22 de jan. de 2015

O Sacramento da Purificação

                                                                                                           por Corinne Heline (*)
A Circuncisão tem um significado completamente diferente daquele associado com o Ritual. Trata-se de uma cerimonia simbolizando a integral subjugação do homem inferior, daí a designação de Ritual da Purificação, ou seja um passo preparatório para o grau superior do Batismo.

Segundo a Lei, toda criança do sexo masculino deve ser circuncidada depois de oito dias do nascimento. Na vida da Santa Criança esse ritual embora em sua forma exterior tivesse sido executado como os demais, processou-se sob a égide de mensageiros angélicos, que durante a cerimonia entoavam hosanas de louvores e exaltação Àquele que veio à Terra como o supremo modelo do homem e que derramava Seu sangue como prova de supremo sacrifício a que teria de submeter-se.

Outro e mais radiante arauto angélico trazia faixas de luz, nas quais encontravam-se escritas as seguintes palavras: "Jesus é o Seu nome,"
Maria que sempre se encontrava perfeitamente tonalizada com o seu abençoado filho, sentia juntamente com Ele toda a agonia física do Ritual e ao mesmo tempo alegrava-se com a homenagem prestada pelos Anjos.

A APRESENTAÇÃO

"E, cumprindo-se os dias da Purificação, segundo a Lei de Moisés. O levaram a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor." (Lucas – 2:22)

Há algo a considerar com referência ao significado esotérico do período de quarenta dias que, em verdade, compreende uma fase de preparação para um trabalho mais elevado e não literalmente um simples e determinado número de dias. A Santa Família levava avante o seu trabalho, assinalado pelos três eventos essenciais: a Circuncisão, a Purificação e a Visita dos Homens Sábios.

Quarenta dias após a Natividade. Maria e José apresentaram-se no Templo de Jerusalém para a cerimonia da Purificação conforme ordenava a Lei. Aqueles que assim o faziam, levavam ovelhas como oferendas para o sacrifício. Os pobres ofe­reciam pombas, cujo simbolismo era compreendido pelos mais esclarecidos. Os Iluminados de todas as idades ofereciam somente flores, frutas e grãos, porque sabiam que esses elementos eram as manifestações externas do Grande Espírito da Terra.

"E eis que havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, e esperava consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele."
"E fora-lhe divinamente revelado pelo Espirito Santo que êle não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor."
"E pelo Espírito foi ao Templo, e quando os pais introduziram o menino Jesus, para com êle precederem segundo o uso da Lei. ele então O tomou em seus braços, e louvou a Deus e disse:
"Agora, Senhor, despedes em paz o Teu servo, segundo a Tua palavra.Pois já os meus olhos viram a Tua salvação." (Lucas 2:25-30).

O nome Jesus foi dado à Santa Criança no Ritual da Circuncisão. Jesus em hebreu é sinônimo de Joshua, que significa "salvação'. Esse era o título usado pelos anciãos para designar o Sol, bem como entre os gregos o nome místico Jas serve para designar o Deus Sol, Dionisius. Jod é a mais importante letra do alfabeto hebreu, cujo símbolo constitui uma parte de cada uma das vinte e duas letras desse alfabeto. Representa o poder do Ego, o EU que eventualmente tornou-se o EU SOU.

"E Simeão os abençoou, o disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que será contradito;" "B uma espada transpassará também a tua própria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações." (Lucas 2:34-35).

Simeão, por meio da revelação espiritual viu a verdadeira finalidade da missão de Jesus, o instrumento para o Cristo, bem como o triunfo glorioso do verdadeiro Cristianismo. A manifestação profética de Simeão, aludindo-se a Maria, traduz um significado profundo e místico: "Uma espada transpassará também a tua própria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações."

Maria simboliza o elemento feminino no corpo do próprio homem. A sua redenção realiza-se por meio da dor, o único meio pelo qual a humanidade alcançará a salvação permanente. Como Cristo Jesus, Maria representa a consumação perfeita do trabalho interno que deverá realizar-se nos indivíduos de cada uma das raças. Esse progresso por meio do qual a espada da Verdade transpassará a alma, é delineado nas Sete Tribulações de Maria. Esta compreendeu que todos os grandiosos eventos, tanto de sua vida, como da vida de Jesus, marcariam graus definidos para a futura cristianização de todos os homens, daí a importância vital desses Rituais simbólicos.

* parte 9 (fev,1966) da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974.Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz, março de 1967.  Mais artigos dessa série aqui.

18 de set. de 2014

A Dádiva da Graça

Ref.: Efésios, 2: 4 a 10
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.”


A beleza e o poder transcendentes da religião cristã baseiam-se no fato de dar a seus seguidores uma oportunidade para renunciar à vida comum circunscrita pela lei e penetrar numa vida anímica, na qual há mais amor, misericórdia e graça. Esses atributos manifestam-se particularmente pela influência de Cristo, o segundo Aspecto do Deus Trino — nosso Criador.

Veja explicação do Diagrama 6
O Cristianismo Esotérico nos ensina que no começo de nossa, evolução setenária de manifestação Deus diferenciou dentro de Si mesmo uma hoste de Espíritos Virginais, cada um possuindo potencialmente os poderes de seu Criador, a fim de que, pela evolução, esses poderes se convertam em faculdades dinâmicas. Nesse plano original não existia previsão em relação ao pecado e à morte. (Veja Diagrama 6 do Conceito Rosacruz do Cosmos).

Durante a Época Lemúrica de nosso presente Período Terrestre, houve um tempo em que "um cérebro tornou-se necessário ao desenvolvimento do pensamento e da laringe para sua expressão verbal. Para isso, então, a metade da força criadora foi dirigida para cima, a fim de que o homem formasse esses órgãos. Foi assim que o homem, até então hermafrodita, tornou-se unissexuado e forçado a procurar um ser do outro pólo ou sexo, um complemento, necessário quando desejou criar um novo corpo, para gerar um novo instrumento que servisse a um espírito irmão para uma fase mais elevada de evolução.

Enquanto o ato criador era amorosamente realizado sob a sábia orientação dos anjos, a existência do homem estava livre da tristeza, da pena e da morte. Mas, ao ficar sob a tutela dos Espíritos Lucíferos, depois de ter comido da Arvore do Conhecimento, passou a perpetuar a raça, sem levar em conta a influência das linhas de força interplanetárias, transgrediu a lei e seus cor­pos se cristalizaram cada vez mais até o ponto de tirar-lhe a percepção espiritual sujeitando-o à morte de maneira muito mais notória do que então se processava. Dessa forma, foi forçado a criar novos corpos mais freqüentemente, em proporção á diminuição do período de vida terrestre e, portanto, de experiências necessárias à evolução espiritual. Os guardiões celestiais levaram-no para fora do jardim do amor (do Éden), para o deserto do mundo. Então o homem se tornou responsável, perante a lei de Causa e Efeito, que governa o Universo, por suas ações.

Ao tempo da vinda do Cristo, a maioria da humanidade tinha se tornado tão cristalizada que se encontrava a ponto de retrogradar. Uma ajuda teria que ser dada. Daí, Cristo, o mais alto iniciado do Período Solar, voluntariamente veio à Terra ; penetrou nosso globo por meio do sangue de Jesus, vertido na crucifixão e, desde então, irradia do centro de nosso planeta as tremendas vi­brações do poder unificante de seu Amor-Sabedoria. O Mundo do Desejo e a Região Etérica da Terra foram então purificados, tornando-se mais utilizável para os corpos de desejos individuais dos homens, formados ao voltarmos a renascimento.

Esse grande sacrifício (ainda em desenvolvimento, pois Ele, o Cristo, "estará conosco até a consumação dos séculos" ou destes tempos de materialidade), tornou possível aos seres humanos impregnarem-se com o altruístico amor de Cristo e transcenderem a lei ou temperar a lei, com o amor, a fim de penetrar na esfera de vida abençoada, pelo tesouro adicional de Sua Graça". Essa "dádiva benéfica de Deus" acena para todos aqueles que se dispõe a abraçar a vida de pureza, de serviço e alcançar a libertação das restrições da queda, ou seja, a salvação.

publicado  na revista Serviço Rosacruz de outubro, 1965.

1 de jun. de 2014

A Mulher Vestida de Sol


Ref.: Apocalípse, 12: 1- 6

O Espírito Humano é uma chispa do Infinito, abrangendo todas as possibilidades. O homem não é apenas uma unidade, uma entidade separada, embora venha situar-se como tal, desde que o observemos como membro de uma família, de uma comunidade, de uma nação, como habitante da Terra, etc.. Mesmo assim, liga-se a outros mundos e, conseqüentemente, com os seus habitantes.

Notamos a relação existente entre o Sol, a Lua e outros planetas em cada uma das diferentes religiões, inclusive a Cristã.

Em 21 de junho, isto é, no Solstício de Inverno (para o Hemisfério Sul) o Sol deixa o seu trono, passando através do signo de Leão – o Leão de Judá. Em 15 de agosto a Igreja Católica festeja a Assunção. Daí, em direção ao nodo ocidental, o Sol entra em Virgem, mais ou menos a 22 de agosto. A Virgem nasce do Sol, por assim dizer. Tal fato relaciona-se com a passagem do apocalipse acima transcrita: “E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés”. Observando desde a Terra, temos a impressão de que em setembro o Sol cobre ou veste completamente o signo de Virgem, e como a Lua ai afrouxando a sua conjunção com o Sol, ela parece situar-se sob os pés da Virgem.

A vida de todos os Salvadores da Humanidade se desenvolve sincronicamente com a passagem do Sol ao redor do círculo zodiacal, o qual retrata as provas e os triunfos dos Iniciados. Tal fato vem dado margem à interpretações errôneas, entre outros a de que esses Salvadores nunca existiram e que os relatos sobre as suas existências são meramente mitos solares. Isto é um erro. Como ensina a Sabedoria Ocidental, todos os Mestres Divinos enviados para auxiliarem o homem, são individualidades cósmicas que ordenam suas existências de conformidade com as órbitas solares, que contêm antecipadamente, por assim dizer, uma biografia de suas vidas. Cada um deles vem com o conhecimento e a luz divina espiritual indispensáveis para ajudar o homem a encontrar a Deus. Há portanto, uma sincronização natural entre os eventos de suas vidas com os eventos do nosso “dador de Luz” – o Sol – em sua peregrinação de trezentos e sessenta e cinco dias ou um ano.


Os salvadores nascem de uma Virgem Imaculada ao tempo em que a obscuridade é maior entre os homens. Sincronicamente, o Sol do ano vindouro nasce ou inicia a sua jornada na mais longa noite do ano, quando o Signo da Virgem permanece no horizonte oriental em todas as latitudes, entre 10 e 12 P.M. Ela permanece tão imaculada como sempre, mesmo depois de ter dado nascimento ao seu infante solar. 

Relacionados:

Ritual do Solstício de Junho ( Inverno no Hemisfério Sul)

5 de jan. de 2014

Os Pastores Iniciados

por Corinne Heline (*)
Ref.: Lucas 2:15 a 17
“E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;”

Quem eram esses pastores que se mantinham vigilantes à noite?

Naqueles tempos a grande fonte da economia eram os carneiros, e, por esta razão centenas de pastores viviam pelas colinas da Judéia, sem que, entretanto, a maioria notasse algo de extraordinário naquela noite.

O estudante do Cristianismo Místico sabe, porém, que esses pastores a quem o Anjo do Senhor apareceu, eram os Iniciados da Religião Ariana (o Carneiro), e como homens de elevada espiritualidade que eram, puderam clarividentemente perceber o Anjo mensageiro e clariaudientemente ouviram os cantos celestiais, proclamando a Nova Época que se inaugurava naquela noite. Foi na verdade, uma Noite Santa para a humanidade; foi a abertura do novo caminho que espiritualmente livrará o homem da roda do nascimento e da morte, possibilitando a todos aqueles que desejarem, beber da Água da Vida.

O nome David significa “bem amado”; Belém, a “casa do pão” ou o “princípio do coração” ou ainda o feminino manifestando-se em todas as coisas, do átomo até Deus. O desejo natural deve ser purificado e esse amor ou “princípio coração” deve ser expandido antes de Cristo poder nascer dentro de nós, pois as passagens da Bíblia correlacionam-se intimamente com nossas próprias vidas. Assim embora José e Maria vivessem em Nazareth, a setenta milhas além, era necessário, de acordo com a lei, que eles se deslocassem para Belém na ocasião em que se deu o nascimento da Criança. Similarmente, o grande princípio redentor do amor não poderá nascer em nenhum outro lugar, a não ser em Belém, que é a representação da vida purificada.

Jesus nasceu numa manjedoura, os animais alimentavam-se. Esse lugar representa a natureza dos desejos inferiores, que deve ser regenerada antes que o poder do Cristo possa nascer na estalagem, a qual simboliza a cabeça.

Assim, cada neófito no caminho da Iniciação deve também deixar Nazareth – a vida material – e iniciar a jornada a Belém, a vida impessoal purificada. Cada um verificará a princípio que não há acomodações na estalagem e que o nascimento deve ter lugar numa manjedoura onde os animais alimentam-se. Esse é realmente o significado do Natal.

Pouco significa para Jesus que reverenciemos o Seu nascimento na Santa Noite, pois o importante é que possamos aprender a segui-Lo, encontrando o caminho que nos conduzirá à realização da nossa Noite Santa individual. Canta Angelus Silesius:


"Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
Em vão olharás a Cruz do Gólgota
A menos que dentro de ti, ela seja novamente erguida. "


(*) parte 9 (fev,1966) da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974. Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz de março, 1967.


29 de nov. de 2013

O Rito da Natividade

por Corinne Heline (*)
Ref.: Lucas,2:7-14
Jesus nasceu quando o Sol entrou, em Capricórnio, o signo do mestrado, o despertador da consciência do Cristo e o regente da santa estação, o Solstício de Inverno.(para o Hemisfério Norte). Lemos em Lucas:2:7-14,
"E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e depositou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem".
"Ora havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho";
"E eis que o Anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande terror".
"E o Anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos dou novas de grande alegria, que será para todo o povo":
"Que hoje, na cidade de David, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor".
"E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura"
"E, no mesmo instante apareceu com o Anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo":
"Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para os homens"

A Iniciação é um processo cósmico de iluminação e de liberação de poder. As experiências que a ela se relacionam são semelhantes para todos. Essa é a razão por que Buda, Krishna Agni, o deus do fogo, Osiris, Zeus, Mitras, Dionisius, Hermes e muitos outros foram considerados terem nascido de virgens mães por meio da imaculada concepção, nascimentos esses que tiveram lugar, como o de Jesus à meia noite, numa caverna, numa gruta ou num estábulo. Assim é como que uma constante, todo mensageiro que venha inaugurar uma grande religião mundial, deve ser imaculadamente concebido, vindo a nascer envolto pela íntima e mística beleza do significado que tal concepção.
Um Ego assim nascido é chamado "uma alma velha", alguém que já teve inúmeras vidas de preparação na Terra, durante as quais desenvolveu uma su­blime compaixão que o qualifica a viver uma vida de auto renúncia, indis­pensável para tornar-se Mestre de seu povo. Tal Ego é cuidadosamente vigia­do e amparado pelas Hierarquias Divinas que guardam a evolução humana. O seu nascimento é inolvidável evento que Anjos e Arcanjos aguardam, esperam e cantam hosanas quando suavemente essa alma é levada a nascer. A Kabala afirma que os Querubins e Serafins (os Senhores de Câncer e de Gêmeos) uniram-se ao coro angélico para anunciar o nascimento do Mestre Jesus, cantando "Paz na terra e boa vontade entre os homens", a mensagem cheia de profundo significado esotérico que acompanhou a Nova Dispensação foi introduzida no mundo, fazendo que em Nome de Cristo-Jesus todo joelho se dobre e todas as vozes proclamem Sua gloria transcendente como Senhor e Re­gente da Terra.
O nascimento do Salvador do Mundo foi um evento cósmico sem significado paralelo, não surpreendendo, portanto que ele se retrate nos céus ano após ano. Nas estrelas temos uma biografia dos Grandes Seres que vêm à terra cumprir missões mundiais. "Como é em cima assim é embaixo". Em letras flamejantes - para  aqueles que podem ler – está escrito na abóboda celeste, todos os anos na santa estação do Natal, o cósmico delinear do grande evento de Cristo.
Ao tempo do Solstício de Inverno, o Sol, a luz física do mundo material, atinge sua mais extrema declinação meridional. O hemisfério norte fica então parcialmente morto na medida em que a sua dadivosa e beneficente vida lhe diz respeito. Então se torna como que necessário o nascimento de um novo deus de luz para salvar a humanidade das trevas, do frio, da fome e de uma morte eventual.
Na noite de 21 de dezembro, o Sol começa lentamente a ascender em direção ao equador da terra. Dessa forma podemos dizer que uma nova criança Solar nasce no tempo do Natal. De 10:00 horas p. m. até a meia noite de 24 de dezembro em todas as latitudes norte, o Signo de Virgo, a Virgem, o Signo da Pureza, da Imaculada Concepção e o tipo deificado da maternidade é visto no horizonte oriental pairando sobre o santo nascimento, enquanto na faixa de Orion brilham as três estrelas chamadas os Três Magos ou Homens Sábios (mago, significa trabalhador maravilhoso) que anunciam esplêndida mensagem da Natividade. Ao tempo do Solstício de Inverno três estrelas estarão no céu ocidental em oposição à Virgem no horizonte oriental.
O decreto do Imperador Augustus mandando que todos se dirigissem a Belém para serem recenseados, levou grande multidão à vila. A estalagem estava cheia e assim José e Maria acomodaram-se num estábulo e o santo bebê nasceu numa manjedoura onde se alimentavam os animais.
Depois que José, com suave e amoroso cuidado, preparou a rude manjedoura como melhor podia, afastou-se a uma curta distância de joelhos observando a bem amada Virgem com profunda admiração. Estava ela ajoelhada orando tão absorvida em extasiantes visões que de tempo em tempo, de acordo com os registros legendários, ela ascendia acima do solo enlevada ante a visão gloriosa de luz que a rodeava estendendo-se como uma ponte dourada, ligando o céu e a terra. Abaixo desse raio estava uma multidão sonora de Anjos fazendo o ar vibrar com seus tremeluzentes movimentos é com a maravilha de seus cânticos triunfantes. À hora mística da meia noite a aura luminosa do Santo Infante tornou-se mais brilhante do que todas as luzes da Terra, enquanto a abençoada mãe, juntamente com José e as hostes de Anjos ajoelhavam-se extasiados ante a majestade de Sua presença.
As lendas místicas acrescentam, ainda, que durante o jubiloso parto de Maria todos os pássaros pararam seus voos; a ovelha junto à água não bebia; os gados, nos estábulos, caíram sobre joelhos, e toda a natureza ficou paralisada em êxtase durante aquele tempo. Foi um evento bendito e encantador. Isso é apenas um modo alegórico para dizer que na primeira Santa Noite, por meio do poder da misteriosa Estrela, que focou os seus raios sobre a Terra, toda a vibração do planeta se elevou e iluminou em preparação à vinda daquele glorioso Espírito, Cristo-Jesus. Existe uma razão esotérica assinalando o porque do nascimento de Jesus em Belém; essa razão é que há um centro magnético entre Jerusalém e Belém através do qual poderosas correntes espirituais passam em direção ao coração da terra. Por milhares de anos, antes da Era Cristã, homens sábios e mestres de todas as Escolas de Mistérios auxiliaram no preparo desse santo lugar para. o transcendente trabalho do Cristo. Convém lembrar que em seus centros mais íntimos todas as Escolas da Verdade eterna trabalham em unidade e harmonia para a ascensão e iluminação da humanidade. Somente quando o Espírito fica submergido pela letra e pela mera forma é que as diferenças, as distinções e os antagonismos surgem. Uma parte da missão das chamadas religiões pagos -- todas elevadas, belas e reais em seus inícios — destinavam-se a auxiliar o preparo da humanidade para .a vinda do Salvador do Mundo, o Cristo.
Esse trabalho de espiritualização na Terra Santa — assim bem chamada sob o ponto de vista esotérico -— ainda está sendo levado a efeito pelas Escolas de Mistérios dos planos etéricos, na preparação da segunda vinda do Cristo. Os. Mistérios dos Solstícios de Verão e de Inverno estão muito em relação com esse trabalho. A “região de Belém" é o centro de um grande poder espiritual e ao tempo do Nascimento estava guardado pelos Raim (os Pastores-Iniciados) .
O canto "Paz na Terra e boa vontade para os homens" cantado em uma tônica vibratória particular na Santa Noite pelas hostes angélicas e pelos Seres iluminados entre a humanidade está infundindo uma nova potência espiritual na Terra, tornando cada ano mais fácil para a humanidade realizar a fraternidade, o altruísmo e o companheirismo; ao passo que, ajuda também aos pioneiros a manifestar mais ativamente os poderes do Cristo nascente interno.
Repetimos, cada um está destinado a experimentar todos os graus delineados na vida de Cristo-Jesus, porque cada Ego é um Cristo em formação. A Concepção Imaculada e o Santo Nascimento tornar-se-ão dentro de algum tempo urna experiência demonstrável e vivente dentro da vida de cada um. A meditação sobre esses mistérios espirituais levará o aspirante cada vez mais próximo, internamente, da aura do grande Sagrado Coração de "Amor, que abraça tudo e a todos e cujo poder está em seu máximo durante a abençoada Santa Estação.

(*) parte 9 (fev,1966) da série The Gospels de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross" no período de maio de 1965 a setembro de 1974. Tradução publicada na revista Serviço Rosacruz de fevereiro, 1967.

 

29 de out. de 2013

Paulo e a Persistência em Fazer o Bem

por Luiz Márcio da Silva
Ref.: I Corintios, 5:17
 
Um dos desafios mais importantes entre tantos na vida do aspirante espiritual à vida superior, é a de transformar o homem velho em homem novo. Neste particular, São Paulo é um exemplo vivo, pois antes de sua conversão na estrada de Damasco e o encontro com Ananias, ainda era Saulo, o homem velho.
Pertencia Às legiões romanas e acima de tudo, era cidadão romano, cumprindo rigorosamente a Lei, fazendo uso da força, da energia, sentenciava cristãos à morte. Defendia então a Lei.
Entretanto, a caminho de Damasco, Saulo fica cego, ouve a voz do Senhor,e da[i em diante torna-se um soldado de Cristo. Posteriormente passa a ser chamado de Paulo.
Quando São João nos diz que “estava numa ilha chamada Patmos” nos dá a chave da natureza das suas visões porque a palavra Patmos significa iluminação. Nos tempos anteriores a Cristo a expressão “ilha de Patmos” era usada como referência à iniciação. Por meio do processo iniciatório o “amado Discípulo” estava apto para “em Espírito” ou no estado de consciência requerido, ver nos planos elevados e lá funcionar em corpos invisíveis.
Estudando o livro da Revelação vemos como um dos seus aspectos fundamentais que ele foi escrito dentro do místico número sete. Assim: João teve sete visões nas quais recebeu as mensagens para as sete igrejas. Existem sete anjos ante o trono, tendo sete lâmpadas de fogo e sete trombetas. Há sete castiçais, os sete selos do “livro” e os sete trovões. A significação do uso desse número está explicada nos ensinamentos da ciência oculta que diz que o homem é sétuplo, tendo um tríplice Espírito que possui um tríplice corpo ligado com a mente. No corpo do homem existem sete centros espirituais, os quais quando despertos e desenvolvidos expressam os poderes espirituais do Espírito interno.
Desde que o homem é sétuplo e uma vez que ele é o componente de um Todo neste campo particular da evolução - para quem a mensagem de São João é particularmente dirigida, podemos supor que aquela mensagem que deve ser escrita no "livro" e enviada às sete igrejas contém informações a respeito do homem em si mesmo. Em outras palavras, as sete igrejas são uma forma simbólica de expressão que se refere aos sete centros no homem, os quais devem ser desenvolvidos através de um processo espiritual. Todo homem sendo um Deus em formação, eventualmente obterá o destino da Divindade.
A descrição dada por aquele que fala à João com "uma grande voz como uma trombeta", sugere um Poderoso Ser da onda de vida arcangélica. A tremenda vibração emanada de tal Ser constituirá uma "veste que irá até aos pés", enquanto que o cabelo - "branco como a neve" - e os olhos "como a flama do fogo", indicam a pureza e o poder espiritual de tão exaltado Ser. A "afiada espada de dois fios" sugere o poder positivo-negativo do Espírito desenvolvidos a um alto grau.
 publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil, setembro,1981
 
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27 de set. de 2013

Revelações

por Gilberto Silos
 
Ref.: Mateus 16: 13-18 (citado na imagem)
 
O significado desse episódio é um ponto muito controvertido nos evangelhos. Os teólogos dos vários credos cristãos divergem entre si, às vezes até frontalmente, no que diz respeito à interpretação do capitulo 16 de Mateus. Inclusive, a tradição católica sempre viu na promessa feita a Pedro uma indicação da autoridade soberana conferida ao príncipe dos apóstolos (Pedro) e aos seus sucessores, arrogando-se a legitimidade de verdadeira representante de Cristo aqui na Terra. Para muitos católicos Pedro teria sido o primeiro Papa. Na verdade, Cristo em momento algum de seu ministério estabeleceu uma hierarquia eclesiástica, criou dogmas ou indicou algum ponto geográfico como sede do Cristianismo. A sede ou templo do Cristianismo é o coração do homem regenerado, onde cada um é o sacerdote de si mesmo, sem submissão a dogmas ou normas externas. O verdadeiro discípulo de Cristo age de acordo com os ditames do Eu Superior, inspirado no seu entendimento dos ensinamentos do Mestre.
Para os teólogos, outros ponto delicado nesse capítulo é o que alude à identificação de Cristo por parte do povo. As respostas oferecidas deixam claro que muita gente, naquela época, já aceitava a teoria do renascimento, pois de outra forma como poderia alguém imaginar que o Cristo fosse Jeremias, Elias ou qualquer outro profeta desencarnado séculos atrás?
Nesse capítulo, pela primeira vez a identidade do Cristo é revelada. Pedro foi intuído a esse respeito, divinamente inspirado. Não foi obra do intelecto ou de percepção por parte de qualquer sentido físico, pois de outra forma o Cristo não teria ressaltado que a revelação não proviera da "carne e sangue". Carne e sangue aqui representam as luzes da razão humana, falíveis por si só. O mais notável é a afirmação de que "sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". A palavra pedra tem um significado místico. Simboliza o conhecimento ou poder espiritual, princípio, sabedoria. A igreja que o Cristo edificou sobre a pedra, isto é sobre o princípio básico do amor, representa o templo interno, construído sem ruído de martelos. Inferno quer dizer "o mais inferior". Os valores mundanos (inferiores) não têm poder para derrubar o templo interno, solidamente edificado na rocha da verdade.