20 de jul. de 2025

Bem - aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.

O Sermão do Monte, Harold Copping
"A Bíblia foi dada ao mundo ocidental pelos Anjos do Destino que, estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos, exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento. Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia." (Max Heindel.)

A sentença-chave para esta bem-aventurança é: Busca e aplicação da Verdade.

Graças ao fermento de Cristo, a humanidade cresce na aspiração, na busca e na vivência da Verdade.

O que se deseja significar por Justiça? É conduta reta?

Não apenas isso. Muitas vezes as pessoas fazem coisas com as quais não estão de acordo. Pensam uma coisa e fazem outra: isto se chama hipocrisia. Justiça é pensamento reto, verdadeiro, em todos os assuntos e condições da vida. Sabemos, à luz da Filosofia Rosacruz, que todas as coisas criadas têm um correspondente arquétipo na região do pensamento concreto, ou no segundo céu; que esse arquétipo vibratório determina a duração de seus correspondentes materiais; que uma criação material não pode ser mudada nem destruída, se primeiramente o arquétipo não foi transformado ou destruído, "lá".

O mesmo se passa com nossos pensamentos e ações. Criamos mentalmente e depois a idéia toma expressão física. "Assim como é em cima, é em baixo; como é no Macro é no Micro".

A humanidade está infeliz. Isso mostra que suas criações mentais não são verdadeiras. Mas, como transformar as coisas? Como pode o homem tornar sua vida feliz? Simplesmente mudando suas criações e, através da Verdade, ir apagando em seu subconsciente as imagens criadas defeituosamente. Isto se aplica à recuperação da saúde, à reconquista da paz interior; à normalização de todas as condições da vida. Isto é saúde total, porque o homem é um ser complexo, expresso em condições físicas, emocionais e mentais. Quando a causa, a idéia, é correta, a emoção também e o ato justo, numa coerência e unidade feliz com o Cristo Interior, que é o Pensador. Se chegamos a isso, o Cristo passa a exprimir-se através de nós e então já não seremos "aquela fonte incoerente que jorra, ao mesmo tempo, água salgada e doce"; não seremos mais aquela boca que "ao mesmo tempo louva a Deus e amaldiçoa a seu irmão”.

Ter fome e sede de justiça é aspirar ardentemente por essa condição ideal: de pensar, sentir e agir segundo a Vontade de Deus. Nessa aspiração, reza o estudante rosacruz: "Faze que as minhas palavras e os ditames do meu coração sejam sempre agradáveis à Tua Presença, ó Senhor, minha Força, meu Redentor".

Mas há uma grande dificuldade em sua consecussão: nossos hábitos mentais viciosos. Queiramos ou não, ignoremos ou não, o bojo do grande "iceberg" citado na psicologia, carrega, abaixo do limiar das ondas de nosso corpo de desejos, os vícios e condicionamentos do passado. Eles estão à espera de regeneração. É preciso fazer justiça com tais pensamentos e conceitos do passado. Não quer dizer julgá-los, condená-los, oferecer-lhes resistência. Nada disso.

Fazer justiça é doutrinar o subconsciente, é convencer-se profundamente de novas verdades e persistir nelas, sem alimentar as anteriores, até que elas morram de inanição. Mas é preciso muita vigilância. Como a Hidra de Lerna vencida por Hércules, que tinha apenas uma cabeça verdadeira e as noventa e nove, falsas, nossa natureza inferior tem uma só raíz: o egoísmo que sabe dissimular e disfarçar--se, não de noventa e nove formas, senão de mil formas diferentes, sutis.

A propósito disso, cabe narrar uma lenda interessante: a verdade estava certo dia se banhando num rio. Veio a mentira e, ocultamente, tirou a roupa,deixou ali, vestiu a da verdade e sumiu. Quando a verdade saiu do banho e viu os trajes da mentira, negou-se a vestilos. Foi nua para a cidade e lá quizeram apedrejá-la. Foi obrigada a voltar e por os vestidos da mentira. Desde então, a verdade anda pelo mundo disfarçada de mentira; e esta, camuflada de verdade.

De fato, quantas vezes somos induzidos pelas opiniões correntes, a inverter as verdades dos fatos? "A verdade de Deus é loucura para os homens" e a "Verdade dos homens é estultícia para Deus". Se não tivessemos a ajuda de uma escola iniciática, como a Fraternidade Rosacruz, onde contamos com estudos baseados nas investigações diretas do iniciado Max Heindel, estaríamos sujeitos a muitos enganos. Mas com esta base tudo se facilita. Recebemos "chaves" espirituais preciosas, de discernimento.

O mal que os estudantes se impõem, é a impaciência. Querem resultados a curto prazo. Levam tantos anos para chegar na "fossa" e depois querem retornar ao "monte" da noite para o dia. Não é possível. Pode-se abreviar, pode-se indicar o caminho "do meio", o cetro do Caduceu. Mas, estarão dispostos a aguentar a subida reta? Eles têm coragem para "tomar o reino dos céus por assalto?" Aí está: quase sempre buscam uma fórmula milagrosa e, por isso, vêem-se frequentemente sujeitos ao embuste e exploração de falsos mestres "que proclamam poderes e os vendem". É preciso repetir muitas vezes: o verdadeiro orientador espiritual não cobra nem dinheiro nem prestígio; ele busca, amorosa e altruisticamente, desde o começo, libertar o Aspirante de todas as limitações internas e dependências externas, levando-o a conquistar o pleno domínio de si mesmo. Só desse modo ele pode cumprir o objetivo de seu treinamento: o de se tornar, também, num ponto de apoio e orientação dos demais, passando adiante o benefício recebido, a fim de que a humanidade seja redimida.

Aprendemos que o exercício de retrospecção noturna nos leva a esquadrinhar o íntimo e, com sua persistência, logramos trazer à tona da consciência, fatos até esquecidos, lá do subconsciente. Então podemos reexaminá-lo sob nova luz e mostrar de forma bem clara ao subconsciente porque ele está errado e porque deve admitir um conceito mais verdadeiro do fato.

A psicologia moderna nos ensina a reeducar o subconsciente. Todavia, por experiência própria, confirmada pela de outros Estudantes, sabemos que os meios espirituais são mais eficientes. Basta que, para completar o efeito beneficioso da retrospecção, se faça a meditação matinal, também recomenda por Max Heindel como meio iniciático. Este exercício nos leva a uma curiosa introvisão: vamos tomando contato com nosso Cristo Interno; somos levados a uma conscientização de nossa real identidade, de nosso Eu verdadeiro e superior. É um sentir do que está atrás do véu, lá na sala ocidental do tabernáculo humano. E há muitos indícios desse contato, segundo a natureza individual. Mas um efeito sempre subsiste: o extraordinário bem-estar e paz interior que se experimenta após o exercício.

Em conclusão, todo "filho do fogo" faz diligente, perseverante e amorosamente sua parte, para merecer a "graça" da ajuda de seu Cristo interno. Ele "ora e vigia" para que os nobres intentos do espírito, que lhe chega a mente concreta como um pensamento--forma, abram caminho valentemente através do corpo de desejos e cheguem à ação, fielmente, sem deixar-se trair pelas insinuações do caminho; ele busca fazer como "A Mensagem a Garcia": que o propósito sempre bom do espírito chegue incólume e sem disvirtuamentos à ação. Ele confia na promessa feita por Deus através do salmista: "A batalha não é vossa, mas é minha".

Veja as demais bem-aventuranças aqui

publicado na Revista Serviço Rosacruz de Julho de 1973

6 de jul. de 2025

Bem - aventurados os mansos, porque herdarão a terra

O Sermão do Monte Jacques Tissot
"
A Bíblia foi dada ao mundo ocidental pelos Anjos do Destino que, estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos exatamente o que necessitam para seu desenvolvimento.Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia"  (Max Heindel.)

A sentença chave para esta Bem-aventurança é: Instrumento consciente de Deus.

O sentido comum e atual de mansidão, fez com que muitos cristãos passassem por cima desta bem - aventurança. Pensam eles mais ou menos assim: "Isto é impraticável! Se eu for bonzinho acabam comigo! Estamos numa época de agressividade econômica e se eu não me puser de mangas arregaçadas e decididamente na luta, acabo arruinado. Alias, em todas as relações, sociais e familiares precisamos de nos impor!". E com essa interpretação, põem de lado e desaproveitam um grande principio!

Ora, a agressividade, no tempo de Cristo, era maior ainda. Ele devia estar sabendo o que ensinava. Dizer-se cristão e praticar apenas aquilo que julgamos conveniente, é hipocrisia. Ou confiamos ou não confiamos na sabedoria do Mestre. Quem omite um dos princípios, já falhou em todos!

O sentido esotérico de mansidão, não é o de ser uma espécie de capacho, uma criatura aviltada, sem dignidade, arrastando-se como verme e provavelmente hipócrita. Isto seria ridículo. O problema não está na relação com os demais, mas no comportamento conosco mesmos. E. um estado mental e de coração. Ser manso é não oferecer resistência ao Cristo, em nós, é a realização da promessa de grandes obras; que somente dele podemos receber a inspiração, a intuição, para agir acertadamente em todas as situações, sem deixarmos de ser nós mesmos, ao contrário, para sermos uma perfeita individualidade, pois somos espíritos e os corpos meros instrumentos dele. E ter perfeita certeza de que Deus é tudo em todos; é justo, é amoroso. Daí então, passamos a nos entregar completamente a Ele, a fim de que Sua Vontade se cumpra em nós.

Esse é o meio seguro de herdarmos a terra. Mas, que é a terra? É o globo terrestre? É a conquista mundana?

Não. terra, aqui, tem o sentido de manifestação, de verbo feito carne, de consequência. Ora, se a causa é o pensamento, o efeito é o ato. Mas, que ato? Herdar a terra quer dizer: agirmos de acordo com a Vontade Cristica em nós e colhermos resultados sempre bons; é ter domínio sobre as circunstâncias é viver conforme as leis e conduzir a vida em harmonia, em todas as esferas de experiência.

Moisés, depois de Cristo é o maior exemplo bíblico de mansidão. Ele se conformou inteiramente à vontade de Deus, compreendendo que nada perdia com isso, senão ganhava e glorificava a Deus. Quando Paulo apóstolo disse: "Não mais eu quem vive, mas o Cristo em mim", queria significar mansidão, ou seja, que não era mais a personalidade ou natureza inferior quem o dirigia, senão o Cristo, nele. Cristo exprimia a perfeita unidade e mansidão quando declarou "Eu e Pai somos Um"; "Não sou eu quem faz as obras. mas o Pai em mim"; "Quem vê a mim vê ao Pai". E a parábola da videira e dos ramos (*) é um convite dos mais expressivos, nos Evangelhos, para alcançarmos essa mansidão e, através dela, alcançar os melhores e mais impessoais frutos de êxito e de felicidade, ou seja, "herdar a terra".

É um engano pensar que precisamos de convencer Deus a se manifestar em nós. Nós é que temos de quebrar a nossa própria relutância em aceitá-lo; nós é que tememos deixar as coisas que nos agradam e que precisamos dissolver para que o Cristo se nos manifeste; nós é que precisamos rasgar o véu que nos encobre o Altíssimo, pela renúncia ao anti-Cristo em nós...

Ninguém pode servir a dois senhores...

Hércules! Hércules! Acorda!

Até quando permanecerá Prometeu acorrentado e devorado?

(*) Nota: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.
Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto." (João 15:1-2)


publicado na Revista Serviço Rosacruz de Junho de 1973

2 de jul. de 2025

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados

O Sermão do Monte, Autor desconhecido. Fonte: Pinterest
"A Bíblia foi dada ao Mundo Ocidental pelos Anjos do Destino que, estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos, examente o que necessitam para o seu desenvolvimento .Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia." (Max Heindel)

A frase chave para esta Bem-aventurança é: a missão da dor.

Que é a dor? É a reação natural do desvio às Leis naturais. Quando o indivíduo começa a transgredir as Leis de Harmonia mantenedoras do equilíbrio e unidade universal, precisa de ser prevenido. Mas, se ele voltar à Lei, a harmonia retorna e a dor desaparece.

Se a humanidade pudesse compreender profundamente esta verdade, tomaria decisões mais firmes de regeneração. Por isso afirmou Max Heindel: "o único pecado que existe é a ignorância e a única salvação, o conhecimento aplicado". E o conhe-cimento da Lei é aquela Verdade a que referiu Cristo.

Infelizmente, a maioria dos seres humanos, por ignorância da Lei e fraqueza, deixam-se escravizar pe-los antigos hábitos, persistem no caminho das transgressões e conti-nuam sofrendo dores. Buscam fugir da dor, é claro. Procuram médicos que lhes dêem remédios fortissimos, de efeito rápido, para que possam livrar-se do sofrimento e retornar aos mesmos hábitos que geraram o incômodo. Assim, os males se vão agravando até que a pessoa grite: "Chega! Não aguento mais! Estou disposto a fazer qualquer coisa para me livrar definitivamente disto! "  Ai já estão estropiados, sofridos, operados, desenganados. E vão buscar os milagreiros e operações espirituais, até que sejam obrigados a aceitar a evidência da qual não podem escapar: ninguém pode transformar os efeitos a não ser ele mesmo, começando pelos pensamentos!

Então começam a estudar as leis espirituais porém com a mesma impaciência, com o mesmo desejo de alcançar resultados a curto prazo, põem-se a trabalhar furiosamente no começo e depois desanimam...

Até que aceitem a verdade e se disponham fazer o caminho de volta, pela verdade e pelos recursos naturais.

Neste ponto, como o filho pródigo, o Pai amantíssimo já começa a fazer sua parte para ajudar o Filho. Mas alguns, por entenderem mal a lei de causa e efeito, deixam-se ficar num estado de conformismo oriental, alegando: "É o meu zkarma... que hei de fazer? Suportarei pacientemente as minhas dívidas". Outros, esclarecidos pela sabedoria dos mistérios ocidentais, assumem a verdadeira atitude: "Eu provoquei o efeito por uma causa ou pensamento errôneo. Agora vou modificá-lo atra-vés de uma nova e melhor causa mental, com pensamentos novos de saúde, de tolerância, de alegria enfim, de harmonia com Deus. O fato é que se pode e deve modificar. A Verdade liberta. Cristo foi quem prometeu. O arrependimento sincero, o desejo e esforço de reforma, atraem a Lei da Graça, que é superior à Lei de Causa e Efeito e pode anulá-la sem contradizê-la. assim como Supremo Tribunal, apoiado nas mesmas leis, pode revogar uma sentença regional. A Lei do Espírito Santo é boa e santa; mas pode ser modificada por uma lei mais Alta, a Lei do Amor de Cristo. Este ponto é muito importante nos ensinamentos cristãos esotéricos e pouco estudado. Max Heindelo explicou muito bem mas ainda muitos estudantes não a compreenderam devidamente, para prejuízo seu.

A dor poderia ser evitada, Ela não faz parte da Harmonia, que é o esta-do natural de Deus, aquele estado que já desfrutamos e que simbolicamente chamamos de "Paraiso", Se chegamos ao ponto de não provocar mais desvios à Lei Divina, a dor deixará de existir em nossa vida, em todos os assuntos. Cada ser humano é livre para escolher entre os dois caminhos:

a) conhecer a Lei e viver de acordo com ela, em constante harmonia e felicidade; 

b)
aprender a chegar à Harmonia pelo duro caminho da dor.

No entanto, há grande benefício na dor. Costumamos dizer que o "mal é um bem em gestação", comparando o caminho do transgressor a um penoso parto de harmonia. Pe-noso, não porque Deus nos impõe a pena, mas porque resistimos e tei-mamos em continuar no erro que a provoca. Paul Carton, o sábio, num livrinho intitulado "Bem-aventurados os que sofrem", mostra em mi-núcias o valor educativo da dor e exemplifica: "vejam como é benefícios sermos advertidos com dores, de uma forte indigestão. Assim, po demos tomar medidas tempestivas para corrigi-la e, se formos sábios, poderemos compreender as causas e evitá-las de futuro. Isto se aplica a todas as espécies de males."

De nossa parte, buscamos o ca-minho da harmonia. O Cristo nos disse: "Eu vim para que tenhais vi-da e vida en abundância". E a maior lição que sacamos de sua res-surreição é a prova de que podemos liberta-nos das limitações materiais e alcançar uma harmonia permanente, consoante aquela promessa: "As obras que eu faço, vós as fareis e obras maiores ainda, se fizerdes a minha vontade".


publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio de 1973