12 de jul. de 2020

O Outro Discípulo


R. T. Oakley. Rays from the Rose Cross – tradução de Marcos Korol
Conhecemos a história da escolha dos doze discípulos por Cristo, mas o conto de um desses escolhido, quem a princípio não veio, mas quem finalmente respondeu ao chamado não é escrito em papel nem pergaminho, não é achado nas histórias do mundo, nem retratado nos evangelhos, ainda que o registro exista nos reinos mais altos, e agora está sendo colocado perante você. Se traz conforto e refresca o cansado, se cura uma ferida, ou se fortalece o fraco, então nós somos amplamente recompensados pelo tempo e trabalho que tomou trazê-la de sua obscuridade. Este relato veio no “Frescor da Manhã”, enquanto naquele vale maravilhoso de São Fernando, o Vale dos Jardins, em um acampamento embaixo das árvores de pimenta, com o céu no leste assumindo a cor de uma rosa vermelha brilhante, sombreado ao sul com um magenta leve, e finalmente sombreado num tom de lilás, enquanto ao nordeste surgem os sopés das Montanhas banhados num lindo e etéreo azul, com seus contornos distintos tornando-se nítidos contra um fundo de açafrão amarelo-laranja, que conforme mudam para um sombreado mais leve, anunciam a chegada da magnífica Estrela do Dia em toda sua glória.

O MEIO-DIA
Nos dias de Tibérius César, quando Poncius Pilatus era governador da Judéia, e Herodes tetrarca da Galiléia, a fama de João, o filho de Zacharias, o rabino, estendia-se da costa à Jordânia, do Mar da Galiléia ao Mar Morto, e das cortes de Herodes a Jerusalém. A ele vinha a multidão dizendo: “És tu o Cristo? ” e sua resposta era: “Eu não sou Ele, porque eu vos batizo com água, mas Ele há de vos batizar com fogo.” Isto levou vários embora, alguns em decepção, outros em zombaria.

A notícia dos ensinamentos de João chegou ao pequeno povoado de Nazaré, nas colinas da Galiléia, de onde veio Jesus, o filho de Maria e de José, o carpinteiro, em busca de João, seu parente, e ali no pequeno povoado de Betânia a oeste do rio Jordão, perto do córrego de Kedron ele achou-o batizando a muitos. Entre os presentes estava Matias que procurou a Jesus e o indagou dizendo: “O que deve-se fazer para ser salvo? ”, e a resposta foi; “Deixe tudo e me sigas. ” Matias respondeu: “Minhas terras e riqueza eu alegremente deixaria por Ti, mas eu tenho a promessa de tomar como noiva a mais doce donzela de toda a Judéia, e você conhece a grande lei de que o primeiro dever é de povoar a Terra para que a semente de Abraão se espalhe como as areias do mar. Portanto qual mandamento devo seguir? Seguramente Tu não gostarias de me ver quebrando meu juramento perante Miriam e a lei. ” A resposta, “Se tu desejares ser meu discípulo, deves escolher entre mim e teu terreno amor”, levou o rapaz a prostrar-se enquanto ele ainda defendia sua causa: “Perdoa-me, Rabino, mas seguramente seu amor foi dado a mim por Deus com algum grande propósito, e sendo assim então como posso negligenciá-lo para seguir a Ti, pois esta é a coisa mais doce e pura na terra. E o que são todo o ensinamento, conhecimento e sabedoria comparados ao amor? Eu não posso abandoná-la”. O tom macio, doce e compassivo de sua voz em resposta a esta última questão encheu toda a atmosfera ao seu redor com uma mística doçura: “Vá a teu terreno amor, para tua flor que está para florescer, e mais tarde tu saberás e entenderás o AMOR MAIOR, um amor que não é medido por padrões terrenos, pois este é o presente d’Aquele que era antes de tudo”.

Este é o relato daquele que foi escolhido, mas que não atendeu a princípio, pois nós vemo-lo tomar a estrada a Arimathea, deixando Cristo Jesus em Betânia, só e triste.

O país que se aproxima de Arimathea pelo Sudeste tem bosques extensos de oliva e figueiras, vinhas também numerosas bem regadas por nascentes de águas claras e frias, e é aqui que encontramos o lar de Matias, o “outro discípulo”. A festa do casamento está em seu ponto alto, com uma grande assembléia de convidados e um generoso banquete. A alegria e felicidade estão em toda parte, pois este é um casamento verdadeiro e não meramente um dar-se em casamento. Miriam, a noiva, uma pura donzela judia, tem a graça de um lírio em forma, o creme da rosa em cor, a beleza do jacinto azul em seus olhos e a doçura da violeta no seu coração. A testa alta, o nariz proeminente, os olhos cinza claros, e os lábios sensíveis e delgados do noivo proclamam-no imediatamente ser um sábio e aluno da verdade, um investigador da luz. Verdadeiramente ambos bem-favorecidos por Deus, e quando ele dá uma olhada nela, sente que seu desejo está realizado, seu fim alcançado, ainda que tão pouco ele compreenda que este seja o último acontecimento da vida velha e o precursor de uma nova, o ponto de transição, o emergir de uma classe em outra.

 Certamente Miriam é rainha de rainhas; o seu coração está pleno, ele está satisfeito com sua escolha, mas ainda assim, o que é este sentimento estranho? Ele deve estar só, e então procura a solidão dos jardins com suas fontes de borrifo prateado enquanto a lua derrama os raios refletidos do sol sobre eles de cima. Aqui ele luta corpo a corpo com este “algo” que vem de fora da calma da noite para atormentá-lo em sua hora de alegria. O que é este sentido de algo ausente, algo evasivo, aquele marte em sua felicidade perfeita, um ansiar por algo desconhecido, que ele teve uma vez mas perdeu? Enquanto tenta resolver este novo problema que veio a ele, vê Miriam observar seu novo senhor e mestre. A donzela repentinamente tornou-se uma mulher lutando para si própria, como ela intuitivamente sabe que aquele “algo” maior do que ela entrou em sua vida, e então vai a ele, suplicar para que lhe diga o que surgiu em seu coração que tende a estragar a felicidade perfeita entre eles. Então ele conta a ela sobre seu encontro e palavras com o Cristo.

Somente aqueles que experimentaram estas coisas, aqueles que sofreram, podem entender o barulho da tempestade se aproximando no coração da jovem noiva. A serpente do ciúme entra neste Jardim de Éden lançando a sua língua relampejante com seu veneno e fúria. Podemos em certa medida, imaginar o conflito causado, mas seu Anjo da Guarda está com ela, e nós vemos a serpente saindo fora, dominada, quando entra em contato com a luz radiante de amor nos olhos de seu marido. Então seu semblante torna-se iluminado com o brilho de um amor respondido. A pureza dos olhos azuis brilha adiante de seus olhos enquanto ela também deseja conhecer este grande Profeta, e esta é a maneira pela qual Miriam ganha sua primeira vitória em sua nova vida.

Vemo-los se apresentar como homem e esposa em harmonia e amor no Monte, ouvindo com êxtase às lindas verdades ensinadas pelo Salvador da Humanidade, pois Ele ensina como alguém que tem autoridade. Testemunhamos com eles a cura do leproso, e a do servo do centurião, e o assombro de Miriam, quando o cego vê e o aleijado caminha. Verdadeiramente este deve ser o Messias. Mas aí vem uma ocasião quando Miriam fica cansada, e eles retornam para casa para descansar, às refrescantes colinas onde a paz e a fartura são abundantes.

A NOITE
 Assim que chegaram em casa, Miriam tornou-se doente com uma forte febre, e os médicos não conseguindo dar alívio, o “outro discípulo” com sua ansiedade aumentando, parte em busca do Curador Divino. Encontra os discípulos em Cafarnaum, mas perde a fé neles quando testemunha o seu fracasso em curar, e o Mestre encontra-se só nas Montanhas. Quanto sofrimento, agonia, e tortura ele sofre ao pensar em sua amada sem ajuda. Por quê o Mestre se foi? Por quê Ele demora? Onde Deus está que permite estas coisas acontecerem? E então quanto êxtase e conforto vêm em seu rosto, quanta gratidão, quando vê o Profeta de Nazareth se aproximar. Agora tudo estará bem, Miriam será poupada, tão grande é a sua fé. Descontroladamente ele se dirige ao Mestre, prostrando-se a seus pés que pleiteando como se estive à beira de um colapso: “Senhor, perdoa meus pecados, salve Mirian, mas me não poupe. Eu te recompensarei, mas eu não posso suportar em vê-la deste jeito”. “Levanta-te, amigo, e sejas forte no Senhor, pois nosso Pai que está no Céu tem necessidade dela, e de ela está agora em viagem a um lugar melhor. Regozijes e não chores, pois, Seus meios são sempre o melhor caminho”. Enquanto O Salvador proferia estas palavras, uma enorme compaixão e amor estiveram com eles, quão bem Ele entendeu esta pequena criança diante Dele! Com a mais suave das ações Ele levantou o homem caído a seus pés.

“O seu Pai e o meu Pai tem um outro trabalho para você fazer, pois aquele amor que era inicialmente focalizado em uma pessoa agora deve ser dado ao mundo faminto, tornar-se universal para você espalhá-lo ao mundo, expandí-lo para incluir todas as pessoas, para levantar o caído, fortalecer o fraco, confortar o sofredor e curar o doente. É o único poder ou força que pode fazer estas coisas. Portanto, filho, agradeça ao Pai por dar a você este privilégio especial, e siga teu caminho em regozijo”.

Novamente nós vemos o “outro discípulo” seguindo o caminho de Arimathea ao sudeste. Enterrou sua amada, e do fundo de sua tristeza e mágoa, sua solidão e vazio, nasce um novo amor. Do útero do problema nasceu a Criança de Luz, porque ele passou a se dedicar ao “serviço ao próximo”.

A seguir nós o vemos cruzando o deserto até que ele chegar ao forte de Macharus, onde o Batista é prisioneiro de Herodes. Após uma entrevista com seu velho Professor nós o vemos nos ricos jardins e pomares secretos do tetrarca da Galiléia, na Montanha do Pequeno Paraíso, o lar de prazeres de Herodes, onde os nobres da corte de Roma com os Sumos Sacerdotes e seus filhos em segredo na noite. Agora ele está diante de Herodes, o Rei dos Judeus, que se reclina em seu sofá de marfim. Os efeitos dos seus últimos pecados são claramente estampados sobre ele, pois seu cabelo e barba são tingidos, a sua carne é repugnante, e em contraste direto com o ambiente, há uma grinalda de rosas murchas e moribundas sobre a sua cabeça, pois o puro não pode coexistir com o vil. Mas os olhos são ainda flamejantes e ele ainda tem a astúcia de uma raposa. Ante este espetáculo repulsivo o “outro discípulo” pleiteia sua causa. “Oh grande rei e regente da Galiléia, todas minhas terras e posses perto de Arimathea, eu te darei se tu deres em retorno a liberdade daquele que é chamado o Batista, que não deseja nenhum reino em teu país, que não fez nada de errado que seja digno de encarceramento, e só deseja ensinar o povo a viver melhor”. Herodes estava prestes a responder quando Herodias cochichou-lhe e este então com um sorriso doentio pede ao “outro discípulo” que voltasse no outro dia que ele então o ouviria melhor sobre esta questão, mas que agora estava ocupado com outro negócio. Durante toda a noite, Herodias permanece acordada, planejando que o Batista não deveria escapar, e assim no dia seguinte, quando Herodes concedeu a sua filha Salomé qualquer petição que ela pudesse fazer, a cabeça de João foi exigida, e Herodes submeteu com a petição. O discípulo não tinha conseguido salvar seu Professor.

Logo vemos “outro discípulo” indo procurar a hospitalidade dos moradores do deserto, pois isto o levou de volta ao lar daquela a quem ele tinha amado; mas agora nenhuma tristeza ou dor está ali, só a lembrança daquele puro amor terreno.
No curral com os pastores nós o vemos partilhando sua humilde refeição e escutando a seus contos de atrocidades praticados pelos soldados de Herodes.


Vemo-lo viajar ao longo do vale da Jordânia, em direção às colinas da Judéia e Galiléia e às montanhas de Moab e Gileade. Assim que ele vê o córrego, com os capinzais da Jordânia ao longo de seus bancos com doze a quinze pés de altura, suas plumas imensas que se deitam sob rajadas de vento e que mostram sua beleza após a passagem do vento, podemos entender como ele ama esta região, pois este foi o lar escolhido pelo seu primeiro Professor, aquele a quem ele não tinha conseguido salvar. Aqui estava ele, onde tinha aprendido as primeiras grandes verdades da vida. Quantas memórias maravilhosas misturadas com tristeza vêm a ele!

Agora ele chega ao “amha-arets,” povo da terra, os fazendeiros e camponeses, e mais tarde nós o vemos entre as plantações de azeitona, sendo que a azeitona é o produto principal da Palestina; é a manteiga e a carne do povo humilde. As oliveiras dão a beleza à terra com sua folhagem verde, que tem um brilho prateado no lado de baixo e flores minúsculas de prata cobrindo a Árvore inteira.

Finalmente alcança o Mar da Galiléia. Deve-se ir aí para realmente apreciar a beleza deste mar de Tiberias, cercado por montanhas e sujeito a repentinas tempestades. Chegando enfim ao seu destino ao norte, onde o rio Jordão o recebe com suas águas frescas e frias, ele encontra o Filho do Homem, e torna-se uma testemunha ocular de Seus feitos.

O AMANHECER
Ele está presente na alimentação dos cinco mil e na cura do lunático. É ele que proporciona o jumentinho, para o transporte do Mestre. Com que alegria e entendimento ele escuta à parábola da peça “Vestido de Bodas”. Nós o vemos ocupado preparando o cenáculo para a Santa Ceia, e mais tarde ele está com todos no Monte das Oliveiras. Está ombro a ombro com Nicodemus em sua luta por Jesus de Nazareth perante o Sinédrio, a Corte Suprema, com os Sacerdotes e Anciões, e mais tarde alista-se em ajuda à esposa de Pilatus, em favor de seu Senhor, mas em vão, pois a Lei deve ser cumprida.

Após a crucificação ele cuidou do corpo de Jesus com José de Arimatéia, seu parente, como fez com o corpo de João, e está presente com Cleopas quando Cristo aparece a eles na estrada a Emmaus. Achamo-lo enumerando-se com os poucos que permaneceram fiéis, e então, quando a escolha do apóstolo a tomar o lugar de Judas ocorreu, pela primeira vez nós o ouvimos. Era ele quem fora novamente escolhido pelo Senhor, pois a maioria o havia indicado, e desta vez o escolhido aceitou o chamado. O Amor terreno que tinha sido sua pedra de tropeço havia se transmutado em um amor universal, e O CHAMADO FOI RESPONDIDO. O discípulo havia encontrado o caminho de volta ao lar de seu Pai.




3 de ago. de 2019

“Ficais alegres, porque vossos nomes estão escritos nos céus”

por Jonas Taucci

Uma amiga solicitou-me informações sobre os anacoretas: iria elaborar um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso, aqui no Brasil; uma dissertação a nível universitário, ao final de um determinado curso acadêmico).

Aproximadamente 18 séculos depois de seu início pelos desertos do Egito, e depois expandindo-se pela Síria, Pérsia, Capadócia, Armênia e Palestina, uma movimentação (solitária) de pessoas, intriga, assusta e causa perplexidade até nossos presentes dias.

Cristãos, residentes no Egito do século IV DC (aproximadamente no ano 330), abandonaram seus lares, posses, cargos etc. para irem residir no deserto. Moravam solitariamente em cavernas, ou casebres construídos de pedras e folhas, alimentando-se de pão, raízes, e frutas secas doadas por algum transeunte de caravanas. Seus contatos com outras pessoas eram mínimos.

Dedicavam-se a orações, penitencias, jejuns e a escritos litúrgicos: suas roupas logo esfarrapavam-se, e nus, permaneciam nestas condições por décadas.
Esperavam – com este comportamento – aproximarem-se da divindade, de Cristo, de Deus.

O anacoreta cristão fugia, para o deserto, da comunidade temporal a que pertencia na sociedade, para juntar-se – segundo eles – à comunidade espiritual, invisível, que reunia todos os cristãos de séculos anteriores.

E assim, este comportamento que rompia com a sociedade, culminou – com o passar do tempo – em uma nova sociedade nos desertos das localidades acima citadas. Como anacoretas, sabemos da existência de: Antão, Pacômio, Doroteu, Macário, Zózimo, Eusébio, João Clímaco, Alípio, Evrágio Pôntiaco, Gerásimo, Múcio e outros milhares...

Abaixo, certas características suas:

*** Residiam – propositalmente – em lugares distantes cerca de 10 km. de um rio ou fonte, para forçarem uma penitência de ir e vir buscar água. Muitas vezes, carregavam na ida e volta, pedras para dificultar esta atividade.

*** Apesar da vista no deserto, de uma noite com céu maravilhosamente estrelado, ficavam décadas sem contemplar esta cena, por “acharem-se indignos de ver as maravilhas que Deus construiu”. Jamais levantavam seus olhares.

*** Alguns anacoretas, subiam em árvores, e entre os galhos, viviam por décadas, sendo alimentados por visitantes, esporadicamente.

*** Outros, empilhavam pedras, de modo a alcançar uma altura de cerca de 15 metros de altura. Depois subiam ao topo, ficando lá – em oração – por anos a fio.

*** Em troncos de árvores de porte, esculpiam um buraco, fixando residência aí, pelo resto de suas vidas.

Há muitas outras características existenciais dos anacoretas; demandaria um espaço enorme para sua citação, mas penso ser o resumo acima, uma ideia bem aproximada do que foi este movimento.

 (Ele ainda existe, em escala menor, em desertos do oriente).

Há quem conteste – através dos séculos – esta postura isolacionista dos anacoretas.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental está entre os que não indicam um estilo de vida desta maneira, onde não há contato algum (ou mínimo) com outras pessoas.

Evoluímos – determinantemente – nos relacionamentos com nossos semelhantes, e jamais através de livros, cursos, textos, palestras, e principalmente isolando-se do mundo e das pessoas. Estas, são a mola propulsora de nossos avanços espirituais.


Em meu parecer – respeitosamente – houve nuances egoístas no retirar-se para os desertos, por parte dos anacoretas: deixaram para trás, semelhantes enfermos e desassistidos; focaram-se apenas em sua salvação (a contramão do desenvolvimento espiritual).

Em uma lição mensal de Filosofia (aos estudantes) de Oceanside, Sede Mundial, início dos anos 60, o tema referia-se a exatamente isto: NÃO HÁ COMO CONSEGUIR UMA ABRANGÊNCIA DE LUZ INTERNA, ABANDONANDO NOSSOS SEMELHANTES, DEIXANDO DE PRATICAR O SERVIÇO.  A lição do amor, pregada por Cristo, o maior iniciado do Período Solar, jamais deve ser esquecida, nem eclipsada por conhecimento (muitas vezes canto das sereias).

Esta lição de Oceanside, terminava enfatizando nossas posturas de amor e caridade para com os outros, resultando num “LIVRO DA VIDA” (Apocalipse de João, 21:27) e chancelada por Cristo:


 Ainda que residindo urbanamente, vivemos um estilo de vida anacoreta?

14 de jul. de 2019

DO AMOR E DO SER (6)

por Eduardo Aroso

Na Grande Obra tudo aponta para o equilíbrio, mesmo quando os seres em evolução cometem os mais variados desequilíbrios. A Natureza, em qualquer aspecto, age sempre na maior economia de esforços para o máximo proveito. Na primavera (H.N.) tudo cresce, para florescer no verão e haver colheita no outono. Mas a natureza dá apenas o que dá, porque no (s) ano (s) seguinte (s) haverá mais. Não admira pois que Cristo desse à humanidade a oração do Pai-Nosso, onde se diz «O pão nosso de cada dia dai-nos hoje».

Mateus, no cap. 6 diz-nos «Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?».

É certo que as aves dependem de um espírito-grupo que para elas prepara o necessário, sendo que o homem é um ego, emancipado, com capacidade de destinar a sua vida, e na actual época tem que planear e preparar muitas actividades. Até aqui, tudo parece de fácil entendimento. Mas vejamos a expressão de Mateus «Não tendes vós muito mais valor do que elas?». Ora é nesta passagem que - parece-me – está a compreensão do que se disse atrás, ou seja, o homem, na escala da evolução está acima das aves, mas por isso mesmo deve, quanto à despreocupação e ao medo, ter uma atitude diferente da que têm esses belos animais: deve organizar a sua vida, mas sem preocupação excessiva e muito menos medo, pois retardam a evolução espiritual. Neste ponto encontramos a fé, atributo do ser humano e não de outras formas de vida inferiores.

Mais que as suas irmãs (como diria S. Francisco de Assis) do espaço, o homem deve chegar a ser uma sublime ave da terra, que seja verdadeiramente livre no seu voar (viver), sem dependência de nenhum espírito-grupo, um ave gloriosa e livre que apenas se movimente na única energia divina.

Em 07-01-2012

10 de abr. de 2019

O Getsêmani e Aspirante

REF. Marcos, 14: 26-38

Para um aspirante sincero, o Getsêmani se converte em um lugar familiar umedecido com suas lágrimas pelo sofrimento da humanidade. Ele também se converte em homem sofrido que se identifica com a dor, pois a medida que avançamos no caminho do desenvolvimento espiritual, aumenta nossa sensibilidade para a aflição daqueles seres que sofrem ao nosso redor. Ele sente a angústia como se fosse em seu próprio corpo e a vive em seu coração.

Encontrar o Horto do Sofrimento é um passo muito necessário no Caminho, pois somente a dor pode abrir-nos as portas da Glória. “Antes que nossos pés possam levar-nos a presença de nossos Mestres, devem ser lavados no sangue do coração”.

A lição suprema do Getsêmani é aprender a caminhar sem ajuda dizendo: “Pai, não se faça minha vontade, senão a Vossa”. Temos que seguir Cristo Jesus muitas vezes e provar do Cálice da dor sozinho antes que a suprema lição possa ser aprendida. Há que se beber  desse cálice até o fim para que a ação acumulativa da dor, que destroçará nossos corações, nos ensine a matar nossa personalidade e viver para doarmo-nos  completamente e sem reservas para ajudar a curar o mundo. Quando aprendermos a fazer isto, por uma forma de alquimia divina, todas as paixões transmutam-se em compaixão, uma compreensão divina cujo poder nos capacita para aliviar e curar. Então não poderemos julgar ninguém, criticar nem odiar. Pediremos somente convertermo-nos em um sacrifício vivo no altar da humanidade, sem esperar favores, nem gratidão, nem sequer compreensão daqueles que estão mais próximos de nós e nos são queridos. Nosso único desejo é viver para poder servir. Este é um ideal extremamente elevado para alcançarmos, mas é o único que devemos almejar antes de recebermos nossa libertação final no Getsêmani.


Depois da última Ceia, Cristo Jesus e os onze discípulos passaram através de uma das portas abertas da cidade e subiram ao alto do Monte das Oliveiras. Ordenando aos outros oito discípulos que se mantivessem escondidos atrás das árvores;  o Mestre levou consigo Pedro Santiago, e João, os quais eram os mais avançados espiritualmente entre os seus seguidores. Estes três haviam estado com Ele quando ressuscitou a filha de Jairo, e haviam sido testemunhos da Transfiguração. Pedro e João se “prepararam” para a Entrada triunfal e também para a última Ceia. Estas coisas se relacionam com certo desenvolvimento espiritual desses discípulos.

“Cheio de espanto” (tendo pavor) e “conturbado” (angustiadosignificam em grego, tremendo isolamento e agonia mental. Durante a Tentação, Cristo foi tentado através do prazer e do poder. Em Getsêmani o foi através do sofrimento e da dor. O Aspirante que aprende a seguir-Lhe deve passar por essas mesmas provas, sendo que a severidade das mesmas dependerá do grau particular do seu desenvolvimento. Quanto mais alto ascendamos, mais difíceis as provas . É muito certo que Deus emenda a aqueles que ama.

Cristo Jesus estava procurando fazer com que Pedro Santiago e João abandonassem seus corpos e Lhe seguissem ao Mundo do Espírito de Vida, para que pudessem ler nos arquivos eternos e compreender o significado esotérico de sua missão, com o propósito de que pudessem deduzir que Sua Paixão e Morte não eram um fim, se não o princípio de Seu trabalho. Mas eles falharam, pois estavam ainda tão embebidos na vida material, disputando acerca da posição que havia de corresponder-lhe no Novo Reino, que não lhes foi possível seguir ao Cristo, por isso é dito na Bíblia que estavam dormindo. Cristo Jesus compenetrou-se que devia caminhar sozinho, já que a humanidade devia manter-se nas trevas com relação ao verdadeiro significado da Sua Missão, pois, devia continuar sem ser compreendido e atraiçoado mesmo pelos Seus discípulos mais queridos.

Os discípulos nunca entenderam o significado interno de Seu trabalho até o dia abençoado da iluminação que chamamos de Domingo de Pentecostes.
A provação de Cristo foi tríplice: a Tentação no Deserto, no Getsêmani e na Crucificação. Em relação a esta tríplice prova a agonia do Getsêmani foi também tríplice: a falha de Seus discípulos amados, a traição de Judas e o beber do cálice até o fim, na solidão, sem ser compreendido.

Judas representa a natureza inferior do homem, essa tendência que procurando trair constantemente a natureza superior. O beijo de Judas representa a natureza astuciosa em seus esforços para sobrepor-se.

Judas era o tesoureiro do grupo. Sua ambição pessoal sofreu um golpe quando Cristo Jesus recusou dirigir em exército contra Roma. Judas esperava que o Mestre se proclamasse Rei e lhe desse um alto posto entre os oficiais. À medida que o Mestre dava ensinamentos mais profundos e espirituais, Judas se perturbava mais e mais e como não entendia o lado mais profundo da tarefa de Cristo, sua confusão degenerou-se em raiva e ódio e começou a tramar uma traição. Os trinta ‘”dinheiros” de prata, tem um significado esotérico profundo e se relaciona com a queda do princípio feminino no homem. Judas pertencia a tribo de Judá que era regida pelo signo de Leo, o signo do coração. A humanidade cairá ou se levantará através da sua natureza amorosa, cujo centro está no coração.

Os poderes Crísticos de João e de Judas, representam poderes internos. Cabe-nos transmutar a natureza de Judas e converte-la na de João, a fim de despertar a divindade de Cristo dentro de nós. Faríamos bem em meditar no axioma dos antigos gregos: Homem, conhece-te a ti mesmo

Traduzido da “Rays” de 1930, mês desconhecido pela Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil

18 de nov. de 2018

O Evangelho de São João e a Ressurreição de Lázaro


O Cristianismo desempenha um papel único, incisivo e capital na história da humanidade. É de certa forma, o ponto central de retorno entre a involução e a evolução. Dai que sua luz seja tão resplandecente

Em nenhuma parte se encontra esta luz tão viva como no Evangelho de São João. E, em verdade, pode dizer-se que é nele tão somente que aparece com toda sua força.No entanto, não é assim que a teologia contemporânea concebe este evangelho.

Do ponto de vista histórico ela a o considera como inferior aos três evangelhos sinóticos, e até há quem o suspeite de apócrifo. O mero fato de que sua redação tenha sido atribuída ao segundo século depois de Jesus Cristo, fez com que os teólogos e as escolas de crítica o considerassem uma obra de poesia mística e de filosofia alexandrina. Em compensação, o Ocultismo considera o Evangelho de São João de modo muito diferente.

Durante a Idade Média existiu uma série de fraternidades que viram no Evangelho de São João o seu ideal e a fonte principal da verdade cristã. Essas fraternidades chamavam-se, os Irmãos de São João, os Albigenses, os Cátaros, os Templários, os Rosacruzes. Todos eram ocultistas práticos e faziam deste Evangelho sua Bíblia. Pode admitir-se que as lendas do Santo Graal, de Parsifal e de Lohengrin tenham saído dessas fraternidades, como sendo a expressão das suas doutrinas secretas.
Todos esses irmãos de diversas Ordens consideravam-se os precursores de um cristianismo individual do qual possuíam o segredo e cujo pleno desenvolvimento e florescimento estavam reservados ao futuro. E este segredo só era encontrado no Evangelho de São João.

Encontravam ali uma verdade eterna, aplicável a todos os tempos, uma verdade que regenerava a Alma totalmente, desde que fosse vivida nas profundidades do próprio ser. Não se lia, então, o Evangelho de São João como se fosse um escrito literário, mas como servindo de instrumento místico. A fim de compreendermos aquela verdade eterna, teremos que nos abstrair momentaneamente do seu valor histórico.
Os primeiros quatorze versículos deste Evangelho representavam para os Rosacruzes objeto de uma meditação quotidiana e de um exercício espiritual. Atribuia-se-lhes um poder mágico que realmente tem, para os ocultistas.

Eis aqui o efeito que produzem, pela repetição constante, sem se cansar: feita sempre à mesma hora todos os dias se obtém a visão de todos os acontecimentos que conta o Evangelho podendo ser vividos interiormente.

É assim que, para os Rosacruzes, a vida de Cristo significava o Cristo ressuscitando do fundo de cada Alma. Ademais, acreditavam naturalmente na existência real e histórica de Cristo, porque, conhecer o Cristo interior, significa reconhecer igualmente, o Cristo exterior.

Um espírito materialista poderia dizer atualmente: O fato de que os Rosacruzes tenham tido essas visões, prova porventura, a existência real de Cristo? A isso responderia o ocultista: - Se não existisse o olho para ver o Sol este não existiria, mas se não houvesse o Sol no céu, tão pouco poderia existir o olho para vê-lo, posto que foi o sol que construiu o olho no decurso dos tempos para que pudesse perceber a luz. Similarmente o Rosacruz diria: - o Evangelho de São João desperta os sentidos internos, porém, se não existisse um Cristo vivente, seria impossível fazê-lo viver dentro de si mesmo.

A Obra de Jesus Cristo não pode ser compreendida na sua imensidade profunda, a não ser estabelecendo as diferenças entre os antigos mistérios e o Mistério Cristão.
Os mistérios antigos celebravam-se em Templos-escolas. Os iniciados, pessoas que haviam despertados tinham aprendido, igualmente, a obrar sobre o seu corpo etérico e, portanto, eram "duas vezes nascidos" porque sabiam ver a verdade de dois modos: diretamente pelo sono e pela via astral, e indiretamente, pela visão sensível e lógica. A iniciação pela qual tinham que passar se chamava: Vida, Morte e Ressurreição. O discípulo passava três dias no túmulo, em um sarcófago, dentro do Templo; seu espírito ficava liberto do corpo, porém ao terceiro dia, respondendo à voz do Hierofante, seu espírito voltava para o corpo, retornando dos confins do Cosmos, donde conhecera a Vida Universal.

E assim, transformado, era "duas vezes nascido".

Os maiores autores gregos falaram com entusiasmo e sagrado respeito destes mistérios.

Platão chegara a afirmar que somente o Iniciado merecia o qualificativo de "homem". Mas, esta iniciação encontrou em Cristo, o seu verdadeiro coroamento.

O Cristo é a Iniciação condensada na vida suprassensível, assim como o gelo é água solidificada. O que se via nos mistérios antigos se realizava historicamente em Cristo, no mundo físico. A morte dos iniciados não era mais que uma morte parcial no Mundo Etérico. A morte de Cristo foi uma morte completa no Mundo Físico.
Pode considerar-se a ressurreição de Lázaro como um momento de transição com um passo da iniciação antiga para a iniciação Cristã.

No Evangelho de São João, o próprio João só aparece depois de se mencionar a morte de Lázaro.

"O discípulo que Jesus amava", era, também, o maior dentre todos os iniciados. Foi aquele que passou pela morte e a ressurreição, e que ressuscitou ante a voz do Cristo mesmo.

João  é o Lázaro "saído" do túmulo depois de sua iniciação. São João vivera a morte de Cristo. Tal é a mística via que se oculta nas profundidades do Cristianismo.

As Bodas de Canaã, cuja descrição se lê igualmente neste Evangelho, encerram um dos mais profundos mistérios da história espiritual da humanidade. Referem-se às seguintes palavras de Hermes: "O que está acima é igual ao que está abaixo". Nas Bodas de Canaã, a água se transformava em vinho. A este fato dá-se um sentido simbólico e universal que é o seguinte: no culto religioso, o sacrifício da água era substituído por algum tempo, pelo sacrifício do vinho.

Houve um tempo, na história da humanidade, em que não se conhecia o vinho. Só nos tempos "védicos”, conheciam-no. Pois bem, enquanto o homem não bebera líquido alcoólico, a ideia das existências precedentes e da pluralidade das vidas, era uma crença universal, da qual ninguém duvidava.

Desde que a humanidade começou a beber vinho, a Idea da reencarnação foi-se obscurecendo rapidamente, acabando por desaparecer de todo da consciência popular. E tão somente os iniciados conservaram-na, porque se abstinham de beber vinho.

O álcool exerce sobre o organismo uma ação particular, especialmente sobre o Corpo Etérico, onde se elabora a memória. O álcool veda esta memória obscurecendo-a em suas profundidades íntimas. O vinho faz procurar o esquecimento segundo se diz, porém, não é somente um esquecimento superficial e momentâneo, senão um esquecimento profundo, duradouro; um obscurecimento verdadeiro da força da memória no corpo etérico. Poe este motivo, quando os homens começaram a beber vinho, foram perdendo, pouco a pouco, o sentimento espontâneo da reencarnação ou renascimento.

A crença no renascimento e na lei do carma, tinha uma influência poderosa, não só sobre os indivíduos como sobre o seu sentimento social. Esta crença fazia-lhes aceitar a desigualdade das condições humanas e sociais. Quando o infeliz obreiro trabalhava   nas Pirâmides do Egito, quando o hindu da última casta esculpia os templos gigantescos no coração das montanhas,dizia-se que outra existência o recompensaria pelo trabalho suportado. Que seu amo já havia passado por provas similares, se era bom, ou que passaria mais tarde por outras mais penosas, se era injusto e mau.

Ao aproximar-se o Cristianismo humanidade tinha que atravessar uma época de concentração sobre a obra terrestre. Era-lhe necessário trabalhar para o melhoramento da vida, pelo desenvolvimento do intelecto, do conhecimento racional e cientifico da Natureza. A consciência da reencarnação devia, pois, perder-se durante dois mil anos, e o que se empregou para obter tal objetivo foi o vinho.

Tal é a origem do culto de Baco, deus do vinho e da embriaguez, (forma popular do Dionísio dos Antigos Mistérios que, entretanto, possui outro sentido). Tal é, também, o sentido simbólico das Bodas de Canaã. A água servia para os antigos sacrifícios, e o vinho para os novos. As palavras de Cristo: "Felizes aqueles que não viram e que, entretanto, acreditaram", se aplicam à nova era em que o homem entregue por completo à sua obra terrestre, não tinha a lembrança das suas vidas anteriores, nem a visão direta do Mundo Divino.

O Cristo nos deixou um testamento na cena do Monte Tabor, na Transfiguração que teve lugar diante de Pedro, Tiago e João. Os discípulos viram-no entre Elias e Moisés. Elias representava o CAMINHO DA VERDADE; Moisés a VERDADE mesma, e o Cristo a VIDA que resume ambas. Por isto só ELE podia dizer: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA’’”.

Assim, tudo se resume e se concentra, tudo se aclara e se intensifica, tudo se transfigura em Cristo. O Evangelho de São João remonta o passado da Alma Humana até sua mesma fonte e prevê seu futuro até sua confluência com Deus, porque o Cristianismo não é somente uma força do passado, mas também, uma força do futuro.

Com os Rosacruzes, o novo ocultismo ensina o Cristo Interior em cada homem, e o Cristo futuro em toda a Humanidade.
traduzido da revista Rays from the Rose Cross para 
revista Serviço Rosacruz de março de 1973

1 de out. de 2018

"Porque Cristo Se Esconde Tanto?"

por Jonas Taucci
O título deste texto, foi uma pergunta realizada por um visitante ao Centro Rosacruz de Santo André, a muitas décadas.

Há que se saber qual a essência desta pergunta: encontrar Cristo fisicamente? Isto aconteceu a cerca de dois mil anos, com a humanidade da época, mas isto nunca se repetirá, pois ELE jamais se utilizará novamente de um corpo físico para manifesta-se na Terra.

O ponto de partida, para entendermos isto, reside (resumidamente) no fato de:

*** JESUS – Pertence à onda de vida humana.

*** CRISTO – O mais alto iniciado dos arcanjos. Utilizou os corpos denso e vital de Jesus, para trazer seu ministério à Terra.

Repetimos, Cristo jamais se utilizará novamente de um corpo denso para vir à Terra, o que torna este encontro (físico) com a humanidade, impossível. No evangelho de Mateus (capítulo 24 - versículo 23), ELE nos adverte:

-  Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui ou ali, não lhe deis crédito. Em I Tessalonicenses (capítulo 4 – versículo 17), nos é informado (e dado muita importância pelo fiel aspirante rosacruz), que encontraremos Cristo nos ares, e para alcançarmos esta situação, há um trabalho interno a ser desenvolvido por todos nós.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos informam que Cristo voltará no mesmo Corpo Vital utilizado da primeira vez, e Max Heindel, em Filosofia Rosacruz em P&R – volume II, perguntas 96 a 102 nos dá uma bela explicação sobre isso, sendo estes ensinamentos não encontrados em nenhuma outra fonte religiosa, espiritualista ou esotérica. Vale a pena serem lidas!

Aqui, um dado interessante: há uma infinidade de livros com respeito a cristais e suas propriedades. Não é objetivo deste texto este assunto, contudo no livro Cartas aos Estudantes # 32: O Corpo Vital de Jesus, o Sr. Heindel nos fala que:

Cristo não se esconde, aliás, com a aproximação da Idade Aquariana o éter Crístico estará cada vez mais acentuado entre as pessoas que o buscam internamente. A resposta mais adequada à pergunta formulada pelo visitante, está no final do Ritual Rosacruz de dezembro, com referência ao Natal:

*** “...quanto mais cedo nos convencermos que devemos dar nascimento ao Cristo Interno antes de podermos ver o Cristo exterior, mais depressa chegará o dia da nossa iluminação espiritual. Cada um de nós será, oportunamente, conduzido pela Estrela até ao Cristo, mas é necessário acentuar, que não seremos conduzidos a um Cristo exterior, mas ao Cristo que está no Interior”.   

Contudo, há sim – inequivocamente – uma forma de “escondermos (e bem...) nosso Cristo Interno:

*** Nos vestirmos da hipocrisia de (apenas) falarmos, ouvirmos, escrevermos e lermos sobre o Cristo, desprezando nossos semelhantes, numa total embriagues esotérica; isto eclipsa totalmente nosso desenvolvimento interno.

*** Sermos como sepulcros; caiados e formosos por fora, entretanto – interiormente – cheio de ossos de mortos e de toda imundície.  (Evangelho de Mateus, capítulo 23 - versículo 27).

Quanto a data em que Cristo voltará à Terra (utilizando o corpo vital de Jesus, segundo os Ensinamentos Rosacruzes), no evangelho de Marcos (capítulo 13 – versículo 32) Cristo diz: “aquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.

Sobre este assunto, Max Heindel, em Filosofia Rosacruz em P&R Volume II – pergunta 110, diz:

*** “Predizer que a vinda de Cristo ocorrerá numa data determinada será absurdo e um sinal de ignorância. Pode até ser presunçoso conjecturar a época aproximada em que ocorrerá o Segundo Advento, mas, segundo o autor, já que os ciclos precessionais, na medida em que estão ligados à evolução do ser humano, parecem começar com a entrada do Sol em Capricórnio, poderá haver uma manifestação nessa época. Se isso for correto, o Advento só poderá ocorrer daqui a três mil anos, pelo menos”.

Máximo Confessor foi um teólogo nascido em Constantinopla no ano de 580, oriundo de uma família aristocrática; abandonou esta condição para ser monge. Defendia a ideia (e a apresentou em vários concílios) de que Jesus e Cristo são duas naturezas distintas.

Para o aspirante rosacruz, este fato é uma realidade, sabedor de que Jesus cedeu seus corpos denso e vital para Cristo,  contudo  a aproximadamente dois milênio atrás, Máximo Confessor enfrentou sérios problemas por acreditar nisto: foi flagelado, sua língua e mão direita decepadas (impedido assim de falar e escrever respectivamente ) e – no exílio - faleceu em 13 de agosto do ano 662).

Existem antiquíssimos ícones (quadros de santos) que retratam Máximo Confessor revelando, ainda que simbolicamente no toque entre os dois dedos,  a natureza distinta entre:

*** Jesus
*** Cristo

João Cassiano (aproximadamente 365-435 d.c.), também monge, dizia:
-  Bem-aventurados aqueles que ouviram as palavras (faladas) de Cristo. Contudo, mais bem-aventurados aqueles que ouvem seus silêncios (seus atos).

Mas, isto fica para outro artigo...