19 de mar de 2013

Armadura Contra A Tentação

por Corinne Heline

A oração e a vontade espiritualizadas constituem a única armadura impenetrável contra as tentações que freqüentemente nos assediam. A admoestação de Paulo apóstolo é: "oremos sem cessar". Cada passo à frente, no Caminho, é acompanhado das provas correspondentes, que visam a avaliar nosso aproveitamento na Escola. A mais sutil delas relaciona-se, em cada nível, às nossas ambições e desejos fundamentais. Satanás (Saturno), dentro e fora de nós, sabe muito bem como tecer e colorir as tentações, se­gundo os temperamentos individuais, arquitetando armadilhas e chamarizes para despertar os que ainda não se encontrem na posse do discernimento espiritual e fortificados internamente. Cristo-Jesus deparou cada fase dessas tentações para conhecer as condições humanas e compassivamente ajudar-nos. Nelas demonstrou, para exemplo, a mais completa renúncia às solicitações mundanas, a par de total ren­dição à Vontade do Pai, no propósito de bem servir os homens. Suas pegadas, bem frescas sempre ao Aspirante sincero, conduzem à verdadeira finalidade da vida e à felicidade real.

As tentações nos vêm, vida após vida, até que o tesouro acumulado no banco celeste tenha sido testado e provado pelas experiências terrestres. Quando o Espírito de Cristo infundiu-se no corpo físico de Jesus, foi levado à Solidão, para provar sua fortaleza ou sua fraqueza. O mesmo cálice continua erguido e cheio, na proporção de cada alma para ser-lhe apresentado após cada experiência celestial, quer entre renascimentos, quer nos mais exaltados estados de consciência ,quando ainda encarnado. Devemos sempre contar com a volta à Terra, a fim de aprender a enfrentar a fornalha ardente da aflição.

A tentação marca o mais importante estágio nos primeiros tempos da vida do Aspirante. Foi uma experiência comum a todos os mestres do mundo. Num manual antigo lê-se: "Toda a mágica operação consiste em libertar-se da antiga serpente e colocar-Ihe sobre a cabeça os pés, pela ascendência da vontade do operador".

Diz o tentador: "Eu te darei todos os reinos da terra, se, prostrado, me adorares". A essa promessa o Iniciado tem apenas uma resposta: "Eu não me ajoelharei diante de ti. Tu, sim, deves prostrar-te diante de meus pés Nada podes dar-me, mas eu posso tirar de ti tudo o que desejar, porque sou teu Senhor e Mestre".

As tentações apresentam-se mais amiudamente nos primeiros estágios evolutivos, porque aludem à segunda iniciação menor. Os Evangelhos de Lucas e Mateus, que se referem aos primeiros passos no Caminho, dão mais ênfase a tentação no deserto. Marcos trata-o ligeiramente. João, cujo Evangelho se ocupa do mais elevado método de desenvolvimento, omite-o.

O Aspirante necessita das experiências do relacionamento com o mundo exterior, para evoluir. Atinge o tempo de provas logo entra na posse do amor, da riqueza, do poder e da fama. Por teste idêntico passa o neófito em outros planos, após cada exaltação de consciência. A tentação é proporcional ao grau de consciência. Quanto mais exaltado seu estado, tanto mais sutil ela surge ao que acaba de vencer mais uma fase e se guinda a uma iniciação ou iluminação superior. O propósito destes testes é sempre idêntico, em todos os graus: como uma sabatina escolar, visa a confirmar a segurança do Aspirante e avaliar como vai ele usar as faculdades e poderes recém adquiridos. O ponto comum da prova é o egoísmo: usará os talentos acrescidos como gratificação pessoal ou de forma impessoal e ampla? Será interesseiro, vaidoso, prepotente ou um servidor altruísta, humilde e amoroso? Em realidade, o egoísmo, em nós, gera o caos na esfera pessoal, social e mundial. Cada egoísta contribui para a desordem social, atraindo, em seu prejuízo, as conseqüências de seus próprios atos e dos outros a que serviu de incentivo e acréscimo vibratório. As guerras, as epidemias, são expressões gerais das convulsões internas e estados mórbidos, emocionais e mentais.

A vitória sobre a tentação é idêntica a uma grande e branca estrela, que permanece inspiradora e luminosa, acima do horizonte do mundo. "Sozinho, Ele foi tentado e ainda permaneceu sem pecado". Na solidão dos quarenta dias no Deserto, Cristo conquistou completamente aquilo que ainda restava da fragilidade e dubiedade humanas, em a santa natureza de Jesus, uma parte do trabalho empreendido naqueles quarenta dias foi empregada inteiramente na reforma dos corpúsculos vermelhos do sangue, porque, segundo sabemos, só ficará inteiramente individualizado o Ego que alcançar a capacidade de elaborar, ele próprio, seu sangue, além de submeter à sua vontade a transubstanciada energia marciana contida nele. Forma-se o sangue pela alimentação, mas sua transubstanciação depende do bom uso do pensamento. Esta alquimia, realizada no sangue de Jesus, por Cristo, carregava-o de tão tremendo poder que seus corpos mal o podiam suportar em coesão.

Somente após esse segundo passo iniciático pôde Cristo-Jesus iniciar Seu Grande Trabalho. De acordo com Mateus foi logo após esse evento que Ele escolheu Seus discípulos e pronunciou o Sermão da Montanha. Marcos relata a realização de inúmeras curas, seguindo ao mesmo acontecimento. Lucas relata a grande pesca, tão simbólica e de ricas analogias. Em cada citação temos pormenores completos do processo que se segue à conquista da Tentação, segundo a delineação do caminho de desenvolvimento.

Na medida que avançamos na Estrada da Realização Espiritual, as sutilezas da Tentação aumentam, explorando sempre nossos pontos fracos. Depois do Batismo vem a Tentação; em seguida à transfiguração.

Ultima Ceia e Lavapés, o teste de sofrimento no Getsêmani, a estigmatização do abandono e da renúncia. Antes da Ressurreição e Ascensão, a amarga experiência do calvário.

A Tentação é a barreira de passagem e um acelerador do crescimento anímico. Enfrentando-a corretamente, pelo devido preparo, como o da Rosacruz, cada prova se torna um degrau para mais alta realização e maiores conseguimentos. como ficou provado na vida do Mestre, exemplo de todos.

A Divina Senhora tonalizou-se de tal modo com Cristo desde o Batismo que, apesar da separação pela distância estava sempre apta a acompanhá-lo em seu ministério. Em espírito encontrava-se com Ele, em cada experiência da Tentação. Encerrada em seu pequeno santuário durante os quarenta dias e quarenta noites de Jejum, a grande Iniciada Maria desenvolveu um importante trabalho de cooperação com seu Senhor, de purificação e sublimidade vibratória do planeta, ilustrando um perfeito modelo a ser imitado por toda a raça humana, ou seja: ser tentada e permanecer pura.
traduzido da Rays from the Rose Cross, publicado na revista Serviço Rosacruz em abril de 1968

3 comentários:

  1. Inspirador para alguém como eu que inicia o caminho.

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    1. Grata Manoel por participar. Ficamos felizes em saber que estamos sendo úteis. Abraço fraterno e Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz.

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