1 de out de 2018

"Porque Cristo Se Esconde Tanto?"

por Jonas Taucci
O título deste texto, foi uma pergunta realizada por um visitante ao Centro Rosacruz de Santo André, a muitas décadas.

Há que se saber qual a essência desta pergunta: encontrar Cristo fisicamente? Isto aconteceu a cerca de dois mil anos, com a humanidade da época, mas isto nunca se repetirá, pois ELE jamais se utilizará novamente de um corpo físico para manifesta-se na Terra.

O ponto de partida, para entendermos isto, reside (resumidamente) no fato de:

*** JESUS – Pertence à onda de vida humana.

*** CRISTO – O mais alto iniciado dos arcanjos. Utilizou os corpos denso e vital de Jesus, para trazer seu ministério à Terra.

Repetimos, Cristo jamais se utilizará novamente de um corpo denso para vir à Terra, o que torna este encontro (físico) com a humanidade, impossível. No evangelho de Mateus (capítulo 24 - versículo 23), ELE nos adverte:

-  Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui ou ali, não lhe deis crédito. Em I Tessalonicenses (capítulo 4 – versículo 17), nos é informado (e dado muita importância pelo fiel aspirante rosacruz), que encontraremos Cristo nos ares, e para alcançarmos esta situação, há um trabalho interno a ser desenvolvido por todos nós.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos informam que Cristo voltará no mesmo Corpo Vital utilizado da primeira vez, e Max Heindel, em Filosofia Rosacruz em P&R – volume II, perguntas 96 a 102 nos dá uma bela explicação sobre isso, sendo estes ensinamentos não encontrados em nenhuma outra fonte religiosa, espiritualista ou esotérica. Vale a pena serem lidas!

Aqui, um dado interessante: há uma infinidade de livros com respeito a cristais e suas propriedades. Não é objetivo deste texto este assunto, contudo no livro Cartas aos Estudantes # 32: O Corpo Vital de Jesus, o Sr. Heindel nos fala que:

Cristo não se esconde, aliás, com a aproximação da Idade Aquariana o éter Crístico estará cada vez mais acentuado entre as pessoas que o buscam internamente. A resposta mais adequada à pergunta formulada pelo visitante, está no final do Ritual Rosacruz de dezembro, com referência ao Natal:

*** “...quanto mais cedo nos convencermos que devemos dar nascimento ao Cristo Interno antes de podermos ver o Cristo exterior, mais depressa chegará o dia da nossa iluminação espiritual. Cada um de nós será, oportunamente, conduzido pela Estrela até ao Cristo, mas é necessário acentuar, que não seremos conduzidos a um Cristo exterior, mas ao Cristo que está no Interior”.   

Contudo, há sim – inequivocamente – uma forma de “escondermos (e bem...) nosso Cristo Interno:

*** Nos vestirmos da hipocrisia de (apenas) falarmos, ouvirmos, escrevermos e lermos sobre o Cristo, desprezando nossos semelhantes, numa total embriagues esotérica; isto eclipsa totalmente nosso desenvolvimento interno.

*** Sermos como sepulcros; caiados e formosos por fora, entretanto – interiormente – cheio de ossos de mortos e de toda imundície.  (Evangelho de Mateus, capítulo 23 - versículo 27).

Quanto a data em que Cristo voltará à Terra (utilizando o corpo vital de Jesus, segundo os Ensinamentos Rosacruzes), no evangelho de Marcos (capítulo 13 – versículo 32) Cristo diz: “aquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.

Sobre este assunto, Max Heindel, em Filosofia Rosacruz em P&R Volume II – pergunta 110, diz:

*** “Predizer que a vinda de Cristo ocorrerá numa data determinada será absurdo e um sinal de ignorância. Pode até ser presunçoso conjecturar a época aproximada em que ocorrerá o Segundo Advento, mas, segundo o autor, já que os ciclos precessionais, na medida em que estão ligados à evolução do ser humano, parecem começar com a entrada do Sol em Capricórnio, poderá haver uma manifestação nessa época. Se isso for correto, o Advento só poderá ocorrer daqui a três mil anos, pelo menos”.

Máximo Confessor foi um teólogo nascido em Constantinopla no ano de 580, oriundo de uma família aristocrática; abandonou esta condição para ser monge. Defendia a ideia (e a apresentou em vários concílios) de que Jesus e Cristo são duas naturezas distintas.

Para o aspirante rosacruz, este fato é uma realidade, sabedor de que Jesus cedeu seus corpos denso e vital para Cristo,  contudo  a aproximadamente dois milênio atrás, Máximo Confessor enfrentou sérios problemas por acreditar nisto: foi flagelado, sua língua e mão direita decepadas (impedido assim de falar e escrever respectivamente ) e – no exílio - faleceu em 13 de agosto do ano 662).

Existem antiquíssimos ícones (quadros de santos) que retratam Máximo Confessor revelando, ainda que simbolicamente no toque entre os dois dedos,  a natureza distinta entre:

*** Jesus
*** Cristo

João Cassiano (aproximadamente 365-435 d.c.), também monge, dizia:
-  Bem-aventurados aqueles que ouviram as palavras (faladas) de Cristo. Contudo, mais bem-aventurados aqueles que ouvem seus silêncios (seus atos).

Mas, isto fica para outro artigo...

12 de ago de 2018

Trilhar o Caminho

Imagem: O Caminho para Emmaus por Gemäld Von Robert Zünd 
por Gilberto Silos
Lucas 9 (57-62)
E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.
E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai.
Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus.
Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.
E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.
Lucas 9:57-62

A escolha, a decisão de trilhar o caminho da espiritualidade é um impulso interior, uma iniciativa do espírito, não produto de um momento de emoção ou fruto de um pensamento. É um ato de coragem serena, não mera bravata.

Sepultar os mortos e despedir-se dos seus é apegar-se a algo que oferece uma segurança ilusória, aparente. Assemelha-se ao sentimento que assaltou os hebreus no deserto quando ao sentirem falta e saudade das panelas de carne do Egito, erigiram o bezerro de ouro, ou à mulher de Lot que transformou-se em estátua de sal ao olhar para trás e contemplar a destruição de Sodoma e Gamorra. Simboliza uma forma de cristalização.

Para quem quer trilhar o caminho não existe uma só família estabelecida nos laços de sangue. A família é toda a humanidade, como dizia Tomas Payne. Somente esse estado de consciência pode libertar alguém da influencia do espírito de raça que engendra os sentimentos arraigados de clã, família e raça. Isso se torna possível através de uma ruptura com os paradigmas da humanidade comum, pois não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo.

A verdadeira espiritualidade é um caminho, uma trilha. Um caminho leva a um destino.

Consideremos como exemplo concreto, a rodovia que liga São Paulo a Presidente Prudente. Podemos estudá-la detalhadamente, consultando um mapa, calculando os quilômetros que separam as duas cidades, verificando em livros quais as estradas interessantes que a estrada atravessa.  Tudo isso pode ser muito atraente e interessante, mas não será assim que chegaremos  ao nosso destino. Se quisermos ir a Presidente Prudente teremos de iniciar a viagem.

Trilhar o caminho significa por em prática todos os conhecimentos adquiridos, modificar a própria vida, o comportamento, transformar-se constantemente em algo novo e diferente.

Esse processo de transformação é um compromisso sério, ou seja, é mais do que isso, é um comprometimento, uma responsabilidade.

Um cientista pode fazer uma grande descoberta que o projete mundialmente e ao mesmo tempo continuar a ser uma pessoa agressiva, amiga do álcool, das drogas ou de qualquer outro prazer mundano. A sua vida e o seu comportamento não afetarão a sua descoberta. O mesmo não se pode dizer da descoberta espiritual. Por ínfima que seja, ela produz um efeito direto sobre a pessoa. Força a mudança de hábitos e atitudes. Não acontece o mesmo com o ser humano comum, pois o mundo aceita novas verdades desde que não haja comprometimentos.

O objetivo do caminho da espiritualidade é a sabedoria, a totalidade do homema vitória sobre a dualidade (polaridade), a união consciente com Deus, o casamento místico, enfim a consciência cósmica.
O Caminho da Iniciação, do livro: Iniciação Antiga e Moderna de Max Heindel, Cap.: A Iniciação Mística Cristã (veja aqui)
Esse caminho deve ser trilhado com desapego. Os ensinamentos espirituais devem libertar o homem de suas velhas fixações. Porém, sempre há o risco de tornarem-no objeto de novas fixações; Acredita-se ter dado um passo à frente, quando na verdade houve apenas ua troca do objeto de apego. Mudou-se apenas de fixação. Em síntese, a trilha da espiritualidade é o caminho da constante transformação.

20 de mai de 2018

O Apóstolo em Cada Ser Humano



REF. Lucas 9:62
"E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus."

Para muita gente ainda contínua um mistério o significado real de a mulher de Lot ter se convertido em uma estátua de sal, após contemplar a destruição de Sodoma e Gomorra. É bom recordar que isso aconteceu porque ela olhou para trás, saudosa. ...

Segundo o Velho Testamento, as duas cidades celebrizaram-se como verdadeiros núcleos de licenciosidade. Eram, portanto, um centro de degeneração.

Encontramos aí um interessante simbolismo ou alegoria. Não se trata apenas de um relato bíblico. É algo muito mais profundo. Mais uma vez deparamos com a história do próprio homem, sempre às voltas com os desafios inerentes ao caminho do progresso espiritual.

Sodoma e Gomorra simbolizam o elemento que, por se corromper, perdeu a sua utilidade, e o seu lugar, dentro do processo evolutivo. A mulher de Lot representa aquele tipo humano incapaz de libertar-se de hábitos nocivos e ideias  ultrapassadas. Insensível a estágios ou vivências mais elevados, apega-se a estruturas bolorentas e enferrujadas, embora só possa sofrer prejuízos com essa resistência. Olhando para trás, demonstrou sua ligação com aqueles restos que se consumiam, ao invés de encetar uma nova busca.

É uma perfeita alegoria à cristalização.

O homem comum, é bom ressaltar, traz consigo uma tendência à acomodação. Se, do ponto de vista material, a vida que leva é relativamente "boa", opor-se-á tenazmente, a qualquer tipo de mudança, mesmo salutar à sua formação espiritual.
A acomodação, diante de qualquer análise, surge como algo pernicioso. No Universo tudo se encontra em constante movimento, sempre em direção a degraus superiores. A inércia, por ser contrária às leis naturais, gera reações às vezes violentas. O homem, por ser elemento integrante do contexto cósmico, não deixa de estar sujeito a essa lei.

As transformações constituem uma necessidade evolutiva. São uma manifestação da Lei de Deus, sempre objetivando abir mais amplos horizontes para a humanidade. O homem sofre porque resiste às transformações, insistindo em permanecer impenetrável aos raios da Luz Divina. Às vezes contempla a estrutura em que viveu durante multo tempo ruir fragorosamente. Mesmo assim, cede á tentação de olhar para trás observando demorada e nostalgicamente os escombros. É um indicador de sua cristalização. O curso da própria vida acabará por reintegrá-lo ao progresso. Isso, todavia, ocorre, quase sempre, à custa de muito sofrimento.
É importante "tomar do arado e não olhar para trás", como exortou o Cristo .

Conta-se que o conquistador romano Júlio César, quando aportou nas ilhas britânicas, ordenou a seus soldados que queimassem os navios. Assim, ninguém pensaria em voltar, recuando diante de um inimigo até então desconhecido.  Lutariam ou sucumbiriam.

A vida costuma encaminhar-nos  a situações complexas, em que o recuo se afigura impossível. Segurança interior, autoconfiança, fé, coragem, capacidade de adaptação, são testadas nessas ocasiões.

Temos que estar alertas e preparados para as mudanças. Elas acontecem quando menos esperamos.

Todos nós somos dotados de talentos, em maior ou menor grau de desenvolvimento. O uso desses dons determina nosso crescimento. Há ocasiões em que Deus requisita nossos préstimos em Sua Seara. Essa convocação divina pode implicar em mudanças, talvez até radicais, em nossas vidas. Atenderemos ao chamamento de nosso Divino Pai, ou continuaremos com a nossa já viciada rotina?
Não importa se somos inconscientes disso ou se nos encontramos acomodados, indiferentes ao sofrimento do mundo. Cedo ou tarde seremos chamados a servir. No Início talvez até resistamos. Mas chegará o momento da decisão, em que nossas existências tomarão outro rumo. Saulo era um ferrenho perseguidor dos cristãos. Na estrada de Damasco transformou-se: “Saulo, Saulo, por que me persegues? Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões." Saulo transformou-se em Paulo, assumindo uma nova realidade. Abandonou o invejável "status" de doutor da Lei. Teve a coragem de deixar os de seu credo. Renunciou suas amizades e suas posses, para abraçar as idéias do nazareno, um misto de blasfemo e impostor no entender dos fariseus.

É preciso, entretanto, una férrea disposição para atravessar as agruras dessa fase de transição. Incompreendido, injustiçado, vilipendiado até, o aspirante há de perseverar. Terá muita luta pela frente, sem dúvida. Mas a crueza da porfia não deve abatê-lo. É duramente provado. Cai. Ergue-se. Fracassa novamente. Anima-se de esperança. Aflige·se mortalmente com a decepção. Ascende mais uma vez. Na experiência renova-se. O mundo dele necessita. O Cristo necessita dele. Deus nele habita. Não há razão para temores. Vive na fonte do eterno Bem.

O caminho do apostolado é assim mesmo. Exige mudanças, Crucifica o eu inferior. É como o campanário de uma igreja: largo na base, estreitando-se à medida que sobe. No cume só resta a cruz. Não se pode olhar para baixo, para trás. Só resta subir sempre...
De um editorial da revista Serviço Rosacruz, agosto de 1978

1 de abr de 2018

SOBRE O (possível) FRACASSO DO LIVRO “CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”

por Jonas Taucci

Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: O Reino dos Céus é como um rei que preparou as bodas do seu filho. E mandou os seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. O rei mandou outros empregados, dizendo: Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para às bodas! Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida, o rei disse aos empregados: As bodas estão preparadas, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes. Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a festa nupcial ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados observou ali um homem que não estava usando traje de bodas e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem o traje de bodas? Mas o homem nada respondeu. Então o rei disse aos que serviam: Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos. (Evangelho de Mateus – 22: 01 a 14)

Recordo-me de não haver muitas pessoas naquele restaurante vegetariano, final dos anos 80. Esta prática alimentar não estava tão difundida como hoje (TV, rádio, revistas, jornais, livros, comércio, redes sociais, artistas divulgando...).

Após a refeição, pedi as sobremesas; acompanhava-me o irmão probacionista José Gonçalves Siqueira. Falávamos sobre uma recente palestra minha, realizada no Centro Rosacruz de Santo André, com respeito a passagem bíblica acima, onde resumidamente, e à luz dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, foi exposto:

1) REI – O Deus de nosso Sistema Solar.

2) FILHO – Cristo, o maior iniciado do Período Solar.

3) BODAS – O segundo advento de Cristo.

4) SERVOS – Ensinamentos Crísticos.

5) CONVITE A TODOS – A iniciação aberta a todos.

6) MORTE DOS SERVOS – Os que não aceitam a sequência do processo de evolução e “matam” os servos (recusam-se a receber o convite às bodas).

7) TRAJE – O Corpo Alma, que nos possibilitará este encontro com Cristo nos ares.

8) CHORO, RANGER DE DENTES E ESCURIDÃO – Os que não desenvolverem o Corpo Alma, e irão se atrasar na jornada evolutiva.

O irmão Siqueira elogiou minha palestra, mas disse:
- Você esqueceu de algo importante:

Suspendi a respiração por alguns instantes.

- Esta parábola - continuou meu amigo - Cristo direciona também à duas classes específicas, como informa o capítulo precedente de Mateus (21: 23 a 46), a saber

***SUMOS SACERDOTES.  Em hebraico Kohen Gadol. O mais alto posto religioso; coordenava os ofícios religiosos e sacrifícios no tabernáculo e posteriormente no Templo em Jerusalém. Para ocupar este cargo era necessário pertencer a linhagem de Levi, estudar horas por dia, dias por semana, durante anos.

*** ANCIÃOS DO POVO. Em hebraico Zaqén. Eram os representantes do povo para decisões religiosas, e com o passar do tempo, decisões políticas também.

E continuou:

- Unicamente nos acomodarmos em estudos, posições hierárquicas, cargos, frequências físicas, nos (diversos) meios espiritualistas, não nos fará – de forma alguma - tecer o Traje de Bodas; esta parábola foi a mensagem de Cristo (também) aos Sumos Sacerdotes e os Anciãos do Povo, na verdade, tipos comportamentais. Há que se praticar os preceitos Crísticos!

E concluiu:

- Max Heindel considerou um possível fracasso o livro Conceito Rosacruz do Cosmos, ao escrever em sua Carta aos Estudantes #16:

Alguns só se interessam pela concepção intelectual, e, a menos que o livro dê ao estudante um desejo fervoroso de transcender o caminho do conhecimento e prosseguir pelo caminho da devoção, em minha opinião, esse livro será um fracasso”.

Lembrei que o caminho rumo ao probacionismo, inicia-se pelo Curso Preliminar, cuja fonte é o Conceito Rosacruz do Cosmos.

Fica evidente que esta colocação do Sr. Heindel (fracasso), não está relacionada em termos de divulgação, vendagem, visitas, “curtidas” ou consultas, haja visto que o referido livro está traduzido (física e virtual) para os principais idiomas do mundo, de forma gratuita.

O sucesso (ou não) desta obra, é individual a cada ser humano.

Ressaltando ainda que este “traje de bodas”, citado na parábola acima, está contido no sagrado símbolo rosacruz, e descrito como consegui-lo, no Ritual de Cura (...a estrela dourada simboliza o dourado manto nupcial tecido através de uma vida pura).

Vai a sugestão para leitura, o livro Como conheceremos Cristo quando ele voltar”, (baixe aqui)  de Max Heindel. Obra centrada no “traje de bodas”.

As saladas de frutas vieram, mas para mim a verdadeira (e deliciosa) sobremesa, foi o complemento da palestra, oferecido pelo irmão José Gonçalves Siqueira... (veja aqui, biografia de José Gonçalves Siqueira)

OUTRAS SUGESTÕES DE CONSULTA:

Nosso interior: para detectar os “Sumo Sacerdotes” e “Anciões do Povo”.
Livros de Max Heindel:
-  Conceito Rosacruz do Cosmos: Diagramas 02, 06, 14 e capítulo XV.
-  Filosofia Rosacruz em P&R / Volume II / Pergunta # 133.
-  Cartas aos Estudantes # 16.
Bíblia: Novo Testamento, Evangelho de: - Mateus 21: 23 a 46. e Mateus 22: 01 a 14.

21 de jan de 2018

A Circuncisão - Uma Interpretação

"A Apresentação no Templo", Philippe de Champaigne, 1648

REF. Lucas 2:21-24

"E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.
E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor
(Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho primogênito será consagrado ao Senhor);
E para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: Um par de rolas ou dois 
pombinhos.” 

Com relação a circuncisão no oitavo dia, citado por Lucas, encontramos a referência no Gen. 17:12, 21:4 e Lev. 12:3.

A frase “como fora chamado pelo Anjo, antes de ser concebido no ventre de sua mãe” é uma prova do renascimento. Ou seja: “antes” já existia, já tinha nome. Essa existência anterior pertence a todos nós, pois Jesus é apenas o nosso irmão mais velho, “o primogênito entre muitos irmãos” (Rom. 8:29)

Segundo Lev. 12:2-5 as mães deviam apresentar o primeiro filho do sexo masculino ao templo, 40 dias após o parto. Se o filho era primogênito (bekor) a mãe deveria levá-lo pessoalmente, apresentá-lo e consagrá-lo a Deus. (Ex. 13:2-12). Entretanto como os da tribo de Levi é que tinham função sacerdotal oficial (Num 3:12-13), os primogênitos de outras tribos eram “resgatados” com a oferta de cinco ciclos de prata (Num 18 15-16). Sendo Jesus da tribo de Judá, fez Maria a oferta legal por ele, isentando-o do sacrifício oficial.

Em vista disso Lucas não distingue as duas cerimônias: a purificação de Maria e a consagração de Jesus, mas engloba-as numa só palavra: o resgate deles.

Segundo a citação feita por Lucas do Ex.:13:2 e 12, onde se lê textualmente: “todo macho que abrir a vulva será chamado santo para o Senhor”, vê-se claramente que o nascimento de Jesus foi normal, não havendo virgindade física durante ou depois do parto como desejam alguns. Se os fatos tivessem sido anormais, Maria estaria dispensada da Lei.

Para sua purificação Maria ofereceu um sacrifício (Lev 12:8) de um casal de rolinhas ou de dois pombos jovens (borrachos) que se permitia aos pobres, para substituir o cordeiro, o qual não poderiam comprar.

Todos aqueles que realizaram as bodas místicas internas da natureza humana com a divina, põem-se a serviço de Deus e, portanto, devem circuncidar-se, ou cortar ao redor de si todos os apegos, para que tenham como se não tivessem; possuam sem ser possuídos; usem como por empréstimo; utilizem tudo como administradores dos talentos divinos, recordando-se de que “nada trouxemos para esse mundo, e sem dúvida, nada dele poderemos levar”. (ITim, 6:7).

Renúncia de coração para servir-se das coisas e com elas servir aos outros, com desapego a recompensas, a gratidão e a retribuições quaisquer. Esta é a “circuncisão interna” que todos devemos cultivar. Ela inclui o desapego até mesmo de ideias e concepções quanto aos laços sanguíneos, aos afetos e semelhantes, para que apenas o puro amor que o Divino verte de Si possa permanecer como manifestação natural. Este desapego (circuncisão) é inevitável quando, pelo encontro com o Eu superior, adentramos o Templo interno, contrastando a realidade divina interna com a transitoriedade material externa.

Mas esse desapego não é levado a termo enquanto não se faz a purificação da personalidade. E para isso devemos esperar 40 dias. (“quarenta dias” é simbólico - pode significar anos e até vidas). Para o candidato que já chegou ao encontro com o divino interno, a tarefa é mais fácil. Realmente o nascimento do primogênito (Bekor), consagrado a Deus requer o mergulho nas vidas anteriores conscientizando todas as experiências adquiridas desde o início da peregrinação evolutiva até a conquista da mente (passando pelos estados de consciência mineral, vegetal e animal). Corresponde à quinta iniciação menor e nos põe acima dos opostos de simpatia e antipatia; em suma, em ligação igual com todos os seres.

Uma vê purificados os veículos denso, etérico, de desejos e mental, apresentamo-nos ao Templo, ao Cristo Interno, como oferenda, submissão e consagração para o SERVIÇO. Esta cerimônia é simbolizada pela oferta de um cordeiro (ou de pombas como vimos no evangelho de Lucas). Isto demonstra que a graça do “encontro” pressupõe o sacrifício da parte animal, ou melhor da entrega da parte animal já purificada.

Daí em diante só o espírito prevalece,. Como disse São Paulo: “Não mais eu quem vive, mas o Cristo em mim”. O corpo se converte em alegre vivenda porque não representa mais uma prisão; e a vida passa a ser uma SEARA.

                                                  Publicado na revista Serviço Rosacruz, de  janeiro de  1976

2 de nov de 2017

Sobre os (dois) Dias Mais Importantes De Nossas Vidas

por Jonas Taucci
Vemos acima, a pintura “Cristo e o centurião”. Do pintor italiano Paolo Veronesi (Verona, 1.528-1.588), que se encontra no Museu Nelson Atkins da Arte, cidade de Kansas, estado do Missouri (EUA), feita por volta do ano de 1.575.
Esta pintura refere-se ao evangelho de Mateus (08:05 a 13):

E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, e lhe rogando disse: Senhor, o meu criando jaz em casa paralítico e violentamente atormentado, E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo de meu telhado, mas dize somente uma palavra, e meu criado será curado. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai e ele vai; e digo a outro; Vem, e ele vem: e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz., E se maravilhou Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo, que nem mesmo em toda Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abrão, Isaque e Jacó no reino dos céus, e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes. E então disse Jesus ao Centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado ficou curado. 

Antes das considerações à luz dos Ensinamentos Rosacruzes, seria oportuno tomarmos conhecimento de certos aspectos históricos importantíssimos desta passagem bíblica;

***Centurião (oficial militar do exército romano, responsável por comandar uma centúria: parte importante de uma legião).

***Roma, a senhora do mundo no 1º século D.C.(à época de Cristo os exércitos romanos ocupavam parte da Europa, África e Oriente, estendendo-se às terras por onde Cristo viveu e pregou).

***Religiões praticadas pelo Império Romano (consideradas pagãs pelos primeiros cristãos).

***Os invasores (assim eram chamados os romanos, havendo várias revoltas para sua expulsão nas regiões ocupadas).

Estas palavras de Cristo: Nem mesmo em toda Israel encontrei tanta fé”, intriga a dois milênios os teólogos cristãos, pois a fé encontrada por Cristo - fica evidente - veio de um centurião romano, consequentemente:

*** Um invasor.

*** Uma pessoa pagã.

***A fé do centurião que (segundo Cristo!), supera mesmo a dos discípulos, seguidores e frequentadores do Templo.

***De alguém, originalmente “fora” do círculo religioso de onde Cristo pregava.
*** Resumindo: um “estrangeiro pagão” em “terras santas(Israel).

Mas, Cristo não deu a mínima importância a tudo isto

Identificou o mais importante: a preocupação do centurião com seu semelhante, e sua enorme fé.

Não há nada – em todo o universo – superior a isso!

Fazer parte de uma religião, doutrina, seita ou filosofia, “estar neste meio, sem a devida utilização e prática do que (apenas...) aprendemos à serviço dos desassistidos, incorre numa enorme ilusão e para nós – aspirantes rosacruzes - no total menosprezo ao nosso Cristo Interno.

Nossa (tão somente) filiação à Fraternidade Rosacruz e nos tornarmos (tão somente) probacionistas não será garantia de um desenvolvimento interno.

São muitos os que estudam somente para seu próprio benefício e não cultivam a fraternidade para com os demais. Sem dúvida, é o serviço que executamos e a sinceridade com que praticamos os ensinamentos que nos tornam, para o mundo, exemplos vivos desse amor fraternal, a qual Cristo se referiu como sendo a realização de todos os mandamentos). Max Heindel, Carta aos Estudantes # 03.

A palavra probacionista (1) deriva do latim probo (muito utilizada em literatura jurídica) que significa honesto. O verbo probare refere-se a agir com honestidade, retidão.

Na Fraternidade Rosacruz, a palavra probacionista também está associada com as provas” pelas quais o aspirante encontra em sua jornada na senda do caminho Crístico, contudo estas provas não serão de forma alguma:

*** Escrita, de múltipla escolha.

*** Chamada oral; avaliação de conhecimentos.

*** Redação sobre algum tema sobre os Ensinamentos Rosacruzes.

*** Cálculos perfeitos de configurações astrológicas.

Serão provas comportamentais (nosso probare de cada dia), e das mais sutis que possamos imaginar, onde nossos atos (ou omissões) com nossos irmãos, irá determinar o grau de amadurecimento interno.

O florescimento de nossas sete rosas internas, muito estudado pelo aspirante rosacruz, constitui-se numa obra alquímica paradoxal:

- Impossível alguém fazer isto por nós; trata-se de um trabalho individual.
- Impossível realiza-la sem nos relacionarmos com nossos semelhantes.

Mark Twain (1.835-1.910) escritor americano, nos deixou esta bela frase:

(01) Sobre o Probacionismo: O Caminho Rosacruz compreende sete etapas de desenvolvimento: Estudante Preliminar, Estudante Regular, Probacionista, Discípulo, Irmão Leigo, Adepto e Irmão Maior. A superação de cada um desses estágios corresponde a uma verdadeira Transfiguração.

Durante as primeiras etapas, de Estudante a Probacionista, o Aspirante cursa as matérias básicas e edifica os fundamentos da sabedoria e da disciplina de seus Corpos. Assimilando o valor educativo dos ensinamentos Rosacruzes, adquire a capacidade de direcionar suas energias e talentos a propósitos cada vez mais elevados. Consciente de seus deveres morais e espirituais, procura dominar as forças obscuras de sua vida inferior, até conhecer os primeiros vislumbres da expansão do Eu.

Muitos anos e, às vezes, vidas de trabalho, de sacrifícios e esmorecimentos, de coragem e desânimo, de quedas e levantamentos, de regozijo e desespero, marcam essa fase preparatória. Há momentos de ofuscante luz que sucedem densas trevas, em ciclos de aprendizagem.

Mas, todos os esforços e o progresso obtido são observados desde os Mundos invisíveis pelos exaltados Guias. Um dia, os vislumbres convertem-se em viva realidade, os obscuros contornos da visão de probacionista, adquirem a nitidez do discípulo. Surge um ser humano novo em novidade de espírito.

As obras da carne, os zelos excessivos, o amor próprio, a vaidade, o espírito sectarista, ontem propriedades características do ser humano primário, desvanecem-se aos poucos.
Não imaginemos, contudo, que atingido o grau de discípulo, o novo ser humano entra num período de contemplação estática e absorvente. Pelo contrário, os poderes da ação e do trabalho estão presentes e mais atuantes do que nunca. Seu pensamento permanece ocupado às vinte e quatro horas do dia, com "tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, santo, amável e de boa fama" (Filipenses 4-8).

É um novo ser desabrochando. Seus familiares e amigos sentem a força propulsora de sua vontade na dedicação às causas justas e nobres. Beneficiam-se desses esforços admiráveis, dispendidos a custa de, não raro, verdadeiros holocaustos e da extrema renúncia aos frutos do êxito.

Que poderemos, agora, imaginar das três etapas superiores: Irmão Leigo, Adepto e Irmão Maior? Iluminados nas transcendentes alturas do Bem, do Belo e do Verdadeiro, são inconcebíveis as vivências e sublimidades de seus Espíritos. Max Heindel nos deixa antever algo da fecundidade de suas vidas: "Os Irmãos Leigos vivem em diferentes partes do mundo ocidental, recebendo uma ou mais Iniciações nas Escolas de Mistérios Menores". São capazes de abandonar o Corpo Físico conscientemente, para assistir ou participar dos trabalhos no Templo da Ordem Rosacruz. Os Adeptos são graduados de uma Escola de Mistérios Menores, e passaram pela primeira das quatro grandes Iniciações. Segundo os ensinamentos Rosacruzes, o Adepto pode construir novos Corpos físicos por processos ocultos de alquimia espiritual.

Os Irmãos Maiores são graduados das Escolas de Mistérios Menores, e também dos Mistérios Maiores.

É um íngreme caminho a ser percorrido, porém, não há outro mais dignificante. O sofrimento pode vir a ser um companheiro constante nessa gloriosa ascese, surgindo, não obstante, como o prenúncio da morte do velho ser humano.

Max Heindel afirma em sua obra INICIAÇÃO ANTIGA E MODERNA: "O ser humano passa, continuamente, por um processo de purificação, erradicador das substâncias mais inferiores e grosseiras que fazem parte de seus veículos. Com o tempo e mediante a evolução, esse trabalho de espiritualização tornará "nossa carne" transparente e radiante. Radiante como o rosto de Moisés, o corpo de Buda e o Cristo na Transfiguração". (Editorial da revista “Serviço Rosacruz” de outubro – 1.982 da Fraternidade Rosacruz de São Paulo).