11 de jun de 2017

Sabedoria Oculta


"Mas falamos a Sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para a nossa glória; A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; por­que, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. Mas como está escrito: As coisas que o olho não viu e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que O amam. Porém, Deus no las revelou pelo Seu Espírito, porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus". (CoríntiosI, 2:5-12)

O fato da Sabedoria de Deus tornar-se oculta e um “mistério” para o ser humano é devido à "queda do homem". Em determinado ponto de sua longa jornada evolutiva septenária, para passar da "consciência coletiva" para uma "consciência própria", a humanidade desviou-se do plano divino original que lhe fora reservado. Com isso cristalizou-se tanto que perdeu o contato consciente com os mundos e Seres agora invisíveis para nós. Ao mesmo tempo e do mesmo modo, perdeu consciência das verdades espirituais relacionadas com sua origem e peregrinação na matéria.

Anteriormente, em determinado tempo da Época Lemúrica, a consciência do homem estava focalizada nos reinos espirituais. Era inconsciente do processo físico de propagação, do nascimento e da morte do corpo. Quando seus "olhos se abriram", a consciência humana projetou-se para o exterior, em relação com os fatos deste mundo físico. As condições, então, se alteraram. Gradualmente, depois disso, sua consciência interna, relacionada com os mundos superiores, e os seres a eles pertencentes, foi desaparecendo.

Entretanto, o nadir da materialidade foi finalmente ultrapassado. Cristo o mais poderoso dos Arcanjos, veio ao mundo, foi crucificado e tornou-se o Espírito Interno de nosso planeta. Do centro da Terra Ele irradia seu poderoso amor, ajudando o homem a eterizar seus corpos, expandir suas faculdades espirituais e assim reaver sua herança perdida. Desse modo a "Sabedoria oculta" ser-lhe-á revelada e o ser humano penetrará, intuitivamente, a essência das coisas que Deus preparou para aqueles que O amam.

A Filosofia Rosacruz descreve o processo intuitivo da seguinte maneira: "À medida que o sangue passa pelo coração, ciclo após ciclo, hora após hora, durante uma vida inteira, imprime as imagens que ele transporta, nos átomos-semente, realizando um registro perfeito da vida que sempre está em contato com o Espírito de Vida, O Espírito do Amor e da Unidade.”

"Portanto, o coração é o lar do amor altruísta."

"Na proporção em que essas imagens passam internamente para o Mundo do Espírito de Vida, onde se encontra a verdadeira Memória da Natureza, para que se tornem conscientes, o homem sensível poderá ir invocando tais imagens de experiências passadas, não pelo processo comum e lento dos sentidos, mas diretamente, por meio do quarto éter, contido no ar que respiramos."

"No Mundo do Espírito de Vida o Espírito de Vida vê muito mais claramente do que nos Mundos mais densos. Lá, (que é aqui também, porque os mundos superiores interpenetram os inferiores), o Espírito de Vida, segundo aspecto de nossa Trindade Interna, está em contato com a Sabedoria Divina e em qualquer situação conhece imediatamente o que fazer, transmitindo a mensagem da apropriada ação, diretamente ao coração, que por sua vez a retransmite rapidamente ao cérebro, por intermédio do nervo pneumogástrico. Assim é que surgem as primeiras impressões- o impulso intuitivo que sempre é bom, porque vem diretamente da fonte de Amor e Sabedoria Cósmica".

Esse processo é instantâneo e tão rápido, que o coração, mais sensível e havendo o recebido de primeira mão, tem seu controle antes que a lenta razão tenha tido tempo para orientar-se. Este primeiro impulso, se realmente intuitivo, é verdadeiro. Segui-Io é um caminho de felicidade para o homem. Mas, no homem comum e pouco alerta, a mente, o raciocínio, muitas vezes condena e sacrifica este primeiro impulso. 
Felizes dos que podem atingir este estado e unir a mente ao coração.

Traduzido da Rays from the Rose Cross (década de 1965) publicado na revista Serviço Rosacruz, de março de 1966