namentos alusivos à vinda do Messias. Um dos passos iniciáticos dessa Es­cola era o Batismo, que, no Cristia­nismo Esotérico não consiste apenas na imersão, mas trata-se de um ritual conferindo poderes de clarividência. Cristo dirigiu-se a João para subme­ter-se ao ritual do Batismo às mar­gens do Jordão, inaugurando assim o seu Ministério.
João preparou-se durante anos para uma missão que, embora durasse ape­nas seis meses, revestiu-se de grande importância como movimento pre­paratório à vinda d'Aquele a quem a seu devido tempo "todo joelho se do­brará e toda língua confessará".
publicado na revista Serviço Rosacruz, agosto e outubro, 1968

31 de mai. de 2013

O Templo de Salomão












por Gilberto Silos
Reis l, cap. 6 e Reis II, cap. 7: "No ano 480 depois de saírem os filhos de Israel do Egito, Salomão no ano quarto do seu reinado, no mês de Zive, começou a edificar a casa do Senhor. A casa que o rei Salomão edificou ao Senhor era de 60 côvados de comprimento, 20 de largura e 30 de altura. Edificava-se a casa com pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu na casa quando a edificavam. Depois levantou as colunas no pórtico do templo, tendo levantado a coluna direita, chamou-lhe Jaquim e tendo levantado a coluna da esquerda, chamou-lhe Boaz."

A passagem bíblica da construção do Templo de Salomão, em Jerusalém, reveste-se de riquíssima simbologia e alegoria. Existe uma relação cósmica entre as medidas da edificação: 60 x 20 x 30 = 36.000 (3 + 6 + 0^0 + 0 = 9). Nove é o número do homem conforme Max Heindel afirma no Conceito Rosacruz do Cosmos. O templo de Salomão diz respeito ao homem e ao seu desenvolvimento espiritual.

A tradição esotérica estabelece uma relação entre as duas colunas do templo, Jaquim e Boaz, e as duas colunas que precediam os israelitas quando atravessaram o deserto. De noite uma coluna de fogo iluminava sua marcha. De dia uma nuvem os protegia do Sol escaldante.

O templo não poderia ser construído durante a peregrinação no deserto. No deserto só havia areia e a construção não teria estabilidade. Além disso, tratava-se de um povo nômade, sempre marchando em busca da Terra Prometida. Lá chegando, depois de muito tempo foi possível erigir o templo, através da sabedoria de Salomão.

Em Crônicas II, cap. 3, diz-se que" Começou Salomão a edificar a casa do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá." Segundo a tradição judaica, o monte Moriá era uma rocha enorme. A rocha simboliza a verdade. As areias do deserto simbolizam as ilusões, as fantasias. O Templo de Salomão foi construído silenciosamente sobre a firmeza de uma rocha.

O Templo de Salomão simboliza a consciência espiritual do homem, formada ao longo de muitos renascimentos, experiências e sofrimentos. Esse trabalho é silencioso (sem ruídos de martelo), anônimo e consequentemente ignorado pela maior parte da humanidade. Não obstante, é a atividade mais importante e fundamental da vida. Hora após hora, momento após momento, errando, acertando e sofrendo, o homem vai erigindo sua consciência espiritual.